Controle microbiológico rações para aves

A importância do controle microbiológico em rações para aves

Publicado o:
Autor/s. :

INTRODUÇÃO

Hoje em dia é indiscutível a necessidade do controle da presença de microrganismos nas rações de aves, devido principalmente às mudanças recentes nas questões de regulamentações de segurança dos alimentos e o aumento das exigências dos consumidores. Também, a presença desses microrganismos em rações de aves deve ser considerada no que diz respeito à biosegurança dos próprios lotes e o desempenho dos animais (Richardson e Longo, 2008). Estatística publicada em 2009 pelo FDA (Food and Drug Administration – EUA) destaca cerca de 82 milhões de casos de intoxicação alimentar, que levaram a 350 mil internações hospitalares e quase 8 mil mortes, sendo identificados quase 800 tipos diferentes de produtos alimentares como causadores, destacando-se principalmente os derivados da carne de frango.

Vargas (2005) apresentou que, dos tipos e incidência de doenças alimentares em humanos, quase 66% são provocadas por microrganismos como as bactérias. Na União Européia, durante o ano de 2007 foram registrados mais de 155 mil casos de salmonelose, sendo que um grande número de casos pode não ter sido registrado. Sem dúvida, os alimentos são considerados os principais vetores de salmoneloses para humanos, destacando-se os alimentos de origem animal (European Food Safety Authority, 2009). Dentre as diferentes vias de contaminação, uma delas seria nos animais quando alimentados com rações contaminadas por bactérias. Esta infecção pode causar doenças clínicas, prejuízos no desempenho dos animais através dos efeitos subclínicos e também torná-los vetores assintomáticos da contaminação para o homem.

Têm sido destacadas na literatura comprovações da relação entre a presença de microrganismos na ração e consequentemente nos animais, como em frangos de corte (Boyer et al, 1962; Shapcot, 1985; Wierup et al, 1988; Davies et al 2001), perus (Zecha et al, 1977; Primm, 1998; Nayak et al, 2003), suínos (Newell et al, 1959; Kranker et al, 2001; Davies et al, 2004; Osterberg et al, 2006) e também bovinos (Glickman et al, 1959; Jones et al, 1982; Davis et al, 2003). Existe uma relação de altos níveis de contaminação por bactérias em rações com perdas de produtividade em aves (Tabib et al, 1981); e o próprio reconhecimento da ração de aves como um vetor de bactérias como a Salmonella para os alimentos (Corry et al, 2002; Shirota et al, 2001 e 2002; Bastianelli e Le Bas, 2002; Bucher et al, 2007).

OS MICRORGANISMOS EM INGREDIENTES E RAÇÕES

Os ingredientes de rações dos animais apresentam frequentemente a contaminação por Salmonella (Kidd et al, 2002; Jones e Richardson, 2004; Dargatz et al, 2005; Veterinary Laboratories Agency, 2006). A principal fonte de contaminação de ingredientes, assim como grãos e sementes oleaginosas, é o pó que vem do próprio solo através do vento, da chuva e da retirada mecânica. Os insetos, roedores e aves selvagens também podem contaminar grãos após a colheita, durante o transporte e no armazenamento (Fleurat-Lessard 1988; Multon 1988; Poisson e Cahagnier, 1988; Maciorowoski et al, 2004). Ou seja, os ingredientes vegetais e cereais podem entrar em contato direto com desafios ambientais com contaminações durante o plantio, colheita, armazenagem e no próprio transporte. No caso dos ingredientes de origem animal, a própria matéria-prima apresenta risco alto de contaminação (Nesse et al, 2003; Oyarzabal, 2007), além das condições ideais que favorecem o desenvolvimento dos microrganismos que estão relacionados ao processamento inadequado dessa matéria-prima (i.e. tempo e temperatura de cozimento); e também a contaminação ambiental na planta de processamento que passa a ser uma via de recontaminação do produto final. Um monitoramento realizado pela indústria de produção de rações da União Européia verificou que as farinhas de origem animal estão contaminadas por Salmonella, sendo que em 2005 foram observados 14,9% de positividade, entretanto, em 2006 houve uma redução para 8,3% (Anon, 2007).

Na Tabela 1 é possível observar que de maneira geral os principais ingredientes (origem vegetal ou animal) apresentam risco de presença da contaminação por Salmonella sp.

TABELA 1. Estatística da contaminação (presença) por Salmonella de amostras de ingredientes coletadas na União Européia.

Na Espanha, Prió et al (2001) realizaram um estudo sobre o nível de contaminação por Salmonella sp e Clostridium perfringens nos principais ingredientes disponíveis para nutrição animal e foi identificado que essa contaminação está presente nos diferentes ingredientes e de forma bastante variada (Tabela 2).

TABELA 2. Incidência (%) de contaminação de diferentes ingredientes presentes na Espanha.

Considerando um levantamento de 2049 amostras analisadas, Richardson (2008) destacou que a bactéria Clostridium perfringens também pode ser isolada em diversos ingredientes utilizados na alimentação de aves e suínos (Tabela 3). Os níveis de contaminação dessas amostras variaram entre 10 UFC/g até 2000 UFC/g.

TABELA 3. Incidência de Clostridium perfringens em ingredientes utilizados em rações.

As fontes de proteína de origem vegetal que são processadas em plantas de produção de óleo (i.e. farelo de soja, farelo de canola, etc) são particularmente mais propensas à contaminação por Salmonella (Morita et al, 2003; European Food Safety Authority, 2006a). Em levantamento sobre a contaminação por Salmonella realizado no ano de 2004 em uma planta de processamento e armazenagem de farelo de soja localizada na América do Sul, foram coletadas 3120 amostras do farelo de soja durante a expedição, as quais foram agrupadas em 60 amostras compostas para análises laboratoriais, sendo identificado positividades para essa contaminação em cerca de 38% das amostras. Neste mesmo levantamento foi observado que a poeira ambiental era a maior fonte de contaminação do ingrediente, pois de 100 amostras coletadas, que foram agrupadas e analisadas em 10 amostras compostas, identificou-se 50% de presença de Salmonella sp. Wierup (2006) confirmou os resultados desse levantamento quando apresentou que na Suécia, durante os anos de 2004 e 2005, foram identificados 14,6% de positividade para Salmonella sp no farelo de soja importado, e que se fosse isolado somente o farelo de soja proveniente da América Latina esse número podia ser multiplicado por dois.

