A seguinte publicação técnica está relacionada com o evento:
XXII Congresso Latino-Americano de Avicultura 2011

genéticas galinhas Campero-INTA

Análise da reprodução em duas linhas genéticas de galinhas de tipo Campero-INTA

Publicado: 20/10/2011
Autor/s. :
Sumário

Foi avaliado o peso corporal e a produção de ovos de duas linhas maternas de aves destinadas à produção do frango Campero INTA (Linhas E e T) submetidas a condições semelhantes de manejo e alimentação. Foi determinado o peso médio a 21 semanas, a porcentagem de produção de ovos, o número de ovos por ave e a massa de ovos. As frangas pertencentes à linha T apresentaram um maior peso corporal a 21 semanas, com médias de 2.309,33 ± 26,56 e 2.206,00 ± 31,61 g, T e E respectivamente (p<0,05). As porcentagens médias de produção de ovos ao longo do ciclo foram diferentes estatisticamente, com valores de 66,39 ± 4,32 e 56,96 ± 4,14 para a linha E e T respectivamente, algo similar ao ocorrido com o número de ovos produzidos por ave alojada, a 64 semanas (p<0,05), com médias de 189 ± 11 e 162 ± 12 ovos/ave (linhas E e T respectivamente). Estes valores constituem um total de 27 ovos/ave a favor da linha E. Estes resultados são semelhantes aos obtidos com linhas genéticas pesadas empregadas na indústria avícola e confirmam a correlação negativa entre peso corporal e produção de ovos.
Palavras-chave: Campero-INTA, Matrizes, Produção de ovos.

Introdução

A galinha doméstica põe ovos em séries, seguindo um padrão de produção que acompanha a maturação folicular, processo controlado pelo ritmo circadiano e pelos sistemas fisiológicos ligados à reprodução (Etches, 1996). Embora conheça-se pouco sobre a forma precisa em que se integram os diferentes fatores para determinar a taxa de postura, sabe-se que o potencial genético, a nutrição, a sanidade, o peso corporal, a posição social e as condições ambientais regulam o ritmo da postura (Spies, 2000). A comparação da produção de ovos entre galinhas poedeiras e matrizes pesadas põe em relevo a importância da genética para a determinação da aptidão reprodutiva (Robinson & Wilson, 1996).
Em nosso país, o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA) conta há décadas com uma estrutura de produção de tipo piramidal (análoga à da indústria avícola), cujo esquema se inicia num núcleo genético que funciona na localidade de Pergamino (Província de Buenos Aires), no qual são realizados cruzamentos entre diferentes raças. A partir deste lugar, os reprodutores pais são enviados a granjas de multiplicação, localizadas em distintos pontos do país, onde se levam a cabo os cruzamentos entre raças tipo pesado para a produção de carne aviária (frango "Campero-INTA"). Devido a sua maior rusticidade, estas aves se adaptam, muito melhor que os híbridos comerciais, às condições locais e, além disso, ao apresentar melhores índices de produção que as aves crioulas não selecionadas, constituem uma alternativa econômica importante (consumo próprio ou comercialização dos produtos) (Bonino & Canet, 1999).
No presente trabalho, realiza-se uma avaliação do comportamento reprodutivo de dois tipos genéticos de aves reprodutoras Campero-INTA, destinadas à obtenção de frangos para carne de ciclo prolongado (pollos Campero-INTA).

Materiais & Métodos

O estudo foi feito no Centro de Multiplicação de Aves da Estação Experimental Agropecuária do INTA Corrientes, localizado na Ruta Nacional Nº 12, km 1008, El Sombrero - Corrientes, Argentina. Foi analisado o comportamento reprodutivo de duas linhas genéticas (E e T) de fêmeas destinadas à produção de frangos Campero-INTA, mantidas sob condições experimentais similares. Finalizada a fase de cria e recria, as aves foram transladadas ao galpão de reprodução, onde se alojaram em três boxes de iguais características por cada linha genética. Cada boxe funcionou como uma repetição simples da variável independente (linha genética), de maneira que cada tratamento contou com três repetições num desenho completamente aleatório. Desde seu traslado, foi avaliada a produção de ovos expressa em termos de porcentagem de postura, ovos por ave alojada e peso e massa de ovo, considerando-se o peso corporal (PC) destas aves no início do período que se analisa. Aplicou-se a análise da variância para um desenho completamente aleatório e a correlação de Pearson.

