Adição de óleos de copaíba (Copaifera langisdorffii) e sucupira (Pterodon emarginatus) na alimentação de poedeiras: estabilidade lipídica de gema de ovos armazenados em diferentes temperaturas

Publicado: 14/08/2017
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Sumário

O objetivo deste trabalho foi avaliar a atividade antioxidante da adicao de oleos de copaiba (CP) e sucupira (SC) na alimentacao de poedeiras sobre a oxidacao lipidica de ovos in natura armazenados em temperatura ambiente (TA) por 30 dias e sob refrigeracao (R) a 4ºC por 60 dias, e de gemas cozidas mantidas sob R por 30 dias. As poedeiras foram alimentadas com racao isoproteica (15% PB) e isoenergetica (2900 kcal kg-1) a base de milho e farelo de soja, com inclusao de oleo de Copaifera langsdorffii (CP) nas proporcoes de 0,03; 0,06 e 0,09% ou de Pterodon emarginatus (SC) nas proporcoes de 0,03 e 0,06%, mais um controle negativo (CN). Foram coletados 667 ovos as 37 semanas de idade e distribuidos aleatoriamente nas diferentes condicoes de armazenamento (TA ou R). A oxidacao dos lipidios de ovos in natura foi quantificada em quadruplicata e das gemas cozidas em duplicata, utilizando-se “pool” de 3 gemas/ tratamento para as analises de TBARS (thiobarbituric acid reactive substances). Os dados foram avaliados adotando um modelo misto e as medias foram comparadas pelo teste de Tukey em 5% de nivel de significancia e o periodo de armazenamento foi considerado como um fator longitudinal, variando de cinco tempos no experimento com gemas cozidas, e nos ovos in natura sob R e em TA (0 a 30 dias), ate nove tempos sob R (0 a 60 dias). Foi observado que a adicao de oleo de CP e SC nao reduziu os valores de TBARS em ovos in natura armazenados em TA e sob R em relacao ao CN. No armazenamento de gemas cozidas, a inclusao CP (0,03 e 0,06%) protegeu os lipidios ate os 21 dias, mas apresentou efeito pro-oxidante quando suplementado a 0,09%. Concluiu-se que a inclusao de ate 0,06% de oleorresina de CP nas racoes de poedeiras pode proteger os lipidios da gema cozida contra a oxidacao durante o armazenamento refrigerado por ate 21 dias.

Palavras-chave: Antioxidantes. Oleos vegetais. Ovos. Poedeiras. TBARS.

 

Introdução

A estabilidade oxidativa dos alimentos depende da acao de diversos fatores, os quais estao relacionados com o tipo de estrutura lipidica e o meio onde se encontram (PRATT, 1992). Os ovos possuem grandes quantidades de acidos graxos insaturados, os quais sao menos estaveis ao processo de oxidacao lipidica, o que limita sua capacidade de conservacao (PITA et al., 2004), sendo relatado teores medios totais de 1.0527 mg/100g de gemas de acidos graxos poli-insaturados em ovos convencionais (CEDRO et al., 2010). Estudos com ovos comerciais in natura sugerem que a oxidacao pode ocorrer em ovos armazenados durante longos periodos, tanto em condicoes refrigeradas quanto em temperatura ambiente, no entanto a oxidacao e mais evidente em altas temperaturas (FRANCHINI et al., 2002; PEREIRA, 2009).

A oxidacao e um processo autocatalitico e, uma vez iniciado, desenvolve-se em aceleracao crescente (SOARES, 2002; ARAUJO, 2006), sendo que as reacoes de autoxidacao sao as principais causadoras do ranco em alimentos (ANDREO; JORGE, 2006). No processo de oxidacao ocorre a formacao de radicais peroxidos livres (H2O2) e hidroperoxidos (ROOH). Os peroxidos, moleculas altamente instaveis, vao se decompondo e, por cisao ou rearranjo, resultam em produtos secundarios da oxidacao como aldeidos, alcoois, acidos, hidrocarbonetos, cetonas, entre outros, que sao responsaveis pelas caracteristicas de ranco (MELO FILHO; VASCONCELOS, 2011). No processo de oxidacao dos alimentos, sao formadas substancias quimicas toxicas, destacando-se o malonaldeido (MDA) e os oxidos de colesterol. Essas substancias, alem de serem condutoras de acoes deteriorativas, podem causar envelhecimento, doencas do coracao e cancer em seres humanos (PEARSON et al., 1983). A rancidez oxidativa pode ser controlada, principalmente na fase inicial, pois dependendo de condicoes especificas ela torna-se mais lenta, podendo ser modificada mediante a presenca de antioxidantes (CONEGLIAN et al., 2011).