A umidade é também considerada um dos mais importantes fatores para a multiplicação microbiana. Tem sido observado que grãos de cereais e rações com alta umidade apresentam um nível maior do que o normal de bactérias e fungos (Tabib et al, 1981; Richardson, 2000). Durante o armazenamento, o nível de umidade, a porcentagem de grãos quebrados e a porcentagem de finos são consideradas os fatores mais importantes no controle do crescimento de microrganismos. Nos grãos de milho existe uma correlação entre o nível de fungos e o nível de bactérias (Tabela 4), o que tem sido observado também em outros tipos de grãos de cereais, bem como em farelos de sementes de oleaginosas, porém essa correlação não é observada em farinhas de origem animal.

TABELA 4. Relação entre o nível de contaminação por fungos e bactérias no milho.

Como principal fonte de contaminação das rações pode ser considerada os próprios ingredientes, sendo que em grãos e sementes de oleaginosas além de poder ser encontrada uma grande variedade desses microrganismos, os quais são extremamente resistentes a condições de baixa umidade e podem sobreviver por um longo período de tempo, os níveis que têm sido observados na literatura dessas contaminações variam de 5 x 103 até 1,6 x 108 UFC/g (Richard-Molard, 1988; Multon, 1988). Quando os ingredientes não estão contaminados, a poeira presente na fábrica parece ser a principal fonte de contaminação por Salmonella da ração.

A incidência de contaminação em amostras de poeira em fábricas de ração tem sido observada em torno de 10 a 50% (Nape, 1968; Van Schothorst e Oosteram, 1984; Jones et al, 1991). As partículas de poeira apresentam uma grande relação entre a superfície de contato e o peso e são mais capazes de absorver umidade do ar ambiente do que a própria ração ou os ingredientes (Jones e Wineland, 1994). Essas partículas de pó com alta umidade dão condições para o crescimento de fungos e bactérias, como a Salmonella.

Um outro vetor de contaminação para dentro das fábricas de rações que não pode ser esquecidos são os próprios operadores de fábrica, e por isso, destaca-se a necessidade de capacitação e conscientização dos mesmos para o sucesso da redução dos desafios e do controle microbiológico. As estratégias de se evitar a introdução da contaminação na fábrica se justificam, pois a partir da introdução de microrganismos como a Salmonella, essa contaminação segue quatro passos: a introdução, a adaptação/distribuição, a multiplicação e finalmente a disseminação. Esse processo de contaminação pode levar até 12 meses para completar o ciclo, e esse tempo é dependente das condições que são encontradas na fábrica, assim como nutrientes, umidade, temperatura, etc (Best, 2007).

O fato agravante da introdução da Salmonella em silos, equipamentos e nas linhas de processamento de fábricas de ração é a capacidade dessa bactéria de formar biofilmes, que a protege contra ações desinfetantes e favorece seu desenvolvimento e permanência no interior do sistema de produção (Vestby, 2010) A contaminação por Salmonella é frequentemente encontrada em rações, inclusive rações que foram processadas por peletização (Cox et al, 1983; Veldman et al, 1995). Dados publicados pelo European Food Safety Authority (2006a) demonstram que a contaminação por Salmonella de rações para aves em alguns países da comunidade européia pode chegar em torno de 6%, porém a maioria dos países apresentam incidência na faixa de 0 a 1,5%. Na Espanha foi realizado um estudo sobre a incidência de Salmonella em rações durante o ano de 2007.

Um total de 700 fábricas foram visitadas e 2100 amostras de rações analisadas. De resultados preliminares que foram publicados, das 308 fábricas analisadas apresentaram a incidência de 3,5% para Salmonella sp nas rações (Sobrino, 2008). Na Tabela 5 são apresentados os resultados de um levantamento de literatura, os quais demonstram que tanto rações fareladas quanto peletizadas para aves não estão seguras quanto à ausência de contaminações por bactérias, seja por Salmonella ou outro tipo de microrganismos como a Escherichia coli ou Listeria.

TABELA 5. Incidência (%) de bactérias em rações.

Um dos fatores mais importantes a serem considerados dentro de um sistema de produção de rações e na logística de entrega dessa ração no comedouro da granja até o animal é a área em que se encontra o risco da presença de microrganismos, além das condições que são dadas para esses microrganismos sobreviverem e até se multiplicarem, consequentemente expondo a ração ao risco da contaminação. A prevalência de Salmonella no ambiente de fábricas de rações tem sido destacada frequentemente em áreas antes do processamento térmico (peletização), bem como também após o processamento térmico. Uma alta incidência é verificada em amostras de poeira ambiental na área da fábrica após o tratamento térmico, nos caminhões de expedição das rações e dentro do sistema de resfriamento das rações peletizadas (Davies e Wray, 1997; White et al, 2003).

Em estudos realizados por Richardson (2006), verificou-se que, além da presença de diferentes microrganismos nas rações em diferentes fábricas, sempre o nível de contaminação de amostras de rações coletadas no silo da granja (nível de contaminação que o animal está recebendo) é maior que o nível de contaminação de amostras de rações coletadas na expedição da fábrica (Tabela 6). Esse perfil de resultado demonstra que diferentes estratégias para controle da contaminação microbiológica devem ser estabelecidas também, além dos horizontes da fábrica para se garantir que o alimento destinado ao animal esteja seguro.

TABELA 6. Contaminação microbiológica de rações em quatro diferentes fábricas de rações avaliadas durante a expedição e no silo da granja.

O CONTROLE DE MICRORGANISMOS NA RAÇÃO As principais estratégias para a redução e eliminação da Salmonella em rações são baseadas no monitoramento e controle da contaminação dos ingredientes, controle e monitoramento de processos, através de ferramentas de BPF e HACCP, tratamento térmico durante a produção de rações e o tratamento químico aplicados em um ou mais estágios da produção e armazenagem. As diferentes estratégias são sempre complementares, ou seja, nenhuma ferramenta isoladamente é 100% eficiente, além de virem associadas a custos e algumas limitações técnicas (Wales et al, 2010). Os princípios básicos propostos pelas Boas Práticas de Fabricação (BPF) são considerados como um ponto de partida do controle microbiológico, visando a redução dos riscos de contaminação microbiológica, potencializando o resultado de outros métodos para controle dos pontos críticos, seja por calor ou tratamento químico. O tratamento térmico, como a peletização, expansão e extrusão, tem sido apresentado na literatura como ferramenta para reduzir a incidência de fungos e bactérias em rações, incluindo a Salmonella (Tabib et al,1984; Stott et al, 1975; Veldman et al, 1995; Best, 2007; EFSA, 2008). Os trabalhos sobre os efeitos das condições do processo de peletização na redução da contaminação microbiana têm dado ênfase na eliminação da Salmonella e outras enterobactérias da ração (Riemann, 1996; Veldman et al, 1995; Tabela 7 e Tabela 8).