Resultados & Discussão

Os resultados de PC a  21 semanas aparecem na tabela 1, em que são observadas diferenças a favor da linha T, que foram significativas na análise da variância (p<0,05).

Tabela 1. Média de Peso corporal e desvio padrão segundo linhas

Linha

Peso corporal médio (g)

Desvio padrão

E

2.206,00

31,61

T

2.309,33

26,56

Em geral, o final da recria constitui um momento crítico na vida da ave, já que se produz o final da fotossensibilização, início do fotoestímulo e da maturidade sexual; trata-se de uma idade de transição em que a dinâmica da evolução do peso corporal (sobretudo entre as semanas 20 e 25) se considera relevante para determinar a condição reprodutora do lote (Robinson et al., 2007). O período mencionado é fundamental na vida das aves de linhagens pesadas, porque se registram profundas mudanças físicas e fisiológicas que afetam a aptidão reprodutiva da fêmea, iniciando-se o desenvolvimento dos órgãos sexuais primários e secundários, com o consequente aumento de peso (Leeson & Summers, 2000).

A curva de postura aparece na Figura 1, em que se observa que, em geral, ambas as linhas tiveram um traçado semelhante, embora, sob uma análise mais detalhada, elas mostram diferenças em várias idades. Em 24 semanas, foram constatados valores de 9,41 e 6,24 % de postura para E e T, respectivamente (p>0,05). Logo, pode-se distinguir uma primeira fase de rápida elevação, até alcançar o máximo de produção a 29 semanas, com 88% de postura para a linha E e, a 34 semanas para a T, com 81% de postura. Se considerarmos que a bibliografia estabelece um período de 5 semanas a partir da idade da maturidade sexual para atingir o máximo de postura nas matrizes (Leeson & Summers, 2000), podemos destacar que as aves da linha E ajustaram, com maior eficiência, a idade ao ponto máximo com relação à linha T, a qual demorou 10 semanas. Em coincidência com o que foi encontrado por Hudson et al. (2001), as diferenças relativas quanto à idade de ponto máximo de produção ajudam a explicar (em parte, pelo menos) as diferenças significativas que se registram concretamente no número de ovos por ave, variável que se discute mais adiante. Assim, se tomamos como referência o marco teórico e estabelecemos uma comparação a 29 semanas de idade, observamos - em termos numéricos - a maior porcentagem de postura  alcançado pela linha E. Com efeito, e a essa idade, a análise da variância para porcentagem de produção mostrou diferenças significativas a favor da citada linha E (p<0,05).

Figura 1. Curva de postura segundo linhas até as 64 semanas do ciclo


Porcentagem x Idade (Semanas)

As porcentagens médias de produção de ovos ao longo do ciclo foram diferentes estatisticamente, com valores de 66,39 ± 4,32 y 56,96 ± 4,14 para a linha E e T respectivamente, algo semelhante ao que aconteceu com o número de ovos produzidos por ave alojada a 64 semanas (p<0,05), com médias de 189 ± 11 y 162 ± 12 ovos/ave (linhas E e T respectivamente). Estes valores constituem um total de 27 ovos/ave a favor da linha E. Os resultados, que associam o peso corporal com a produção de ovos, ratificam o que foi encontrado em numerosos trabalhos feitos em linhas parentais para a produção de frangos para grelhados híbridos (Thorsteinson, 1999; Leeson & Summers, 2000).

A análise das correlações entre a produção de ovos e o peso corporal, em diferentes idades, a partir do final da recria, mostra um comportamento diferente segundo a linha genética. No caso da "E", foi possível detectar uma correlação positiva significativa entre as variáveis mencionadas, em alguns pontos da curva. Assim, a 23 semanas,  o PC correlacionou com total de ovos/ave (r=0,99; p=0,008); o mesmo entre o PC a 25 semanas e a produção de ovos a 54 semanas (r=0,99; p=0,03), e o PC a 27 semanas com produção de ovos a 35 semanas (r=0,99; p=0,007).

