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XXII Congresso Latino-Americano de Avicultura 2011

Antimicrobianos salmonella typhimurium ovo

Sensibilidade a diferentes antimicrobianos de salmonella typhimurium isoladas de ovo de consumo humano

Publicado o: 20/10/2011
Autor/s. :
Sumário

Foi avaliada a susceptibilidade a antimicrobianos de Salmonella enterica subespécie enterica sorovariedade Typhimurium (ST) isoladas de casca e clara e/ou gema, de ovos comercializados. Os antibióticos ensaiados são de uso em medicina humana e veterinária. Observou-se que 100% foram sensíveis a gentamicina (CN), norfloxacina (NOR), ciprofloxacina (CIP), imipenem (IMP) e amoxicilina-ácido clavulánico (AMC), enquanto que para para doxiciclina (DOX), tetraciclina (TE) y estreptomicina (S) se obteve uma resistência de 68,1%, 93,6% e 97,9% respectivamente. 98% das linhagens estudadas apresentou resistência a dois ou mais antimicrobianos pertencentes ao mesmo ou a distintos grupos de antibióticos. Não se observou multirresistência no grupo das quinolonas e fenicóis. Devido à importância de ST na saúde pública e sua multirresistência a diferentes antibióticos, toda terapia antimicrobiana diante deste agente deve considerar em si mesma a CN, NOR, CIP, IMP o AMC.
Palavras-Chave: Salmonella Typhimurium, Antimicrobianos, Ovos, Entre Ríos, Argentina.

Introdução

O gênero Salmonella spp. está constituído por micro-organismos amplamente distribuídos em todo o mundo (Ruiz B et al., 2006). Aproximadamente 2000 sorotipos de Salmonella têm sido associados com enterocolitis, sendo Salmonella entérica subespécie enterica sorovariedade Typhimurium (ST) e Salmonella enterica subespécie entérica sorovariedade Enteritidis (SE) os principais agentes etiológicos de salmoneloses transmitidas por alimentos em humanos (Yang et al., 2002). A maioria das infecções por Salmonella spp. resultam da ingestão de carne de frango, bovina, suína, ovos e leite contaminados (Ruiz B et al., 2006). O impacto na saúde pública de infecções por ST está aumentando devido ao aparecimento de resistência a antimicrobianos por parte deste sorovar, relacionado com a circulação de clones multirresistentes (Graziani et al., 2007). A principal causa de bactérias resistentes é o excessivo uso de antibióticos nas rações de animais, como promotores de crescimento, e também pelo tratamento indiscriminado de pessoas e animais por prescrição médica ou veterinária (Casawell et al., 2003). A detecção e monitoramento da multirresistência de ST e SE é importante para modificar a escolha de antibióticos para o tratamento de salmoneloses e para avaliar o risco de expansão de linhagens multirresistentes (Yang et al., 2002).  Por este motivo, é importante estudar os perfis de resistência de ST, tanto de origem humana como de animais, já que permitirá uma maior compreensão da epidemiologia dos clones envolvidos (Graziani et al., 2007).

O objetivo de nosso trabalho foi avaliar a sensibilidade a diferentes antimicrobianos, de uso em medicina humana e veterinária, de linhagens ST isoladas, de ovos de consumo humano.

Materiais & Métodos

Linhagens bacterianas. Foram utilizadas 47 linhagens de ST isoladas de pools de casca (2), clara e gema (12), claras (15) e/ou gemas (18) de ovos comercializados em supermercados da província de Entre Ríos, Argentina. Como linhagem controle se utilizou Escherichia coli ATCC 25922.

Análises de suscetibilidade antimicrobiana. Foi utilizado o método de difusão em placa, segundo as recomendações do CLSI (National Committee for Clinical Laboratory Standards, 2010). A partir de uma suspensão bacteriana correspondente ao tubo 0,5 da escala de Mc Farland, se absorveu com hisopo estéril e foram semeadas em placas de ágar Mueller-Hinton (Difco, EEUU), e incubadas aerobicamente a 37ºC por 24h. Foram analisados 25 antimicrobianos (OXOID, Inglaterra): ceftazidima (CAZ 30µg), cefotaxima (CTX 30µg), cefoxitima (FOX 30µg), cefixima (CFM 5µg), cefalotina (KF 30µg), gentamicina (CN 10µg), estreptomicina (S 300µg), amicacina (AK 30µg), neomicina (N 30µg), kanamicina (K 30µg), ácido nalidíxico (NA 30µg), norfloxacina (NOR 10µg), ciprofloxacina (CIP 5µg), enrofloxacina (ENR 5µg), doxiciclina (DO 30µg), tetraciclina (TE 30µg), imipenem (IMP 10µg), ampicilina (AMP 10µg), sulfametoxazol-trimetoprima (SXT 25µg), tigeciclina (TGC 15µg), cloranfenicol (C 30µg), florfenicol (FFC 30µg), fosfomicina (FOS 50µg), colistin sulfato (CT 10µg) e amoxicilina-acido clavulánico (AMC 30µg). Foi medido o diâmetro do halo de inibição de crescimento e a sensibilidade foi determinada segundo as recomendações do CLSI. Com esta base, as linhagens foram classificadas como sensíveis, de sensibilidade intermediária ou resistentes.