A eficiência de peletização em reduzir a contaminação por Salmonella tem sido apresentada como dependente do tempo, temperatura e a umidade da ração. Obter e manter uma condição ideal para o processo de peletização na fábrica de ração é sempre muito difícil, devido a flutuações principalmente na qualidade do vapor, diferenças na formulação de ração e as diferenças dos níveis de umidade dos ingredientes. Com isso, a peletização não deve ser considerada como um método absoluto para controle da contaminação por microrganismos na ração.

TABELA 7. Efeito da temperatura de peletização no nível de contaminação por Enterobactérias em rações peletizadas.

TABELA 8. Efeito do tempo, temperatura e umidade na peletização sobre a eliminação de Salmonella enteritidis na ração.

De maneira geral, os processos de peletização observados em diferentes fábricas de rações envolvem temperaturas entre 70 a 90OC, com os quais se espera uma redução mínima de 99% de bactérias totais (2 log). Alguns pesquisadores relatam que a temperatura de 80OC no condicionador é quase sempre suficiente para eliminar a Salmonella das rações (Blankenship et al, 1984). Entretanto, essa eficiência na peletização é muito dependente do nível de contaminação bacteriana (desafio) dos ingredientes da ração (EFSA, 2008).

O processo de irradiação foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos em 1996 como um método para eliminar a contaminação por Salmonella em rações. Esse processo tem apresentado resultados de 100% de efetividade na eliminação de bactérias na ração, entretanto, o custo de irradiação (US$ 68,50/ton de ração; Houston et al, 1992) o torna proibitivo para uso na cadeia de produção de rações até o momento.

A irradiação pode ser utilizada para tratamento de rações especiais, assim como rações para aves SPF (Mossel et al, 1967). Apesar dos tratamentos por calor e a irradiação reduzirem a incidência de bactérias e fungos nas rações, essas práticas de processamento não apresentam nenhuma proteção residual que poderia prevenir de uma recontaminação subseqüente. O risco de recontaminação por bactérias em rações em diferentes locais de amostragem em uma fábrica tem sido apresentado na literatura (Jones e Richardson; 2004; Shrimpton, 1989) (Tabela 9).

TABELA 9. Incidência de Salmonella em diferentes pontos de amostragem na fábrica de ração.

Prió et al (2001) estudou a relação existente entre a contaminação presente em ingredientes por Salmonella e Clostridium e a presença desses microrganismos na ração final, tanto na forma farelada ou peletizada. No caso da Salmonella, observou-se uma correlação positiva significativa entre a presença nos ingredientes e a ração farelada. Entretanto, para as rações peletizadas nenhuma correlação foi observada. Apesar de estudos apresentarem alguns serovares de Salmonella termo-tolerantes, parece que a contaminação encontrada nas rações peletizadas foi resultado da recontaminação em fases posteriores ao tratamento térmico.

Com relação ao Clostridium não foi observada nenhuma correlação entre a incidência de contaminação nos ingredientes com a contaminação na ração, tanto em rações fareladas quanto peletizadas. Ou seja, a contaminação por Clostridium pode estar difundida em muitos materiais devido a sua característica de termo-resistência e habilidade de formar esporos. As fábricas que não possuem estrutura e condições para processar por peletização as rações, ou são restritas a alimentar os animais com rações fareladas em função de desempenho/estratégia, ficam limitadas no que se diz respeito a métodos de controle do nível de contaminação nas rações. Se os ingredientes adquiridos apresentarem contaminação por bactérias, a única opção para eliminar esses contaminantes seria então a utilização de produtos químicos ou a irradiação. Inúmeros compostos químicos são citados na literatura para o controle da contaminação por Salmonella e outros microrganismos indesejáveis, desde ácido acético, ácido propiônico e seus sais (Ha et al, 1998), ácido cítrico, etanol, formaldeído, ácido fórmico, álcool, acetato de zinco e propionato de zinco (Martin e Maris, 2005; Ricke, 2005).

A eficiência desses compostos é muito variável (Skrivanova et al, 2006). Os aditivos bactericidas devem ser estáveis até o momento de consumo pelo animal, mas devem ser metabolizados ou não absorvidos evitando resíduos em carne e ovos dos animais que receberam o tratamento (EFSA, 2008). Os produtos químicos, como os ácidos orgânicos ou ácidos orgânicos tamponados têm sido utilizados por muitas décadas como inibidor de fungos. As pesquisas indicam que muitos desses compostos apresentam também uma atividade bactericida (Westerfield et al, 1970; Duncan and Adams, 1972; Mansfield e Emmans, 1984; Hinton et al, 1985; Vanderwal, 1979). Uma comparação de efetividade de ácidos foi publicada por Vanderwal (1979; Tabela 10), sendo que foi observado que a eficiência desses ácidos orgânicos para controlar a contaminação por enterobactérias nas rações é dependente da dose aplicada e do tempo de exposição ao produto. Zaldivar (1990) e Kaiser (1992) conduziram pesquisas semelhantes com produtos comerciais anti-salmonela e verificaram também que a eficiência desses produtos está relacionada com a dose e o tempo de exposição (Tabela 11).

TABELA 10. Níveis de ácidos orgânicos necessários para reduzir a contaminação por Enterobactérias nas rações.

TABELA 11. Nível de aplicação e tempo necessário para produtos comerciais eliminarem a contaminação por Salmonella em farinhas de peixes.

Em função da necessidade de se ter uma opção de tratamento para controle da recontaminação das rações até o momento do consumo pelo animal, alguns trabalhos foram desenvolvidos a fim de avaliar a eficiência do ácido propiônico e suas misturas principalmente sobre o controle de Salmonella. Zaldivar (1990) demonstrou em seu trabalho que o nível necessário de ácido propiônico (ou misturas de ácidos) para prevenir a recontaminação de farinha de peixe por Salmonella senftenberg (<1000 UFC/g) é maior do que 10 Kg/t. Inclusões inferiores a 10 Kg/t de ácidos orgânicos nas rações parecem oferecer certa proteção contra uma contaminação natural de Salmonella quando dosados antes do desafio. Entretanto, o nível de contaminação dos ingredientes e rações varia muito e podem superar o potencial de proteção do produto, além disso, existem evidencias que os serovares, a própria formulação das rações e o modo de contaminação da ração terão muita influência no resultado de proteção. O que se pode observar é que o efeito antimicrobiano dos ácidos orgânicos são potencializados em ambientes com maior umidade e baixos pH (<5), assim como o papo e estomago de monogástricos (Wales et al, 2010).

