“A experiência da avicultura de postura dos Estados Unidos na adaptação à nova legislação sobre bem-estar animal”.

Publicado: 05/05/2015
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Nos últimos 20 anos a Indústria avícola de produção de ovos vem sofrendo pressão quanto às condições mínimas de criação e bem-estar das aves de produção. Inicialmente na Europa, com a implementação da Directiva da União Europeia (UE) 1999/74/CE, estabelecida em 1998 e aprovada em 1999, que proibiu as gaiolas em bateria convencionais na UE a partir de 1º de janeiro de 2012 (após uma fase de “readequação” de 13 anos); e mais recentemente nos Estados Unidos (EUA) com a Proposição 2 na Califórnia, aprovada em 4 de Novembro de 2008, com 63% dos votos favoráveis, que determina pelo menos 750 cm2 por ave em “confinamentos” para até 9 aves em produção.

Baseada nos princípios de Bem-Estar Animal, estabelecidos através das “Cinco Liberdades” para animais sob controle humano, estas medidas oferecem basicamente que as aves estejam:

1. Livres de fome e sede;
2. Livres de “desconforto”;
3. Livres de dor, lesões e doenças;
4. Livres para expressar seu comportamento normal;
5. Livres de “medo” ou estresse.

A pressão das organizações de “Defesa Animal” (ativistas) tem se tornado crescente nos últimos anos e tem tomado bastante espaço na opinião pública, principalmente em “países dessenvolvidos”. Cabe a indústria de produção de ovos adequar-se a esta nova realidade e implantar boas práticas de criação e bem-estar animal para as aves, para que a imagem pública do setor de produção de ovos não seja prejudicada e consequentemente afete o consumo de ovos.

Do ponto de vista prático, a produção de ovos em “sistemas menos intensivos” apresenta menor eficiência. Em Julho de 2008, um estudo conduzido pela Universidade da Califórnia sugeria um aumento do custo de produção de aproximadamente 20% para sistemas de produção sem gaiolas (ou similares), comparados com sistemas tradicionais em gaiolas. Promar International também realizou um estudo em 2008, financiado pela União dos Produtores de Ovos (UEP), mostrando que o custo de produção aumentariam em aproximadamente 75% quando comparados sistemas tradicionais e sistemas “alternativos”.

Neste momento, o preço de ovos na Califórnia é significante mais alto que no resto nos Estados Unidos. No sudoeste da Califórnia os preços de ovos nos supermercados podem ser até mesmo o dobro dos mesmos encontrados em Nova Yorque, como apontado por Tim Hearden em 21 de Janeiro de 2015 na edição do “Capital Press (Ag Website)”. Neste atrtigo, Dave Heylen, por parte da “Associação Californiana de Supermercados” atribui o aumento de preço à alta demanda, incremento das exportações e o severo inverno com baixas temperaturas no meio oeste americano. De fato, nenhum destes argumentos tem sustentação, segundo Dr. Simon Shane. Basicamente o que ocorre no momento é de fato um desequilíbrio entre oferta e demanda do produto.

Apesar dos estudos feitos em 2008 mostrando significativo aumento nos custos de produção; desde a implementação das instalções de gaiolas enriquecidas por parte da empresa J.S. West, que segundo eles estaria em concordância com as vagas definições da “Porposição 2”, o diferencial de custo comparados aos sistemas tradicionais estariam na ordem de 12 centavos de dólar por dúzia de ovos, ou seja, 18 a 20% de custo adicional.

A Califórnia é o estado americano mais populoso e mais rico, e o consumo de ovos é bastante elevado, principalmente pelo fato de contar com aproximadamente 12.000.000 de “hispano-americanos”, representando mais de 30% da população do estado. Quanto aos aspectos políticos e econômicos, a Califórnia é extremamente influente. Apenas como referência, se a Califórnia fosse um país independente, este estaria entre as 10 maiores economias do mundo.

Apesar de toda força política e econômica da Califórnia, a produção de ovos nos Estados Unidos está concentrada no meio oeste americano (e Pensilvânia), principalmente na produção de ovos processados. Veja a seguir a distribuição da produção por estados.

Outra característica importante no mercado de ovos americano é o fato de que um terço da produção e consumo de ovos nos Estados Unidos é feita através de ovos processados, sendo que esta tendência ainda se mantém crescente nos últimos anos e segundo especialistas do mercado, ovos processados deverá atingir 40% do total de ovos produzidos nos EUA no ano 2025.

Para o futuro da avicultura nos EUA, não há dúvida que as questões relacionadas ao bem-estar animal estará entre as prioridades do setor, juntamente com os aspectos de segurança alimentar, sustentabilidade ambiental e biosegurança no setor produtivo. Outros estados americanos já passaram iniciativas no sentido de proteção e bem-estar animal, tais como Ohio, Michigan, Arizona, Colorado e Flórida. Outros estados como Washington, Oregon, Connecticut, Nebraska e Massachusetts são alvos das organizações de proteção animal e no futuro breve deverão estar implementando medidas de controle do setor produtivo relativo ao bem-estar animal.

Não há como negar ou desconsiderar a força destes movimentos e a crescente importância dos tópicos relacionados ao bem-estar animal, principalmente nos “países desenvolvidos”. O setor de produção de ovos, não apenas nos EUA e Europa, mas em todo o mundo, inclusive no Brasil, precisa estar atento e preparado para esta situação, pois será inevitável que as questões voltadas ao bem-estar animal estarão fazendo parte das prioridades do setor avícola em maiores proporções num futuro próximo.

 
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