Resultados & Discussão

Tabela 1. Sensibilidade de Salmonella Typhimurium diante de diferentes antimicrobianos usados em medicina humana e veterinária.

Grupos de Antimicrobianos

Antimicrobianos

Porcentagens de linhagens Sensíveis (S), Intermediárias (I) e Resistentes (R)

S

I

R

β-lactâmicos

Ampicilina (AMP)

44,7

40,4

14,9

Β-lactâmicos /Inibidores de β-lactamases

Amoxicilina/Ácido clavulânico (AMC)

100,0

0,0

0,0

Quinolonas

Ácido nalidixico (NA)

95,7

0,0

4,3

Ciprofloxacina (CIP)

100,0

0,0

0,0

Enrofloxacina (ENR)

87,2

12,8

0,0

Norfloxacina (NOR)

100,0

0,0

0,0

Tetraciclinas

Doxiciclina (DO)

0,0

31,9

68,1

Tetraciclina (TE)

4,3

2,1

93,6

Fenicóis

Cloranfenicol (C)

93,6

0,0

6,4

Florfenicol (FFC)

97,9

2,1

0,0

Aminoglucósidos

Amicacina (AK)

80,9

14,9

4,3

Estreptomicina (S)

0,0

2,1

97,9

Gentamicina (CN)

100,0

0,0

0,0

Kanamicina (K)

34,0

59,6

6,4

Neomicina (N)

4,3

78,7

17,0

Cefalosporinas

Cefalotina (KF)

48,9

42,6

8,5

Cefixima (CFM)

76,6

10,6

12,8

Cefotaxima (CTX)

23,4

51,1

25,5

Cefoxitima (FOX)

87,2

8,5

4,3

Ceftazidima (CAZ)

70,2

21,3

8,5

Carbapenemes

Imipenem (IMP)

100,0

0,0

0,0

Inibidores de via do folato

Sulfametoxazol/trimetoprima (SXT)

78,7

19,1

2,1

Glicilciclinas

Tigeciclina (TGC)

97,9

2,1

0,0

Polimixinas

Colistina (CT)

51,1

46,8

2,1

Fosfomicinas

Fosfomicina (FOS)

97,9

2,1

0,0

As linhagens de ST apresentaram diferente sensibilidade aos antimicrobianos ensaiados (Tabela 1). A resistência esteve entre 0% (AMC, NOR, CIP, ENR, FFC, CN, IMP, TGC, FOS) e 97,9% (S). No grupo dos β-lactâmicos e β-lactâmicos + inibidores de β-lactamases, se observou que 100 % das linhagens foram sensíveis a AMC, no entanto, 44,7% foram sensíveis a AMP. Com relação aos antimicrobianos do grupo das quinolonas (NA, NOR, CIP, ENR), a maioria das linhagens foram sensíveis a um ou mais antibióticos deste grupo. 100% foram sensíveis a NOR e CIP, ambas quinolonas de 2ª geração, enquanto que para NA e ENR a sensibilidade foi de 95,7% e 87.2%, respectivamente. Para o grupo das tetraciclinas (DO e TE), se observou um alto padrão de resistência, de 68.1% para DO e 93,6% para TE. A respeito dos fenicóis (C e FFC), se observou uma sensibilidade maior a 93%.

No grupo dos aminoglucósidos, todas as linhagens foram sensíveis a CN, enquanto que, para AK,  80,9% das bactérias foi sensível. Para N e K, encontramos uma sensibilidade menor a 30%. Para S, 97,9% foram resistentes. No grupo das cefalosporinas, forma avaliadas cefalosporinas de 1ª  geração (KF), 2ª  geração (FOX) e de 3ª  geração (CAZ, CTX e CFM). A sensibilidade das linhagens a CAZ, CFM e FOX foi de 70.2%, 76.6 e 87,2%, respectivamente. Para CTX se observou 51,1% de sensibilidade intermédia e 25,5% de linhagens resistentes, enquanto que para KF houve 48,9% de linhagens sensíveis e 42,6% de linhagens com comportamento intermediário. No grupo de Carbapenemes (IMP) se observou 100% de linhagens sensíveis. Os antimicrobianos inibidores da via do folato (SXT), glicilciclinas (TGC), fosfomicinas (FOS) apresentaram uma sensibilidade maior a 78%. No grupo das polimixinas (CT) se observou 51,1% e 46,8% de linhagens sensíveis e intermediárias, respectivamente.

A presença de multirresistência a dois ou mais antibióticos foi detectada em 98% das linhagens que participaram do ensaio, sendo as mesmas dentro do mesmo grupo ou distintos grupos de antibióticos, no entanto a média de resistência foi de 15%, não se observando resistência cruzada dentro do grupo das quinolonas e fenicóis (dado não mostrado).