Diversos grupos de pesquisa e empresas têm se dedicado ao desenvolvimento de produtos a base de misturas de ácidos orgânicos e seus sais com outros produtos, em busca de um efeito sinérgico e maior eficiência em menores níveis de inclusão. A combinação de ácidos orgânicos com óleos essenciais busca um sinergismo, no qual o modo de ação ainda não é totalmente conhecido, porém, Feng Zhu et al (2007) citado por van Dijk (2010), destaca que esse efeito pode estar relacionado ao fato dos ácidos orgânicos potencializarem a capacidade dos óleos essenciais penetrarem na célula através da parede celular, devido a conversão dos componentes ativos da forma dissociada para a forma molecular dos óleos. Com a parede celular danificada os ácidos orgânicos podem penetrar na bactéria e prejudicar a mesma. Kaiser (1992) conduziu estudos com produtos à base da mistura de formaldeído e ácido propiônico e verificou que a dose efetiva para prevenir a recontaminação de farinha de peixe por Salmonella senftenberg foi de apenas 2 Kg/t.

Estudos científicos têm demonstrado que o formaldeído apresenta um alto nível de atividade desinfetante contra a maioria das bactérias e é considerado o composto mais eficiente para ser utilizado em estratégias de desinfecção de granjas que foram contaminadas por Salmonella (Davies e Wray, 1995). Vários estudos têm comprovado a eficiência maior do formaldeído para descontaminação de rações quando comparados a produtos com base de ácidos. (Moustafa et al, 2002). Algumas opções de produtos comerciais contêm misturas de formaldeído, ácido propiônico e outros agentes dispersantes. Esse tipo de combinação tem apresentado resultados muito satisfatórios para descontaminação de rações que foram inoculadas artificialmente com Salmonella, quando comparados com outros tipos de produtos químicos (Carrique-Mas et al, 2007). Uma das limitações dos produtos a base de formaldeído é a característica de esse elemento químico ser volátil e poder ser perdido por evaporação após a aplicação na ração (Khan et al, 2003). Por isso, alguns produtos com formaldeído também contém ácidos (ácido propiônico) e outros compostos antimicrobianos como os terpenos (Carrique-Mas et al, 2007). Esse tipo de combinação tem efeito sinérgico e permite que baixas doses de formaldeído e ácidos sejam aplicados, o que minimiza problemas de fumigação no ar ambiente, os riscos de intoxicação do operador e a corrosão dos equipamentos. Podendo ser aplicado diretamente nos equipamentos das fábricas de ração, o que não se pode dizer o mesmo de misturas apenas de ácidos que necessitam de equipamentos especiais (que não sofrem corrosão) e procedimentos especiais de segurança (EFSA, 2008). Em um ensaio laboratorial, Richardson (2008) observou que a utilização de 2 kg/t de um produto comercial a base de formaldeído e ácido propiônico foi eficiente na redução da contaminação por células vegetativas de Clostridium sp em rações fareladas (Tabela 12). Os níveis avaliados dessa combinação reduziram, mas não foram suficientes para eliminar a contaminação em sua forma esporulada.

TABELA 12. Efeito do tratamento de rações fareladas com a combinação formaldeído: ácido propiônico sobre a contaminação por Clostridium sp.

Considerando amostras coletadas em condições de campo, verificou-se que níveis menores que 3 kg/t são suficientes para eliminar a contaminação por Clostridium sp quando são consideradas rações que também receberam o processo de peletização (Richardson, 2008; Tabela 13).

TABELA 13. Efeito do tratamento com a combinação formaldeído: ácido propiônico sobre a contaminação por Clostridium sp em rações peletizadas coletadas sob condições de campo.

A forma de apresentação do tipo de produto químico utilizado também tem influência sobre a eficiência antimicrobiana. Alguns estudos comerciais foram realizados e indicaram que a forma líquida pode ser mais eficiente ou mais potente que a forma em pó com a mesma formulação dos elementos químicos, sugerindo que a dispersão e a penetração dos compostos são fatores importantes a serem considerados. A forma (pó ou líquido), bem como o local de aplicação (nos ingredientes, antes da moagem, após moagem, misturador ou pós peletização) irão interferir claramente no efeito do tratamento químico (Wales et al, 2010).

O IMPACTO DO CONTROLE DA CONTAMINAÇÃO DA RAÇÃO SOB A SEGURANÇA DOS ALIMENTOS

Apesar da importância do controle de todos os microrganismos, assim como parasitas, vírus ou a contaminação por fungos e as micotoxinas, a comissão Européia que conduz os trabalhos de avaliação e métodos de controle de riscos biológicos (Panel on Biological Hazards) identificou a bactéria Salmonella sp como o principal risco microbiológico para contaminação de alimentos via ração animal. Outras bactérias como Listeria monocytogenes, Escherichia coli e Clostridium sp são também considerados riscos menos importantes no que se diz respeito à contaminação via cadeia de produção de rações (EFSA, 2008). A ração tem sido considerada como fonte de contaminação de Salmonella desde 1948 (Ellis, 1958).

Trabalhos mais recentes têm demonstrado que o impacto da contaminação por Salmonella nas rações e a contaminação das carcaças de animais e ovos tem sido subestimada. Na Europa, Davies et al (2001) conduziu um estudo de dois anos do levantamento da contaminação por Salmonella dentro de duas empresas produtoras de frangos de corte. Foram monitoradas amostras de ambiente desde a fábrica de ração, incubatório, granjas até no abatedouro para verificar a contaminação por Salmonella e os sorotipos das amostras isoladas (Corry et al, 2002). Foi observado que 55,4% das amostras isoladas com Salmonella no abatedouro das aves foram idênticas aos isolados obtidos na fábrica de ração. Em um estudo semelhante conduzido com poedeiras comerciais (Shirota et al, 2001a e 2001b), verificou-se que 58,5% dos sorotipos isolados em ovos comerciais foram idênticos aos isolados observados na ração. A primeira evidência de que o controle de Salmonella em rações tem impacto sobre a produção animal foi confirmada em trabalho com poedeiras (Anderson e Richardson, 1999). Nesse trabalho, as poedeiras foram alimentadas com ração farelada tratada com 0 ou 3 kg/t de uma combinação de formaldeído e ácido propiônico durante o período de 17 a 52 semanas de idade. Durante esse período de experimento, a produtividade e a contaminação da casca do ovo foram monitoradas, sendo observado que reduzindo a contaminação por Salmonella na ração reduziu-se a incidência de Salmonella e outras bactérias gram-negativas também na casca do ovo (Tabela 14).