No Brasil, pesquisas com a utilizacao de plantas como antioxidantes naturais podem ser justificadas em decorrencia da existencia de diferentes biomas, nos quais ocorre maior variedade de especies vegetais (GUERRA; NODARI, 2001). Embora escassos, alguns estudos sugerem que a copaiba e a sucupira contem oleo com elevada quantidade de compostos bioativos com potencial antioxidante (DUTRA; LEITE; BARBOSA, 2008; NASCIMENTO et al., 2013). No entanto, nao ha estudos que avaliaram o uso desses oleos vegetais na alimentacao de poedeiras sobre a estabilidade lipidica de gemas de ovos.

Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito dos oleos de copaiba e sucupira adicionados a racao de poedeiras sobre a oxidacao lipidica de ovos in natura armazenados em temperatura ambiente e refrigerados a 4oC ou gemas cozidas armazenadas na mesma temperatura de refrigeracao dos ovos in natura.

 

Material e Métodos

Aves e instalações experimentais

Foram utilizadas 184 aves da linhagem Isa-Brown em fase de producao e alojadas duas a duas em gaiolas de 25 x 40 x 45 cm em um galpao experimental de postura equipado com comedouros tipo calha em aco galvanizado e bebedouros tipo “nipple”.

 

Obtenção e processamento dos óleos vegetais

O oleo bruto de Pterodon emarginatus (sucupira) foi obtido por prensagem a frio das favas adquiridas no comercio local. O oleorresina de Copaifera langsdorffii (copaiba), extraido do seio lenhoso do caule, foi adquirido de cooperativas extrativistas e padroni zado. Nos oleos de sucupira e copaiba foi quantificado o teor de β–cariofileno pelo metodo covalidado utilizando- se um cromatografo liquido de alta eficiencia (CLAE) Waters® (Massachusetts, USA), obtendo-se as concentracoes de 21,31% no oleorresina de copaiba e de 7,36% no oleo de sucupira.

 

Dietas e coleta de ovos

Durante a fase de producao de ovos (31 a 37 semanas de idade), as poedeiras foram alimentadas a vontade com racao isoproteica (15% PB) e isoenergetica (2.900 kcal/kg) a base de milho e farelo de soja, formuladas de acordo com as recomendacoes de Rostagno (2011) para poedeiras em producao, com suplementacao de dois niveis de oleo de sucupira (0,03 e 0,06%) e tres niveis de oleo de copaiba (0,03; 0,06 e 0,09%) na materia original, em substituicao ao amido, e mais um tratamento controle negativo (sem a utilizacao de antioxidante suplementar), conforme descrito na tabela 1.

A coleta de ovos foi realizada as 37 semanas de idade das aves durante quatro dias consecutivos, totalizando 667 ovos, que foram armazenados em geladeira a 10oC ate a realizacao das analises quimicas.

 

Ensaio de armazenamento de ovos in natura

Imediatamente apos a coleta, os ovos in natura foram distribuidos de acordo com os tratamentos e alocados em um ensaio de armazenamento sob temperatura ambiente (TA) por 30 dias e sob refrigeracao (R) em camara fria a 4ºC por 60 dias. Durante o periodo experimental foi aferida a temperatura ambiente diariamente, pela manha e a tarde, sendo registradas temperaturas medias minimas de 20 a 22ºC e maximas de 28 a 34ºC.

 

Ensaio de armazenamento de gemas cozidas

Parte dos ovos frescos coletados foi homogeneizado em “pools” de tres gemas e acondicionados em duplicata em tubos tipo “falcon” para cozimento em banho-maria por 14 minutos a 100ºC. Apos resfriamento, as amostras cozidas foram armazenadas em camara fria a 4ºC durante 30 dias.

 

Tabela 1 – Composicao das racoes experimentais para a fase de producao de poedeiras semipesadas – Brasilia – 2014.