No grupo de β-lactâmicos, Ruiz B et al. (2006) avaliaram a suscetibilidade de distintas salmonellas isoladas de granjas de poedeiras comerciais a AMP e AMP/Sulbactam com 100% de sensibilidade às linhagens. Em nosso trabalho, a sensibilidade a AMP foi menor a 50%, embora para AMC se elevou a 100%. Para o grupo das quinolonas, Akoachere et al. (2009) e Esaki et al. (2004) informaram uma marcada suscetibilidade a este grupo de antimicrobianos de salmonelas isoladas de rações para aves e de animais de produção, o qual concorda com nosso resultado. Por outro lado, Ruiz B et al. (2006) observaram uma sensibilidade de 100% para TE, ao contrário dos resultados obtidos em nosso trabalho. No entanto, estes autores ensaiaram este antibiótico com sorovares de Salmonella distinta a ST. Ao avaliar o grupo dos fenicóis, nossos resultados concordam com os obtidos por Ruiz B et al. (2006) para C, enquanto que Khan et al. (2000) encontraram que linhagens de ST apresentaram uma alta resistência aos fenicóis.

Além disso, observaram que linhagens resistentes a C  também o foram para FFC. Ao avaliar o grupo de aminoglucósidos, Ruiz B et al. (2006) encontraram uma sensibilidade de 100% a AK e CN, o que concorda com nossas conclusões.

A respeito do grupo de aminoglucósidos, Graziani et al. (2007) encontraram uma alta resistência a S, do mesmo modo que foi observado em nossos ensaios. No que se refere à sensibilidade para o grupo das cefalosporinas, Ruiz B et al. (2006) encontraram uma sensibilidade de 100% para CAZ, CTX em salmonella não Typhimurium. Em nosso trabalho, ensaiamos 5 cefalosporinas, entre elas CAZ e CTX obtendo uma sensibilidade entre 23.4% (CTX) e 87.2% (FOX).

No grupo dos carbapenemes, obtivemos resultados semelhantes aos informados por Ruiz B et al. (2006). Akoachere et al. (2009) descreveram alta resistência a SXT em linhagens de ST, o que não concorda com nossos resultados, já que observamos uma sensibilidade maior a 78% nas linhagens ensaiadas para o mesmo antimicrobiano.

Conclusões

Dada a importância de ST na saúde pública e sua multirresistência a diferentes antibióticos, toda terapia antimicrobiana diante deste agente deve considerar CN, NOR, CIP, IMP ou AMC. Embora nossos resultados indicam que a maioria dos antimicrobianos ensaiados mostraram uma boa sensibilidade em linhagens de ST, não seria recomendável o uso das tetraciclinas e estreptomicina, já que se observou uma resistência elevada. O aparecimento de linhagens multirresistentes é de grande importância, já que nos permite obter um maior conhecimento e realizar uma melhor escolha do agente antimicrobiano a ser utilizado, de maneira a evitar falhas nos tratamentos.

Bibliografia

Akoachere J-FTK, Tanih NF, Ndip LM, Ndip RN. 2009. Phenotypic characterization of Salmonella Typhimurium isolates from food-animals and abattoir drains in Buea, Camerron. J. Health Popul. Nutr. 27:612-618.

Casawell M, Friis C, Marco E, McMullin P, Philips I. 2003. The European ban on growth-promoting antibiotics and emerging consequences for human and animal health. J. of Antimicrobial Chemoterapy 52:159-161.

Esaki H, Morioka A, Ishihara K, Kojima A, Shiroki S, Tamura Y, Takahashi T. 2004. Antimicrobial susceptibility of Salmonella isolated from cattle, swine and poultry (2001-2002): report from the Japanese Veterinary Antimicrobial Resistance Monitoring Programme. J. Antimicrob. Chemother. 53:266-270.

Graziani C, Busani L, Dionisi AM, Lucarelli C, Owczarek S, Ricci A, Mancin M, Caprioli A, Luzzi I. 2007. Antimicrobial resistance in Salmonella enterica serovar Typhimurium from human and animal sources in Italy. Vet. Microbiol. 128:414-418.

Khan AA, Nawaz MS, Khan SA, Cerniglia CE. 2000. Detection of multidrug-resistant Salmonella Typhimurium DT 104 by multiplex polymerase chain reaction. Microbiol. Letters 182:355-360.

National Committee for Clinical Laboratory Standards. 2010. Performance Standards for antimicrobial susceptibility testing; Twentieth Informational Supplement. NCCLS, 30:1-153.

Ruiz B JD, Suárez MC, Uribe C. 2006. Susceptibilidad antimicrobiana in vitro de cepas de Salmonella spp. en granjas de ponedoras comerciales del departamento de Antioquia. Rev. Col. Cienc. Pec. 19:297-305.

Yang SJ, Park KY, Kim SH, No KM, Besser TE, Yoo HS, Kim SH, Lee BK, Park YH. 2002. Antimicrobial resistance in Salmonella enterica serovars Enteritidis and Typhimurium isolated from animals in Korea: comparision of phenotypic and genotypic resistance characterization. Vet. Microbiol. 86:295-301.

 

 

 
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