TABELA 14. Efeito do tratamento da ração com mistura de formaldeído e ácido propiônico sob a contaminação da casca do ovo.

Um estudo epidemiológico foi conduzido por Nayak et al (2003) para identificar quais eram as potenciais fontes de contaminação por Salmonella em perus para corte. Durante esses trabalhos (quatro experimentos consecutivos), os peruzinhos negativos para Salmonella foram alojados em boxes dentro de uma instalação (recente construção) até a idade de abate. Sob determinado intervalo de tempo, foram coletadas amostras do conteúdo do ceco dos perus, de rações, da cama, da água de bebida, do ar, além de amostras de ambiente, sendo todas analisadas para Salmonella (Tabela 15).

TABELA 15. Freqüência de contaminação por Salmonella sp em diferentes lotes de perus de corte.

No primeiro experimento (Lote A), o percentual de perus contaminados com Salmonella foi de 30,5%, medido em amostras do conteúdo do ceco. Nos experimentos 2 e 4 (Lotes B e C) o percentual de aves contaminadas foi de 2,9% e 0%, respectivamente. A principal diferença entre os lotes A e os lotes B e C foi o tratamento da ração fornecida com produto a base de formaldeído e ácido propiônico. No experimento 3 (ração tratada; não apresentado na tabela 14), não foram isoladas amostras com Salmonella da ração, água, ambiente ou das aves. Esses resultados demonstram que a ração tem um grande impacto sob a contaminação de perus por Salmonella, a qual por sua vez influencia a taxa de contaminação das carcaças no abate.

IMPACTO DO CONTROLE DE MICRORGANISMOS NA RAÇÃO SOB A BIOSEGURIDADE DO LOTE

A indústria de criação de matrizes avícolas tem demonstrado que o controle da contaminação por Salmonella em rações tem um grande impacto na incidência dessa bactéria nas aves (Baxter-Jones, 1996; Jensen e Rosales, 2002; Primm, 1999). Através do controle da presença de Salmonella nas rações é verificado um efeito positivo na redução da incidência de Salmonella nos animais e no próprio ambiente. Em experimentos de campo conduzidos com matrizes de perus de corte (Primm, 1999), um programa de HACCP foi elaborado para reduzir a transmissão via contaminação do incubatório e as vias de contaminação. Esse tipo de controle foi eficiente na redução da prevalência de Salmonella de cerca de 40% para menos de 20% em um período de aproximadamente um ano. Após a adoção do tratamento químico das rações de matrizes nesse programa de HACCP foi observada uma redução ainda maior na prevalência dessa bactéria nas granjas dessas matrizes (Figura 1).

FIGURA 1. Prevalência de Salmonella em granjas de matrizes antes e após a implementação do HACCP e tratamento químico na fábrica de rações (Primm, 1999).

Reduzindo a incidência de Salmonella na ração que será enviada para a granja será observado também um efeito positivo sobre a contaminação ambiental. Em um estudo de campo conduzido no núcleo de matrizes de frangos de corte de uma integração, foi observado que a ração era a principal fonte de introdução da Salmonella para as granjas (Williams, 2000). Um programa de HACCP foi elaborado para a fábrica de ração, no qual envolvia melhorias nos procedimentos de higiene e tratamento químico da ração para controle de Salmonella, sendo que a incidência de Salmonella na ração, os “swabs” de cloaca e amostras da cama foram monitorados por um período de cinco anos. Durante o primeiro ano do estudo foi observada uma redução da excreção de Salmonella pelas matrizes para o ambiente, o que resultou em grande redução da contaminação nas amostras de cama (incidência reduziu de 93,7% para 29,4%; Tabela 16). Uma redução gradual na incidência da Salmonella na cama ainda foi observada durante o segundo e terceiro ano do estudo, sendo que a partir do quarto ano não foi mais isolado amostras positivas na cama dos aviários do núcleo estudado.

TABELA 16. Redução de Salmonella no ambiente de granjas de matrizes

Em um estudo realizado por dois anos (2007 a 2009) dentro de uma fábrica de ração no Brasil, todas as rações fareladas de frangos de corte receberam o tratamento com a mistura formaldeído : ácido propiônico (1,5 kg/t). Dentre 677 amostras compostas de ração coletadas diariamente, observou-se zero amostras positivas para Salmonella e 16,7% (113) de incidência de Enterobactérias Totais acima de 1000 UFC/g. Os resultados acima do padrão para Enterobactérias Totais em rações fareladas serviram como base de um procedimento de rastreabilidade que indicou uma relação direta com o nível de contaminação dos ingredientes e comprovou a segurança desse tipo de tratamento para o controle de Salmonella. Vale a pena destacar que antes do início desse tipo de tratamento era comum observar rações de frangos de corte positivas para Salmonella.

O IMPACTO DO CONTROLE DE MICRORGANISMOS NA RAÇÃO SOBRE O DESEMPENHO DE FRANGOS DE CORTE

O impacto da contaminação por microrganismos na ração de frangos se torna economicamente importante quando se observa o desempenho das aves. O que pode ainda não ter sido percebido por todos os nutricionistas é que as bactérias na ração também podem causar um efeito negativo no desempenho animal, principalmente através da produção de compostos tóxicos (endotoxinas ou exotoxinas), os quais afetam a integridade do epitélio intestinal; das bactérias penetrando no epitélio do trato gastrintestinal e infectando órgãos internos (bactérias evasivas) ou pela competição com a microbiota normal do trato (Solomon et al, 1991). As bactérias na ração podem ser classificadas como patogênicas e não patogênicas. As patogênicas são bactérias que produzem sintomas clínicos ou doenças (Tabela 17), e as não patogênicas normalmente são as que não provocam sintomas clínicos, mas podem afetar o animal por: 1) competição com a microbiota normal, 2) inibição da absorção de nutrientes devido à ligação a pontos nas microvilosidades intestinais (reduzindo a área de superfície de absorção de nutrientes), 3) induzindo a uma resposta imunológica e 4) convertendo aminoácidos em aminas biogênicas.

TABELA 17. Bactérias patogênicas encontradas em rações e seus efeitos nas aves.

