Algodão suplementado enzimas frangos

Valores energéticos do farelo de algodão suplementado ou não com enzimas para frangos de corte na fase final

Publicado: 15/01/2013
Autor/s. : Alcilene Tavares, aluna do Programa de Doutorado Integrado em Zootecnia, Universidade Federal da Paraíba - UFC - PB; Liliane Olímpio Palhares e Tayara Soares de Lima, pós-graduandas em Zootecnia, Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE - PB; Wilson Moreira Dutra Júnior e Carlos Bôa-Viagem Rabello, professores adjuntos do Departamento de Zootecnia, UFRPE, PB, e Andrew Henrique da Silva Cavalcanti Coelho, Graduando em Zootecnia, UFRPE, PB.
Sumário

Resumo: Objetivando-se avaliar o valor nutricional e energético do farelo de algodão (FA) suplementado ou não com enzimas em rações para frangos de corte dos 34 aos 42 dias de idade, realizouse ensaio de metabolismo pelo método de coleta total de excretas utilizando 96 aves machos da linhagem Cobb 500. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em esquema fatorial (2x2), com quatro tratamentos, seis repetições e quatro aves por parcela. Os tratamentos foram constituídos de duas dietas referências à base de milho e farelo de soja sem e com enzimas e duas rações testes com substituição de 25% da ração referência por farelo de algodão sem e com enzimas. Por meio de ensaios de digestibilidade determinou-se a energia metabolizável aparente e aparente corrigida para o balanço de nitrogênio e os coeficientes de digestibilidade aparente da matéria seca e da energia bruta do farelo. Não houve efeito da suplementação enzimática para os valores energéticos do farelo de algodão, o qual apresentou valores de energia metabolizável aparente e aparente corrigida de 2.222 e 1.900 kcal/kg, respectivamente para o farelo sem enzima e de 1.930 e 1.651 kcal/kg, respectivamente, para o farelo suplementado. A adição de enzimas não afetou os valores de energia metabolizável aparente e aparente corrigida para nitrogênio do farelo de algodão para frangos de corte na fase final.

Palavras–chave: alimento alternativo, aves, energia metabolizável, fitase, protease

Introdução

A presença de fatores antinutricionais presentes no farelo de algodão (FA), como o gossipol, pode interferir na utilização deste ingrediente pelas aves. A adição de enzimas exógenas pode ajudar a reduzir os efeitos negativos desses compostos e melhorar a digestibilidade do alimento.

O objetivo desta pesquisa foi determinar os valores energéticos do FA sem ou com adição de enzimas (protease + fitase) para frangos de corte dos 34 aos 42 dias de idade.

 

Material e Métodos

O ensaio de metabolismo foi realizado no Departamento de Zootecnia da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), utilizando 96 frangos de corte machos da linhagem Cobb 500 na fase final de criação (34 a 42 dias), os quais foram alojadas em gaiolas metabólicas providas de comedouro tipo calha e bebedouro tipo copo, em sala climatizada.

O delineamento experimental foi inteiramente casualizado em esquema fatorial 2x2: duas rações (referência e substituição de 25% do FA) e dois níveis de enzimas (sem e com) totalizando quatro tratamentos com seis repetições e quatro aves por parcela.

O período experimental foi de oito dias, sendo quatro dias para adaptação dos animais às condições experimentais e quatro dias para a coleta de excretas. As dietas experimentais foram: T1 - Ração referência à base de milho e farelo de soja (FS) sem enzimas; T2 - Ração referência à base de milho e FS com enzimas; T3 - 25 % de substituição de FA sem enzimas; T4 - 25% de substituição de FA com enzimas. As enzimas exógenas utilizadas foram fitase (15 g/100 kg) equivalente a 10.000 unidades de fitase por grama e protease (20 g/100 kg) equivalente a 84.500 unidades de protease por grama, seguindo as recomendações do fabricante. O FA foi tratado com sulfato de ferro na proporção de 40 g/100 kg, visando prevenir o efeito do gossipol.

O método utilizado para determinação do valor da energia metabolizável foi o tradicional de coleta total de excretas, utilizando 1% de óxido férrico como marcador.

As excretas foram recolhidas diariamente, colocadas em sacos plásticos, pesadas e identificadas e armazenadas em freezer a - 20°C. Posteriormente, foram descongeladas, reunidas por repetição, homogeneizadas e retiradas alíquotas de 500 g, as quais foram pré-secas em estufa ventilada, a temperatura de 55ºC por 72 horas. Após moagem, determinou-se a matéria seca (MS), energia bruta (EB) e nitrogênio (N), mesmas análises foram realizadas nos ingredientes e nas dietas experimentais.

