Conhecer a imunidade materna é um diferencial para a imunização eficiente dos pintinhos

Publicado: 03/02/2020
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Quando vamos elaborar um calendário de vacinação precisamos conhecer um pouco sobre os tipos de imunidade e também como estes atuam frente aos diferentes desafios. Este comportamento interfere diretamente na eficiência do programa vacinal. Lembrando que os objetivos da vacinação podem variar de acordo com a aptidão do animal bem como o ciclo de vida desta ave.

A imunidade passiva é aquela adquirida durante a passagem dos anticorpos maternos da galinha reprodutora para o pintinho durante o seu desenvolvimento. É uma imunidade de curta duração, podendo variar de 1 a 3 semanas, de acordo com a quantidade de anticorpos transmitida verticalmente ou ainda pela característica da enfermidade em questão, já que a capacidade de transmissão de anticorpos não é igual. No caso da vacinação de reprodutoras, o programa vacinal é desenhado para elevar e quantidade e a qualidade destes anticorpos.

Quando falamos de vacinação de aves de ciclo longo, vale lembrar que tão importante quanto o produto é o processo vacinal. As vacinas que são utilizadas com o objetivo de elevar o nível de anticorpos a ser transmitidos aos pintinhos são, via de regra, administradas individualmente pela via intramuscular ou mesmo subcutânea. Este processo sofre muita interferência humana, e é comum erros, como injeção parcial, local de aplicação ou, até mesmo, aves que recebem a injeção a partir de frascos vazios. Isto provoca uma variação grande na resposta individual, o que dificulta o gerenciamento destes títulos maternos.

A imunidade passiva pode interferir no desenvolvimento da imunidade ativa, já que devemos vacinar as aves jovens levando em consideração os diferentes fatores para determinar o melhor momento da aplicação. Estes fatores são: quantidade e velocidade de queda dos níveis de anticorpos, uniformidade do lote, desafio de campo, via de administração e tipo de vacina. Este tipo de proteção é muito importante nas enfermidades de Gumboro, NewCastle, Reovirus e Anemia Infecciosa.

Algumas vacinas valem-se desta característica e se adaptam à cinética dos anticorpos maternos, atuando de maneira diferenciada em cada indivíduo, diminuindo assim a janela de vulnerabilidade imunológica. É o caso das vacinas de complexo imune e, mais recentemente, algumas vacinas vivas, que se utilizam dos anticorpos maternos para formam estes complexos naturalmente. Neste ultimo caso, temos uma resposta ainda mais precoce, cerca de 3 dias antes das vacinas de imunocomplexo.

Quando ocorre um desafio de campo ou mesmo quando o animal recebe uma vacina, temos o início da imunidade ativa. Esta promove o desenvolvimento não só de anticorpos, como também da imunidade celular, que irá proteger as aves contra as enfermidades. As vacinas, compostas por microrganismos vivos ou inativados, estimulam uma resposta específica nas aves. Estes agentes possuem proteínas conhecidas como antígenos, que são reconhecidas pelo animal como substâncias estranhas.

De uma forma simplista, é neste momento que se inicia a resposta imune, quando os macrófagos trabalham para eliminar o agente do corpo de animal. Estes enviam sinais para que os linfócitos (B e T) se multipliquem e produzam uma resposta especifica. Este resposta está dirigida pelas linfocinas (interleucinas e interferons). No final, acontece a produção de anticorpos específicos e a indução da imunidade celular contra este antígeno.

As células de memória têm a capacidade de reconhecer os antígenos e apresentar uma resposta rápida e amplificada, caso a ave seja exposta novamente ao agente. Para algumas enfermidades, a combinação de vacinas vivas e inativadas promove um aumento geral no nível de anticorpos; para outras, as vacinas vivas, que estimulam a produção da imunidade celular e também da imunidade local são mais eficientes.

Quando falamos em frangos de corte, uma ave com ciclo de vida muito curto, a precocidade na resposta vacinal é determinante para uma proteção adequada, principalmente quando se trata de proteção contra doença de Gumboro, quando a colonização da Bursa por uma cepa vacinal colabora para a vacinação não apenas da ave, mas para a imunização do ambiente. Quando optamos por cepas que formam o imunocomplexo natural, podemos nos beneficiar dos anticorpos maternais de maneira eficaz e antecipar a resposta imunológica, e consequente colonização da Bursa em até 3 dias.

Estabelecendo um programa vacinal adequado, vamos determinar as datas de vacinação e os produtos que serão utilizados de acordo com os objetivos desejados, e estes são fatores determinantes para ter resultados diferenciados.

 
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