Nas aves, esse quadro pode resultar em diversos efeitos sobre o desempenho, incluindo enterites, problemas no trânsito do alimento, redução na taxa de crescimento, piora na uniformidade do lote, problemas de pigmentação, aumento na mortalidade, prejuízo na produção de ovos e aumento na susceptibilidade para infecções por coccidiose e vírus (VanHarn et al, 2000; Doerr e Richardson, dados não publicados; Anderson e Richardson, 1999; Sheldon e Richardson, 2001; Mo e Na, 1997, Williams et al, 2001). Em um experimento conduzido por VanHarn et al (2000), frangos de corte que foram alimentados com ração com menores níveis de contaminação por bactérias apresentaram menor índice de mortalidade (4,2% x 7,7%), mas não apresentaram diferenças na conversão alimentar e ganho de peso vivo. Em trabalhos mais recentes também com frangos, Richardson e Doerr (dados não publicados) observaram que controlando a contaminação microbiológica da ração a conversão alimentar era melhorada (1,63 x 1,69), a mortalidade reduzida (2,56% x 5,45%) e aumentada a resposta imunológica das aves a vacina IBD. O efeito sobre a resposta vacinal foi um aumento na concentração de anticorpos e uma resposta mais uniforme dentro do lote. Em experimentos realizados sob condições comerciais com frangos de corte, a redução da contaminação da ração promoveu benefícios semelhantes no desempenho das aves (Richardson e Longo, 2008; Tabela 18).

TABELA 18. Resumo de testes em condições comerciais avaliando o efeito do tratamento químico de rações sobre o desempenho de frangos.

Em trabalhos realizados com poedeiras, as frangas que foram alimentadas com rações com menores níveis de contaminação apresentaram melhora de 0,04 a 0,06 na conversão alimentar (Anderson et al, 2001). Entretanto, não foram observadas diferenças no ganho de peso vivo ou mortalidade. Já durante a fase de produção de ovos, as aves que consumiram ração farelada tratada quimicamente (com menor nível de contaminação microbiológica) produziram em média 4 ovos a mais (274 x 270) durante o período de 52 semanas de experimento. Em outro trabalho foi observada uma melhora no tamanho e qualidade do ovo, entretanto não foi observado diferenças na conversão alimentar ou mortalidade (Anderson e Richardson, 1999). Em pesquisa mais recente, comparando-se 12 diferentes linhagens de poedeiras comerciais, verificou-se que poedeiras de ovos marrons apresentaram uma melhor conversão alimentar em relação a poedeiras de ovos brancos quando alimentadas com rações peletizadas e tratadas quimicamente, ou seja, com níveis mais baixos de contaminação (Anderson et al, 2001). Em matrizes, Mo e Na (1997) avaliaram o feito da qualidade microbiológica da ração na mortalidade de aves de lotes que receberam diferentes rações durante 15 semanas, sendo que o grupo de aves que recebeu ração “limpa” apresentou melhor índice que o grupo com a ração controle (2,57% x 5,47%). Resultados semelhantes também foram observados por Williams (2000), sendo que em núcleos de matrizes que estavam com um histórico de alta mortalidade, essa redução na contaminação por bactérias da ração através do tratamento químico melhorou esse índice para os machos (redução de 40,44% para 29,50%) e fêmeas (mortalidade reduzida de 23,7% para 13,7%) as 59 semanas de idade. Foi observado também um aumento no número de ovos por ave e na eclosão de ovos férteis nas matrizes que receberam ração “limpa”.

CONCLUSÕES

O controle da qualidade microbiológica das rações para a cadeia de produção de aves esta se tornando cada vez mais importante devido às exigências do mercado quanto à segurança dos alimentos, bem como o aumento na importância da redução de desafios as aves em função da restrição a utilização de antibióticos promotores de crescimento. Existem várias áreas no processo de elaboração e armazenagem de rações que podem afetar o nível de contaminação da ração, sendo que o primeiro passo para a melhora da qualidade microbiológica é a definição de valores limites para cada tipo de contaminante. Com esses valores estabelecidos será possível aos produtores e empresas monitorarem as adaptações no processo de elaboração das rações e avaliarem as novas tecnologias disponíveis para auxiliar no controle microbiológico. A associação das ferramentas disponíveis para redução dos desafios (BPF, tratamento térmico, tratamento químico, etc) é a melhor estratégia para o sucesso no controle microbiológico nas fábricas de rações. Cabe aos responsáveis das empresas definirem através de avaliações qual o melhor esquema e produtos a serem adotados no processo de produção de ração. É importante destacar que, quando o principal vetor da contaminação ao animal é a ração, normalmente as estratégias adotadas para redução da contaminação microbiológica na fábrica de ração e consequentemente na ração, promovem uma redução da contaminação por toda a cadeia, inclusive no produto final. Entretanto, se outros vetores de contaminação nas diversas etapas do processo produtivo (granja, transporte, abatedouros, etc) não estiverem sendo bem monitorados, todo o trabalho de controle realizado na produção de ração pode não ser observado no produto final.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Anderson, K. E. and K. E. Richardson. 1999. Effect of Termin-8 Compound on the Microbiological and Physical Quality of Shell Eggs From Commercial Egg Laying Chickens. Poultry Science. Vol 70 (Supplement 1):79 Anderson, K. E., B. W. Sheldon and K. E. Richardson. 2001. Effect of Termin-8 Compound on the Growth of Commercial White and Brown Egg Type Pullets and Environmental Microbiological Populations. Poultry Science. Vol 80 (Supplement 1):88 Anon, 2007. Evaluation of the measures to control Salmonella in the feed sector 2006. Quality Series No. 120. Product Board Animal Feed.: http://www.pdv.nl. Bastianelli, D. e Le Bas, C., 2002. Evaluating the role of animal feed in food safety: perspectives for action. In: E. Hanak, E. Boutrif, P. Fabre, M. Pineiro. Food safety management in developing countries. Proceedings of the international workshop, CIRAD-FAO, 11-13 December 2000, Montpellier, France. Baxter-Jones, C. 1996. Latest thoughts on Salmonella control. In International Hatchery Practice, International Poultry ProductionPositive Action Publications, LTD, North Humberside, England. , p. 19-26 Best, P., 2007. Vectores objetivo en la transferencia de salmonera. Las medidas para prevenir las recontaminaciones son una parte importante del plan de control. Industria Avícola, Julio 2007. p26-28. Blankenship, L. C., Shackfelford, D. A., Cox, N. A., Burdick, D. and Dailey, J. S. 1984. Survival of Salmonella as a function of poultry feed processing conditions. International Symposium on Salmonella, New Orleans, American Association Avian Pathology Carrique-Mas, J. J., Bedford, S. and Davies, R. H. 2007. Organic acid and formaldehyde treatment of animal feeds to control Salmonella: efficacy and masking during culture. Journal of Applied Microbiology 103 (1): 88-96. Corry, J.E. L. , V. M. Allen, W.R. Hudson, M. F. Breslin and R. H. Davies. 2002. Sources of Salmonella on Broiler Carcasses during transportation and processing:modes of contamination and methods of control. Journal of Applied Microbiology. Volume 92 pp 424-432. Davies, R., M. Breslin, J.E.L. Corry, W. Hudson and V. M. Allen 2001.Observations on the distribution and control of Salmonella species in two integrated broiler companies. Veterinary Record. Vol 149: 227-232 Davies, R. H. and Wray, C. 1995. Observations on disinfection regimens used on Salmonella enteritidis infected Poultry Units. Poultry Science 74: 638-647.