Um comportamento oposto ao descrito foi constatado na linha T, na qual as variáveis PC e produção de ovos não têm tido correlação ou esta correlação foi feita de forma negativa. Nesta linha genética o PC a 36 semanas correlacionou em forma negativa com o total de ovos produção      (r= -0,99; p=0,03). Neste caso, se ratifica a relação entre peso corporal e a menor produção de ovos observada em linhas pesadas produtoras de frangos para grelhados (Bruggeman et al., 2005)

Por outro lado, a análise da evolução do peso médio dos ovos, discriminados por linha genética, indicou um maior peso a favor da linha T. A 25 semanas de idade, foram registradas médias de 48,53 ± 1,47 e 49,45 ± 0,89 (p>0,05); no entanto, a 29 semanas se apresentaram diferenças significativas a favor da linha T, com médias de 53 ± 0,49 e 56 ± 0,81 (E e T, respectivamente). Os valores médios desta variável, ao longo do ciclo, favorecem significativamente a linha T, com 61,52 ± 0,14 e 58,97 ± 0,28.

A respeito da massa de ovo, a análise da evolução desta variável mostrou variações ao longo do ciclo, independentemente da linha. As médias de massa de ovo, ao longo do ciclo foram de 40,48 ± 2,46 e 36,39 ± 2,56 para linhas E e T, respectivamente

Conclusões

A partir dos resultados aqui obtidos, podemos concluir que na matrizes de tipo Campero-INTA, da linha T, cujo peso corporal superou a "E" no final da recria, foi registrada uma menor produção de ovos, variáveis que correlacionaram de forma negativa. Este resultado é semelhante ao que foi observado em outras linhagens de matrizes pesadas.

Agradecimentos

Agradecemos a Darío Ortíz e Carlos Escobar pelo apoio dado à realização do presente trabalho.

Bibliografia

Bonino MF & Canet ZE. 1999. Producción de pollos y huevos camperos. Boletín Técnico editado por la Dirección de Comunicaciones INTA. 39 pp.

Bruggeman V, Onagbesan O, Ragot O, Metayer S, Cassy S, Favreau F, Jego Y, Trevidy J, Tona K, Williams J, Decuypere E, Picard M. 2005. Feed allowance-genotype interactions in broiler breeder hens. Poultry Science 84:298-306.

Etches RJ. 1996. Reproducción aviar. Ed. Acribia S.A. Zaragoza, España. 339 p.

Hudson BP, Lien RJ, Hess JB. 2001. Effects of body weight uniformity and pre-peak feeding programs on broiler breeder hen performance. J. Appl. Poultry Res. 10:24-32.

Leeson S & Summers JD. 2000. Broiler breeder production. Published by University Books. Guelph, Ontario. Canada.

Robinson FE, Renema RA, Zuidhof MJ. 2007. The pullet to hen transition: Why this is the most critical time in female broiler breeder management. URL:http://www.poultryindustrycouncil.ca
/pdf/HC%2007%20PDF/Robinson%20-%20PIC%202007.pdf. Acceso: 05/02/09.

Robinson FE & Wilson. 1996. Reproductive failure in overweight male and female broiler breeders. Animal feed Science Technology 58:143-150.

Spies A. 2000. Reproductive efficiency of broiler breeder females as influenced by post peak feed allocation and long ahemeral days. Master of Science Thesis. Department of Agricultural, Food and Nutritional Science. Edmonton, Alberta.

Thorsteinson KA. 1999. Effects of maternal trains, feeding program and photostimulation program on eggs quality, chick quality and broiler growth and carcass characteristics. Master of Sciencie Thesis. Edmonton, Alberta, Canadá. 91 p.

 

 

 
remove_red_eye 427 forum 0 bar_chart Estatísticas share print
Compartilhar :
close
Ver todos os comentários
 
   | 
Copyright © 1999-2020 Engormix - All Rights Reserved