1 Suplemento vitaminico – niveis de garantia por quilograma de produto: Vitamina A 8.000 UI, Vitamina E 15.000 mg, Vitamina D3 2.300 UI, Vitamina K3 1.000 mg, Vitamina B1 200 mg, Vitamina B2 3.000 mg, Vitamina B6 1.700 mg, Vitamina B12 10.000 mcg, Niacina 20.000 mg, Acido folico 500 mg, Biotina 15,00 mg

2 Suplemento mineral – niveis de garantia por quilograma de produto: Manganes 120.000 mg, Zinco 120.000 mg, Ferro 60.000 mg, Cobre 18.000 mg, Iodo 2.000 mg, Calcio 9.600 mg

 

Análise da oxidação lipídica

A avaliacao da oxidacao lipidica dos ovos armazenados foi realizada utilizando o metodo de quantificacao das substancias reativas ao acido tiobarbiturico (TBARS) determinado por espectrofotometria, com resultados expressos em micro mol de malonaldeido por quilo de gemas (μmol MDA/kg), conforme o metodo descrito por Vyncke (1970; 1975) e modificado por Sorensen e Jorsensen (1996).

Os valores de TBARS das amostras foram quantificados a partir da elaboracao da curva padrao construida usando-se solucao-padrao de tetraetoxipropano (TEP) diluida em diferentes concentracoes em solucao de acido tricloroacetico (TCA) 7,5%, contendo 0,1% de acido etilenodiaminotetracetico (EDTA) e 0,1% de propilgalato (PG) em agua mili-Q. Em tubos de ensaio, foram pipetados 5 mL da solucao de TCA com e sem TEP, mais 5 mL da solucao de TBA (2-thiobarbituric acid), colocando em banho-maria a 100ºC por 40 minutos, com posterior resfriamento em banho frio para leitura da absorbancia em espectrofotometro da marca Gehaka (Sao Paulo, SP). A curva padrao resultou na equacao y = 0,0886x + 0,001 (R2 = 0,9992), em que “x” corresponde ao valor da absorbancia em comprimento de onda a 532 e 600 nm. A quantificacao de TBARS foi realizada nas amostras de ovos armazenados nos dias 0, 7, 14, 21, 30, 35, 42, 49 e 60 de armazenamento, em quadruplicata. Para o ensaio com as gemas cozidas, as quantificacoes de TBARS foram realizadas aos 0, 7, 14, 21 e 30 dias de armazenamento refrigerado, em duplicata.

 

Delineamento Experimental

O ensaio de armazenamento dos ovos in natura foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado e com estrutura de tratamentos fatorial 2 x 3 x 2 (2 oleos vegetais, 3 niveis, 2 temperaturas de armazenamento), com um tratamento controle negativo adicional. O periodo de armazenamento foi considerado como um fator longitudinal, variando de cinco tempos (0 a 30 dias) sob R e em TA, ate nove tempos (0 a 60 dias) sob R.

Do mesmo modo, o ensaio de armazenamento de gemas cozidas foi conduzido em delineamento inteiramente casualizado e com estrutura de tratamento fatorial 2 x 3 (2 oleos vegetais x 3 niveis), com um tratamento controle negativo adicional. O periodo de armazenamento foi considerado como um fator longitudinal, variando de cinco tempos (0 a 30 dias) sob refrigeracao a 4ºC.

 

Análise estatística

Os dados foram analisados adotando-se um modelo misto, com efeito fixo para os tratamentos e aleatorio para os periodos de armazenamento, utilizando-se o procedimento PROC MIXED do software Statistical Analysis System (SAS 9.3). As medias foram comparadas pelo teste de Tukey em 5% de significancia.

 

Resultados e discussão

Do inicio do ensaio (dia 0) ate sete dias de armazenamento, nao foram verificados efeitos significativos da adicao dos oleos nas dietas das poedeiras durante a fase de producao sobre a oxidacao dos lipidios da gema, expressos em valores de TBARS (Tabela 2), independentemente da temperatura utilizada (R ou TA). Nessa fase, logo apos a postura, e possivel que os mecanismos de protecao antioxidante naturalmente presentes nos ovos, como lecitina, alfa-tocoferol, xantofilas, fosvitina e ovotransferrina, tenham atuado de forma eficiente para proteger os lipidios contra a deterioracao oxidativa (CUPPETT, 2001; LEE; HAN; DECKER, 2002).