Os valores da energia metabolizável aparente (EMA) e aparente corrigida (EMAn) foram determinados a partir das equações propostas por Matterson et al., (1965) e, com base nos valores de energia bruta, EMA e EMAn, calculados os coeficientes de metabolizabilidade da energia dos alimentos, através da fórmula: CMAEB = (EMAn/EB) x 100.

As variáveis avaliadas foram submetidas à análise de variância e à comparação de médias pelo teste t, ao nível de 5% de probabilidade, utilizando-se o programa estatístico ASSISTAT (Silva & Azevedo, 2008).

 

Resultados e Discussão

As médias dos valores de energia metabolizável aparente (EMA) e aparente corrigida (EMAn), os coeficientes de metabolizabilidade aparente da matéria seca (CMAMS) e da energia bruta (CMAEB) das rações experimentais e do farelo de algodão (FA), sem e com enzimas, na fase final (34 a 42 dias), são apresentados na Tabela 1.

A rações referências (T1- sem enzimas e T2- com enzimas) apresentaram valores de 3.402 kcal/kg e 3.489 kcal/kg para energia metabolizável aparente (EMA) e de 3.256 kcal/kg e 3.343 kcal/kg para energia metabolizável aparente corrigida para o balanço de nitrogênio (EMAn), na MS, respectivamente, diferindo estatisticamente entre si, indicando que a adição das enzimas possibilitou aumento nos valores energéticos das rações, à base de milho e farelo de soja.

Não foram constatadas diferenças significativas para os valores de EMA, EMAn, coeficiente de metabolizabilidade aparente da matéria seca (CMAMS) e da energia bruta (CMAEB) das dietas testes (T3 e T4) e para o FA, independentemente da suplementação. Resultados semelhantes foram obtidos por Diaw et al. (2010) que não verificaram diferenças na digestibilidade da matéria seca de dietas contendo inclusão de FA até o nível de 18,75%, em frangos de corte na fase final.

Os valores médios da EMAn do FA foi de 1.776 kcal/kg, um pouco menor do que o tabelado por Rostagno et al. (2011) que é de 1.858 kcal/kg, expressos na MS.

Os valores de EMAn foram inferiores aos valores da EMA, em função dos valores energéticos do nitrogênio retido serem descontados da EMA para a obtenção dos valores de EMAn, sinalizando balanço positivo de nitrogênio.

Generoso et al. (2008) relataram que os efeitos da idade e do processamento dos ingredientes interferem no aproveitamento da energia pelas aves para um mesmo alimento, tornando-se fatores relevantes a serem considerados ao se estabelecer o valor energético dos alimentos na matriz de composição dos alimentos.

Assim, sugere-se considerar diferentes valores de EMAn dos alimentos nas formulações de rações de acordo com a fase de desenvolvimento das aves, uma vez que a utilização de um único valor de energia metabolizável dos alimentos nas formulações pode sub ou superestimar essas diferenças.

Tabela 1. Médias dos valores de energia metabolizável aparente (EMA), aparente corrigida (EMAn) das rações e do farelo de algodão (FA) e os coeficientes de metabolizabilidade aparente da matéria seca (CDAMS) e da energia bruta (CDAEB) determinados com pintinhos de corte na fase final (34 a 42 dias)

 

Conclusões

A adição de enzimas não afetou os valores de energia metabolizável aparente e aparente corrigida para nitrogênio do farelo de algodão para frangos de corte na fase final, no entanto, melhorou os valores energéticos das dietas referências, à base de milho e farelo de soja.

 

Literatura citada

DIAW, M.T.; DIENG, A.; MERGEAI, G. et al. Effects of groundnut cake substitution by glandless cottonssef kernels on broilers production: animal performance, nutrient digestibility, carcass characteristics and fatty acid composition of muscle a and fat. International Journal Poultry Science, n. 9, v. 5, p. 473-481, 2010.

GENEROSO, R.A.R.; GOMES, P.C.; ROSTAGNO, H.S. et al. Composição química e energética de alguns alimentos para frangos de corte em duas idades. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 37, n. 7, p. 1251-1256, 2008.

MATTERSON, L.D.; POTTER L.M.; STUTZ, M.W. et al. The metabolizable energy of feed ingredients for chickens. Agricultural Experimental Station Research Report, v.7, p.3-11, 1965.

ROSTAGNO, H.S.; ALBINO, L.F.T.; DONZELE, J.L. et. al. Tabelas brasileiras para aves e suínos: composição de alimentos e exigências nutricionais. 3. ed. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, 2011. 252p.

SAKOMURA, N.K.; ROSTAGNO, H.S. Métodos de pesquisa e nutrição de monogástricos. Jaboticabal: Funep, 2007. 283 p.

SILVA, F.A.S.; AZEVEDO, C.A.V. Versão do programa computacional Assistat: Assistência Estatística – para sistema operacional Windows. Universidade Federal de Campina Grande, Campus 1. Campina Grande, 2008.

 
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