Duncan, M.S. and A.W. Adams. Effects of a chemical additive and of formaldehyde-gas fumigation on Salmonella in poultry feeds. 1972, Poultry Science. Vol. 51:797 - 802. EFSA, 2008. Scientific opinion of the panel on biological hazards on a request from health and consumer protection, Directorate General, European Comission on Microbiological Risk Assestment in feedingstuffs for food-producing animals. The EFSA Journal (2008) 720, 1 – 84. Ellis, E. M. 1958. Salmonella Reservoirs in animals and feeds J. Am. Oil Chem Soc Vol. 46:227-229. FAO e WHO, 2007. Animal feed impact on food safety. Report of the FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) / WHO (World Health Organization) Expert Meeting. In: ftp://ftp.fao.org/docrep/fao/010/a1507e/a1507e00.pdf Fleurat-Lessard, F. 1988. Grain mites, general characteristics and consequences of their presence in stocks. . In: Multon, J. L. (Ed.), Preservation and Storage of Grains, Seeds, and their By-Products. Lavoisier Publishing, Inc. New York, NY pp 409-416. Ha, S. D., Maciorowski, K. G., Kwon, Y. M., Jones, F. T. and Ricke, S. C. 1998. Survivability of indigenous microflora and a Salmonella Typhimurium marker strain in poultry mash treated with buffered propionic acid. Animal Feed Science and Technology 75 (2): 145-155. Hinton, M.A. and A. H. Linton. 1985. Control of Salmonella by Acid Disinfection of Chick's Food. Veterinary Record.123: 416 – 421. Houston, J. E., S. Addy, G. M. Pesti and L. C. Blankenship. 1992. Salmonella elimination in poultry feed: An economic analysis. Georgia Agricultural Experiment Stations, Research Bulletin: Number 409. Jensen, E. L. and G. Rosales. 2002. Salmonella control in primary breeders. Watt Poultry E- Digest Vol. 2(10):1-8. Jones, F. T. and K. E. Richardson. 2004. Salmonella in Commercially Manufactured Feeds. Poultry Science Vol. 83(3):384-391. Jones, F. T. and M. J. Wineland. 1994. Efficacy of colony forming unit data in detection of a fusariotoxicosis problem associated with post-manufacturing growth of Fusarium spp in poultry feeds. In Biodeterioration Research 4. pp. 93 - 103. Jones, F. T., W. M. Hagler and P. B. Hamilton. 1982. Association of low levels of aflatoxin in feed associated with productivity losses in commercial broiler operations. Poultry Science Vol. 61: 861 - 868. Jones, F., R. C. Axtell, F. R. Tarver, D. V. Rives, S. E. Scheidler and M. J. Wineland. 1991. Environmental Factors Contributing to Salmonella Colonization of Chickens. In Colonization Control of Human Bacterial Enteropathogens in Poultry. pp. 3 - 21

Kaiser, S.,.1992. The use of Salmex in the Control of Salmonella in Fishmeal. International Association of Fishmeal Manufacturers Research Report 4. Khan, M. Z., Ali, Z., Muhammad, G., Khan, A. and Mahmood, F. 2003. Pathological effects of formalin (37% formaldehyde) mixed in feed or administered into the crops of White Leghorn cockerels. Journal of Veterinary Medicine Series A: Physiology, Pathology, Clinical Medicine 50: 354-358. Maciorowski, K.G., F.T. Jones, S.D. Pillai, and S.C. Ricke. 2004. Incidence, sources and control of food-borne Salmonella spp. In Poultry Feed. World’s Poultry Sci. 60:446-457. Mackenzie, M.A. and B.S. Bains.1976. Dissemination of Salmonella Serotypes from Raw Feeds Ingredients to Chicken Carcases. Poultry Sci. 57: 957 - 960. Mansfield J.M., and H. Emmans, 1984. Surveillance of Salmonella in a commercial poultry production and processing operation. J. Sci. Food Agric. 35: 637 - 638. Martin, H. and Maris, P. 2005. An assessment of the bactericidal and fungicidal efficacy of seventeen mineral and organic acids on bacterial and fungal food industry contaminants. Sciences des Aliments 25 (2): 105-127. Mo, I. P. and M. C. Na. 1996. Evaluation of the Efficacy of Three Products for Control of Naturally Occuring Fowl Thyphoid Versus Different Positive Control. Technical Report of the National Veterinary Research Institute. Seoul, Korea Mossel, D. A. A., Van Schothorst, M. and Kampelmacher, E. H. 1967. Comparative study on decontamination of mixed feeds by radicidation and by pelletisation. J. Sci. Food Agric. 18:362-367. Moustafa, G. Z., Zaki, M. M. and Badawy, E. M. 2002. Hygienic control of Salmonella in artificially contaminated feed. Veterinary Medical Journal Giza 50 (2): 239-246. Multon, J.L. 1988. Spoilage mechanisms of grains and seeds in the post-harvest ecosystem, the resulting losses and strategies for the defense of stocks. . In: Multon, J. L. (Ed.), Preservation and Storage of Grains, Seeds, and their By-Products. Lavoisier Publishing, Inc. New York, NY pp3-5. Nape, W. F., 1968. Recovery of Salmonella from materials in feed mills. 72nd. Annual Meeting of the U.S. Livestock Sanitary Assoc. New Orleans, LA. pp. 1 - 13. Nayak, R.,P. B. Kenney, J. Keswani and C. Ritz. 2003. Isolation and Characterisation of Salmonella in a Turkey Production FacilityBrit Poult. Sci. 44(2)192-202. Patterson, J.T. 1969. Salmonella in meat and poultry. Poultry plant cooling waters and effluents, and animal feedingstuffs. J. Appl. Bacteriol. 32: 329 – 337. Patterson, J.T., 1971. Salmonellae in processed poultry. Rec. Agric. Res. 20: 1 - 6.

