Aminoácidos sulfurosos e colina na alimentação de codornas de corte

Publicado: 26/04/2019
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O desenvolvimento do mercado mundial avícola deu-se de forma rápida e significativa devido aos investimentos em tecnologias nesse setor, conseguindo disponibilizar à população proteína animal de elevada qualidade nutricional e baixo custo, tornando-se acessível também para as pessoas de baixa renda (Móri et al., 2005; Winter, 2005; Silva 2009).

Atualmente, busca-se uma maior inserção no mercado de outras carnes, muitas vezes não tão conhecidas. Um exemplo disso é a carne de codorna, que pode ser uma alternativa para diversificar as opções de consumo. Dessa forma, o mercado, ao oferecer a carne de codorna, disponibiliza para a sociedade mais um produto de qualidade, saudável e com sabor inigualável (Móri et al., 2005; Winter, 2005; Silva 2009).

A coturnicultura vem se destacando por ser uma atividade promissora, com grande potencial de crescimento no mercado mundial, porém necessita para sua ampliação maiores investimentos em pesquisas, tecnologias e divulgação dos produtos (Oliveira et al., 2002; Pinto et al., 2002; Móri et al., 2005).

Para a comercialização da carne, a linhagem Coturnix coturnix coturnix, conhecida como codorna “francesa” ou “europeia” é muito utilizada pelos produtores, atingindo peso vivo entre 200 a 300g estando pronta para o abate aos 35 dias de idade, proporcionando um rápido retorno financeiro (Rezende et al., 2004).

Entretanto, a escassez de informações relacionadas às exigências nutricionais dessa linhagem pode resultar no fornecimento de rações com quantidades de nutrientes inadequados, resultando em baixo desempenho e/ou desperdício do excesso de nutrientes adicionados (Barreto et al., 2006; Silva, 2009).

O item de maior peso nos custos relacionados à nutrição animal são originados da proteína presente na dieta, que são compostas por aminoácidos, constituindo a maior parte corporal dos animais (D’Mello, 2003; Barreto et al., 2006; Lehninger e Cox, 2014). Entre os aminoácidos, a metionina e a cistina compõem o grupo dos sulfurosos (Lewis, 2003), sendo a metionina essencial e o primeiro aminoácido limitante para aves, principalmente em dietas à base de milho e farelo de soja (Oliveira Neto, 2014).

A quantidade de cistina atualmente é suprida através da suplementação de metionina, uma vez que a cistina poder ser sintetizada através da metionina no organismo das aves (Lehninger e Cox, 2014). A adição de cistina na dieta poderia reduzir até a metade das necessidades nutricionais de metionina, porém não sendo economicamente viável, devido ao seu elevado custo (Bertechini, 2003).

As dietas com excesso de metionina podem reduzir as necessidades de suplementação de colina. Também existe a possibilidade da colina poder substituir parte da adição de metionina necessária na dieta, o que poderia ser uma alternativa para a redução dos custos de produção das aves, pelo fato da fonte de colina ser mais barata do que a de metionina (Case et al., 1997; Combs, 2008; Rutz et al., 2014).

Com base nessas hipóteses, foram realizadas pesquisas no setor de Coturnicultura da Fazenda Experimental de Iguatemi da Universidade Estadual de Maringá (UEM), visando determinar as exigências nutricionais de aminoácidos sulfurosos (metionina e cistina digestível, separadamente) e determinar o melhor nível de substituição parcial de metionina digestível por colina nas dietas de codornas de corte em crescimento, nos períodos de 1 a 14 e de 15 a 35 dias de idade.

Metionina e cistina em rações para codornas de corte

Na primeira fase de crescimento (1 a 14 dias de idade), estimaram-se os níveis de 0,66% de metionina digestível e 0,60% de cistina digestível por quilograma de ração para o máximo desempenho de codornas de corte.

Na segunda fase (15 a 35 dias de idade), foram determinados os níveis de 0,63% de metionina digestível e 0,58% de cistina digestível por quilograma de ração para a obtenção do máximo desempenho zootécnico.

Substituição de metionina por colina em rações para codornas de corte

Atualmente, muitas pesquisas têm sido realizadas com o intuito de substituir ingredientes, visando à diminuição dos custos das rações dos animais, mas sem afetar seus índices zootécnicos, garantindo o desenvolvimento estrutural e o funcionamento metabólico adequados. A hipótese da colina poder substituir parte da metionina das dietas para aves em crescimento é uma possibilidade para a redução dos custos (Case et al., 1997; Combs, 2008; Rutz et al., 2014).

Nessa pesquisa, foi verificado que a adição de metionina e/ou colina melhoraram o desempenho zootécnico das codornas de corte. Porém, com esses resultados não foi possível determinar o melhor nível de substituição parcial da metionina por colina na dieta das codornas, nos períodos de 1 a 14 e de 15 a 35 dias de idade.

Pelo fato da colina atuar no transporte e metabolismo de lipídeos e colesterol (Bertechini, 2003; Zeisel e Blusztajn, 1994), foi possível verificar a redução da deposição de gordura corporal, principalmente no fígado, prevenindo a esteatose hepática. Além disso, houve redução nas concentrações de colesterol e homocisteína no soro sanguíneo das codornas.

Em termos gerais, foram observadas melhorias na resistência óssea em função do aumento da colina utilizada nas rações das codornas, devido ao fato deste nutriente atuar no processo de maturação da matriz da cartilagem óssea (Pour et al., 2014).

 

Considerações finais

Esses resultados são importantes para toda a cadeia de produção de codornas, possibilitando utilizar nas propriedades rurais, níveis de metionina ou/e cistina que atendam às exigências nutricionais dessas aves, visando obter uma melhor resposta em termos de ganho de peso e conversão alimentar, sem causar alterações metabólicas em seu organismo. A utilização de rações com quantidades ideais de nutrientes permite balanceamento da dieta, evitando deficiência ou desperdício dos mesmos, diminuído os custos da produção da proteína animal, aumentando a lucratividade do setor.

Sugere-se a realização de novas pesquisas, recomendando-se a utilização de níveis superiores de metionina digestível e colina nas rações para as codornas de corte em fase de crescimento, a fim de averiguar esta possibilidade de substituição, e com isso obter-se diminuição dos custos com a alimentação dessas aves.

Referências bibliográficas

 
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