Entrevista – Mário Penz: “Falta de alimentos comprometeu todo um ciclo produtivo”

Data de publicação : 14/06/2018
Fonte : por Leonardo Gottems

Engormix entrevistou com exclusividade o Diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Nutrição Animal, Mário Penz. Na pauta estão os temas que mais preocupam o setor avícola no momento, como os prejuízos e efeitos da greve dos caminhoneiros, a ação antidumping da China e o futuro da cadeia no Brasil. Confira:

Engormix – Como avalia os prejuízos provocados pela greve dos caminhoneiros à avicultura brasileira?

Mário Penz - A indústria da produção animal se caracteriza por uma atividade, como sabemos, que se envolve com o desenvolvimento e a produção de seres vivos, de fluxo contínuo, que não está preparada para qualquer parada imprevista. Assim, qualquer variável não previsível, neste caso a greve dos caminhoneiros, tem um impacto irreversível no processo de produção.

No caso recém acontecido, os frangos deixaram de ser levados aos frigoríficos, comprometendo seus desempenhos e aumentando suas mortalidades. Os animais que resistiram (os mais jovens), tiveram comprometimento de desempenho irreversíveis, cujas consequências finais só poderão ser avaliadas no decorrer das próximas semanas. Reprodutoras não podem ter suas produções reduzidas de forma não planejada. A falta de alimentos comprometeu todo um ciclo produtivo, que depende da constância do fornecimento, para manter suas expectativas produtivas.

O que foi feito com os ovos férteis e os pintos de um dia, produtos deste segmento da avicultura, se não havia transporte? Perda inestimável! As galinhas produtoras de ovos comerciais sofreram o mesmo dano pela falta de alimentos e aqui a indústria também se viu comprometida pela falta de escoamento da produção, que tem um produto cujo prazo validade é muito curto.

Engormix – Quanto tempo acredita que a cadeia vai levar para voltar à normalidade?

Mário Penz - Esta greve trouxe e trará prejuízos impossíveis de serem calculados. O Setor já vinha convivendo com preços de venda baixos (excesso de produção e retração na exportação) e com os preços dos insumos (especialmente milho e farelo de soja) com um aumento inesperado no início do ano. Este desiquilíbrio, por si só, já proporcionava resultados negativos para o setor.

A greve aumentou as perdas, que serão administradas pelas empresas da forma que puderem fazer, para se sustentar. Mas aqui também há outra perda inestimável. A frustração de toda a cadeia de produção (do produtor ao empresário), tendo gerado uma impotência coletiva, para agir. Todo o tipo de ação foi experimentada (associações de classe, empresas, produtores) para mitigar o problema, mas a gravidade da greve foi se exacerbando, com o passar dos dias.

Engormix – O que podem fazer os técnicos do setor para minimizar os dados e acelerar a recuperação?

Mário Penz - As alternativas técnicas para minimizar as perdas decorrentes da greve serão muito variadas e dependerão das estratégias de casa empresa, seja ela exportadora ou não. Uma situação tão complexa não terá uma solução simples e que permita ser implementada por todo um setor, que apresenta as mais diferentes características de negócio.

Engormix – O que avalia sobre as medidas antidumping aplicadas pela China ao frango brasileiro?

Mário Penz - Estes confrontos são comuns no mercado internacional. Espero que o Governo Brasileiro consiga reagir de forma rápida e concreta, demonstrando que não faz parte da proposta de comércio internacional do País e do segmento avícola se valer deste expediente (dumping) para conquistar e manter mercados. Se esta fosse a estratégia brasileira, certamente nosso País não seria o maior exportador de carne de frango do mundo, atendendo mais de 150 países com o nosso produto.

 
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