 

Tabela 2 – Medias dos valores de TBARS (μmol MDA/kg de gema) de ovos in natura armazenados em diferentes temperaturas, provenientes de poedeiras alimentadas com inclusao de oleos vegetais – Brasilia – 2014

DP = desvio padrao; T = temperatura; R = refrigeracao; TA = temperatura ambiente; CN = controle negativo; CP = copaiba; SC = sucupira; TBARS = substancias reativas ao acido tiobarbiturico; MDA = malonaldeido
1 Medias seguidas de letras maiusculas diferentes na mesma coluna diferem estatisticamente entre os tratamentos nas diferentes temperaturas e na mesma temperatura de armazenamento pelo teste de Tukey (P < 0,05)
2 Letras minusculas diferentes na mesma linha diferem estatisticamente entre os periodos de armazenamento

 

Observou-se, ainda, que somente os ovos de poedeiras com a suplementacao de CP 0,06% sob R e CP 0,03% em TA nao sofreram alteracoes nos valores de TBARS ao longo de 30 dias de armazenamento, o que pode indicar aumento da estabilidade lipidica, mesmo que nao tenha sido detectada diferenca significativa entre os tratamentos em relacao ao CN ao final de 30 dias.

Quando comparados os tratamentos experimentais na mesma temperatura de armazenamento, nao houve diferenca significativa para os ovos armazenados em TA ou sob R. No entanto, quando sao comparados os valores de TBARS nas diferentes temperaturas de armazenamento (R x TA) foi observado que, aos 14 dias, houve aumento significativo somente nos ovos provenientes de CP 0,03% em TA (0,52 μmol MDA/ kg gemas) quando comparados ao CN sob R, mas os valores nao diferiram nos dias subsequentes.

Neste estudo, investigando-se o efeito da temperatura durante o armazenamento, nos ovos sob R houve aumento significativo dos valores de TBARS aos 21 e 30 dias em relacao a 0, 7 e 14 dias. Ja nos ovos armazenados em TA, houve aumento significativo nos valores medios de TBARS aos 14 e 21 dias em relacao a 0 e 7 dias, sendo que, no ultimo dia do armazenamento, o valor medio de TBARS aumentou significativamente em relacao aos dias anteriores. Resultados semelhantes foram descritos por Giampietro et al. (2008) ao avaliarem a oxidacao lipidica de ovos armazenados em TA sem a inclusao de antioxidantes na alimentacao de poedeiras, uma vez que observaram aumentos nos valores medios de TBARS aos 7, 14 e 21 dias, em relacao ao dia zero. Por outro lado, Botsoglou et al. (1997) nao observaram diferencas nos valores de TBARS entre 0 e 30 dias, em ovos de poedeiras mantidos sob R.

Comparando-se as duas temperaturas de armazenamento (R x TA), os valores medios de TBARS foram significativamente superiores para os ovos armazenados em TA (0,60 μmol MDA/kg de gemas) em relacao a R (0,50 μmol MDA/kg de gemas), independentemente da adicao de antioxidantes. Segundo Cruz (2013), o armazenamento em baixas temperaturas aumenta a estabilidade lipidica de ovos, mantendo os valores de TBARS estaveis, em comparacao com os ovos armazenados em temperatura ambiente.

Nos ovos armazenados sob R por 60 dias (Figura 1), verificou-se aumento dos valores de TBARS ao longo do periodo de armazenamento. De forma semelhante, Bolukbasi et al. (2007) verificaram aumento da oxidacao lipidica em ovos refrigerados a 4ºC durante 42 dias de armazenamento com adicao de vitamina E na dieta de poedeiras. Ja os resultados descritos por Botsoglou et al. (2005) e Florou-Paneri et al. (2006) diferem deste trabalho, pois nao relataram aumento na oxidacao lipidica no decorrer dos 60 dias de armazenamento de ovos de poedeiras alimentadas com alecrim, oregano ou vitamina E.