Primm, N. 1999. Field Experiences with the Control of Salmonella Introduction into Turkey Flocks via Contaminated Feeds. In the Proceedings of 47th Annual Western Poultry Disease Conference, Sacramento, CA. Prió P., Gasol R., Soriano R. C. e Perez-Rigau A. 2001. Effect of raw material microbial contamination over microbiological profile of ground and pelleted feeds. In: Brufan J. (Ed.): From Feed to Food. p. 197-199. Poisson, J. and B. Cahagnier. 1988. Effects of grain stabilization processes. In: Multon, J. L. (Ed.), Preservation and Storage of Grains, Seeds, and their By-Products. Lavoisier Publishing, Inc. New York, NY pp263-289. Reimann, H., 1996. Report of the Feed Safety Committee. In The Proceedings of the 100th Annual Meeting of the US Animal Health Association. Little Rock, Arkansas. pp. 178 -179. Richards-Molard, D. 1988. General characteristics of the microflora of grains and seeds and the principal resulting spoilages. In: Multon, J. L. (Ed.), Preservation and Storage of Grains, Seeds, and their By-Products. Lavoisier Publishing, Inc. New York, NY pp226- 243. Richardson, K. E. 2000. Microbial Control in Feed. In The Proceedings of the ANAC Eastern Nutrition Conference. May 25 - 26, 2000. pp. 247-260. Richardson, K. E. 2002. Enhanced immune response in animals. US Patent 6,379,676 Richardson, K. E. 2007. A importância do controle microbiológico em rações de aves. Anais do Congresso Internacional sobre Nutrição Animal e Alimentos Seguros. CBNA: Campinas – SP, Brasil, p. 43 – 54. Richardson, K. E. 2008. Reemergence of Clostridia perfringes: is it feed related?. In Proceedings of 20th Central American Poultry Congress. Managua, Nicaragua. Richardson, K. E. e Longo, F. A. 2008. A importância do controle microbiológico na cadeia de produção de rações para aves. Anais do V Simpósio sobre Manejo e Nutrição de Aves e Suínos. CBNA: Cascavel – PR, Brasil, p. 149-160. Ricke, S. C. 2005. Ensuring the safety of poultry feed. In: Food safety control in the poultry industry. Editor: G. C. Mead. Woodhead Publishing Ltd, Cambridge, UK, 174- 194. Shirota, K. H. Satoh, T. Murase, T. Ito and K. Otsuki. 2001a. Monitoring of Layer Feed and Eggs for Salmonella in Eastern Japan between 1993 and 1998J. Food Prot 64:734- 737. Shirota, K. H. Satoh, T. Murase, T. Ito and K. Otsuki. 2001b. Salmonella Contamination in Commercial Layer Feed in JapanJ. Vet. Med. Sci. 62(7):789-791.

Shrimpton, D.H. 1989. The Salmonella of Britian. Milling Flour and Feed (Jan.). pp.16 - 17. Skrivanova, E., Marounek, M., Benda, V. and Brezina, P. 2006. Susceptibility of Escherichia coli, Salmonella sp. and Clostridium perfringens to organic acids and monolaurin. Veterinarni Medicina 51 (3): 81-88. Sobrino, O. 2008. Plan Nacional de investigacion de presencia de microrganismos en materias primas y piensos. II Congreso de Seguridad Alimentaria, Murcia, Spain. Solomon, S.E., D. J. Taylor and R. Greene. !991. How Bacteria Affect the Gut Lining. Pig International. Vol 11:24 –27. Stott, J.A., J.E. Hodson, and J.E. Chaney, 1975. Incidence of Salmonellae in animal feed and the effect of pelleting on content of Enterobacteriaceae. J. Appl. Bact. 39: 41 - 46. Tabib, Z., F. T. Jones and P. B. Hamilton.1981. Microbiological quality of poultry feed and ingredients. Poultry Sci. 60: 1392 - 1397. Tabib, Z., F. T. Jones and P. B. Hamilton.1984. Effect of pelleting of poultry feed on the activity of molds and mold inhibitors. Poultry Sci. 63: 70 - 75. Van Djik, A. 2010. Essential oils and acids: synergy makes them work. In: http://allaboutfeed.net Van Harn, J. e J. H. van Middelkoop. 2000. Effect of Treatment of Feed with Termin-8 in Comparison with Dietary Supplementation with Avilamycin on the Performance and Processing Yeilds of Broilers. Report form the Center for Applied Poultry Research ‘Het Spelderholt”. Holland Van Schothorst, M. e J. Oosteram. 1984. Enterobacteriaceae as indicators of good manufacturing practices in rendering plants. Anton. van Leeuwenhoek, 50:1 - 6. Vanderwal, P. 1979. Salmonella Control of Feedstuffs by Pelleting or Acid Control. J. World Poultry Sci. 35: 70 -78. Veldman, A. , H. A. Vahl, G. J. Borggreve and D. C. Fuller. 1995. A survey of the incidence of Salmonella species and Enterobacteriaceae in poultry feeds and feed components. Vet. Rec. 169 - 172. Vestby L. K. 2010. Why is it so difficult to eradicate salmonella? http://veths.no/Venstremeny/English/Kima/Why-is-it-so-difficult-to-eradicate-salmonella Wales A. D., Allen V. M., Davies R. H. 2010. Chemical treatment of animal feed and water for the control of Salmonella. Foodborne Pathogen and Disease 7(1): 3-15.

Westerfield, B.L., A. W. Adams, L. E. Erwin and C. W. Deyoe. 1970. Effect of a Chemical Additive on Salmonella in Poultry Feed and Host Birds. Poultry Science 49: 1319 - 1323. Wierup, M. 2006. Salmonella Contamination of Feed - an assessment on behalf of Swedish. Board of Agriculture of risks in Sweden. http://www.sjv.se/download/18.1ac7fbb10dac953d9c8000516/Utredning-+Salmonella+i+foder+-+Wierup+- +till+SJV+2006-08-31%284b%29.pdf . Williams, D. 2000. The Commercial Benefits of Termin-8 Treatment of Poultry Breeder Feeds. Anitox Ltd Technical Bulletin. T8/Breeder Feed 11/00. Zaldivar, J. 1990. Use of Chemical Products in Sterilizing Salmonella in Fish Meal. In The Proceedings of the International Association of Fishmeal Manufacturers Annual Conference, Reykjavik, Iceland 87: 22 - 34.

 

 
Autor/s.
 
remove_red_eye 7413 forum 3 bar_chart Estatísticas share print
Compartilhar :
close
Ver todos os comentários
 
   | 
Copyright © 1999-2019 Engormix - All Rights Reserved