 

Figura 1 – Medias dos valores de TBARS (μmol MDA/kg de gema) de ovos in natura armazenados refrigerados a 4oC, provenientes de poedeiras arracoadas com inclusao de oleos vegetais (P < 0,05) Fonte: elaborado pela autora

 

Aos 35 dias de armazenamento sob R, o resultado medio de TBARS foi menor no tratamento CP 0,03% em relacao ao tratamento SC 0,03%, porem nao foi observada diferenca entre os oleos vegetais e o CN. Aos 42 dias, o tratamento SC 0,06% foi signifi cativamente menor em relacao ao CP 0,06%, mas nao foi observada diferenca signifi cativa entre os oleos vegetais e o CN. Aos 49 dias, os valores medios de TBARS de SC 0,03 e 0,06% foram signifi cativamente maiores que CN. Ja os tratamentos com oleo de CP nao diferiram do CN. Ao fi nal dos 60 dias de armazenamento refrigerado, nao foi verifi cado efeito antioxidante da adicao dos oleos vegetais nas racoes de poedeiras, uma vez que os valores de TBARS nao foram reduzidos em relacao ao CN. Ao contrario, a utilizacao da maior dosagem de copaiba (CP 0,09%) provocou aumento signifi cativo nos valores de TBARS em comparacao ao CN, sugerindo um efeito pro-oxidante nas gemas. Os resultados do presente estudo diferem dos descritos por Florou-Paneri et al. (2005), que observaram efeito antioxidante de oleo essencial de oregano na racao de poedeiras sobre os ovos crus armazenados sob refrigeracao por ate 60 dias.

Segundo Almeida et al. (2006), os compostos de origem vegetal e vitaminas podem atuar tanto como antioxidantes quanto como pro-oxidantes. Estudos realizados por Aguiar et al. (2007) exemplifi cam essa acao ao avaliarem a capacidade dos compostos fenolicos em acelerar o processo oxidativo atraves da reacao de Fenton, na qual ocorre reducao dos metais Fe3+ e Cu3+ para as formas Fe2+ e Cu1+ e estes, por sua vez, reagem mais rapidamente com moleculas de H2O2 gerando radicais OH. Em poedeiras, Chen et al. (1998) e Gebert et al. (1998) relataram efeito pro-oxidante da suplementacao de vitamina E sobre a oxidacao lipidica de ovos armazenados sob refrigeracao.

No ensaio de armazenamento de gemas cozidas (Tabela 3), verifi cou-se aumento do acumulo dos compostos secundarios da oxidacao ao longo do tempo. Ate 21 dias, foi observado que a inclusao de 0,03% e 0,06% de oleo de CP retardou a oxidacao lipidica em comparacao ao CN, uma vez que foram verifi cados valores de TBARS signifi cativamente inferiores. Porem esse efeito se perdeu aos 30 dias. Alem disso, ao aumentar o nivel de inclusao do oleo de CP para 0,09%, foi observado aumento no valor medio de TBARS em relacao aos niveis mais baixos, sugerindo efeito pro-oxidante com o maior nivel de suplementacao. Esses resultados podem despertar o interesse das industrias de processamento de ovos, pois, mesmo apos o tratamento termico, esses compostos vegetais preservaram a sua atividade antioxidante.

 

Tabela 3 – Medias dos valores de TBARS (μmol MDA/kg de gema) de ovos cozidos, provenientes de poedeiras arracoadas com inclusao de oleos vegetais armazenados refrigerados a 4oC – Brasilia – 2014

1 Medias seguidas de letras maiusculas diferentes na mesma coluna diferem estatisticamente entre os tratamentos pelo teste de Tukey (P < 0,05)
2 Letras minusculas diferentes na mesma linha diferem estatisticamente entre os dias de armazenamento
DP = desvio padrao; CN = controle negativo; CP = copaiba; SC = sucupira; TBARS = substancias reativas ao acido tiobarbiturico; MDA = malonaldeido

 

Conclusão

Neste estudo, nao foi verificado efeito antioxidante dos oleos de CP e SC em ovos armazenados in natura sob refrigeracao ou temperatura ambiente quando comparado ao CN.

A inclusao de 0,03% ou 0,06% de oleorresina de copaiba nas racoes de poedeiras pode proteger os lipidios da gema cozida contra a oxidacao durante o armazenamento refrigerado por ate 21 dias.

 

Agradecimentos

Este estudo teve o apoio do Decanato de Pos-Graduacao da Universidade de Brasilia (DPP/UnB), do CNPq atraves do Projeto Producao Animal Sustentavel (PAS) da Rede Multi-disciplinar Pro-Centro- -Oeste e o apoio financeiro de bolsa da Fundacao Coordenacao de Aperfeicoamento de Pessoal de Nivel Superior (CAPES).

 

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