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Perspectivas da produção Mundial de carnes, 2007 a 2015

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Produzir carnes é um bom negócio!  Três fatores importantes podem comprovar esta afirmação:
1 – O número de consumidores está aumentando.
Atualmente a população mundial é de 6,4 bilhões de pessoas; no ano 2030 ela passará para 8,1 bilhões e em 2050 chegaremos próximos aos 9 bilhões. Esta população vem crescendo mais nos paises Em Desenvolvimento do que nos paises Desenvolvidos. Nestes últimos, o controle voluntário da natalidade, tem mantido a população praticamente constante, sendo que em alguns deles tem inclusive diminuído. De 2005 a 2030 a população mundial crescerá em média 26%, sendo apenas 3,6 % nos paises Desenvolvidos e 31,8% nos paises Em Desenvolvimento (Quadro 1).

Quadro 1: Tendências de crescimento da população humana, 2005 a 2030.

 

2005

2030

%

Mundo

6,453

8,130

26,0

Países Em  Desenvolvimento

5,117

6,746

31,8

Países Desenvolvidos

1,336

1,384

3,6

Fonte: L. Roppa, 2006.

Na Ásia e na África, ela aumentará acima da média mundial, com 26 e 66% respectivamente (Quadro 2). Na América Latina crescerá 5,8%, enquanto que na Europa diminuirá 11,6 %. No ano 2030 estima-se que 86% da população mundial estarão vivendo na Ásia, na África e na América Latina.

Quadro 2: Perspectivas do crescimento da população, 2005 a 2030

 

2005

2030

Dif. %

Ásia

3,868

4,887

26,3

África

0,838

1,398

66,8

América Latina

0,565

0,711

25,8

América Norte

0,337

0,408

21,0

Europa

0,773

0,685

- 11,3

Oceania

0,065

0,041

- 36,9

MUNDO

6,446

8,130

26,1

Fonte: FAO stat, 2005. Elaboração: Luciano Roppa.

2 - O poder aquisitivo das pessoas está aumentando. O consumo de carne tem uma forte correlação com o PIB per capita. À medida que vai aumentando o poder aquisitivo, aumenta o consumo de carne, e, por conseqüência, a produção de carne. Em 1961, o PIB per capita no mundo era de US$ 2.676 e o consumo de carne por pessoa era de 23 kg. Em 2001, cresceu para US$ 5.611,00 e o consumo cresceu para 38 kg. Em 2030, o PIB deverá ser de US$ 7.600,00 por pessoa e o consumo deverá crescer para 45 kg (Quadro 3).

Quadro 3: Crescimento do poder aquisitivo e o consumo de carnes

Ano

PIB
(US$ 1995/capita)

Consumo de Carne,
Kg/pessoa/ano

1961

2.676

23,1

1971

3.714

27,8

1981

4.376

30,8

1991

4.992

34,4

2001

5.611

38,6

2030

7.600

45,3

Fonte: Luciano Roppa, 2006.

 



Em que países está aumentando o PIB per capita?

O PIB mundial per capita crescerá em média 2,9% por ano, até 2010; nos países Em Desenvolvimento crescerá 4,5%, nos países Desenvolvidos 2,4% e nos países em Transição 3,8%. Portanto, o grande crescimento do poder aquisitivo se dará nos países em Transição e nos paises Em Desenvolvimento. No Quadro 4 podemos verificar o PIB das 7 maiores economias do mundo atualmente e qual a perspectiva para 2030, de acordo com dados da Goldman Sachs e FMI. Atualmente, só um país considerado Em Desenvolvimento está entre as 7 maiores economias do Mundo: a China. Em 2050, porem, apenas 2 países atualmente Desenvolvidos farão parte desta seleta lista (Estados Unidos e Japão). Índia, Brasil, México e Rússia ultrapassarão as economias da Alemanha, Reino Unido, França e Itália, passando a fazer parte das “7 maiores economias do Mundo”.

Quadro 4: Perspectivas do crescimento do PIB, 2005 a 2030.



3 - A qualidade da alimentação continuará melhorando. A melhora do poder aquisitivo, além de aumentar quantitativamente o consumo de carne, tem influenciado também a melhora qualitativa da alimentação humana. Como podemos ver no Quadro 5, à medida que melhora a renda per capita de uma população, ela migra gradativamente para uma alimentação de melhor qualidade. Populações de baixa renda têm nas raízes e grãos (proteínas vegetais) a base de sua alimentação. À medida que a renda aumenta, a alimentação passa a ter como base as Proteínas Animais (carne, leite) além das frutas e vegetais. Atualmente, populações de maior renda baseiam sua alimentação nos alimentos dietéticos e funcionais.

Quadro 5 – Efeito do poder aquisitivo sobre os hábitos alimentares da população humana.


Em 1960, quando a renda per capita era de aproximadamente 2.600 dólares por ano, a população mundial consumia em média 2.360 Kcal por pessoa; Hoje, com uma renda próxima a 5.800 dólares por ano, temos um consumo de 2.800 Kcal por pessoa. No ano 2030, com a melhora do poder aquisitivo para 7.600 dólares, passaremos a consumir 3.040 Kcal por pessoa (Quadro 6).

Quadro 6: Quilocalorias disponíveis por pessoa, 1960 a 2030.

Ano

Renda per capita
(US$/pessoa/ano)

Quilocalorias (Kcal)
disponíveis por pessoa

1960

2.600

2360

2007

5.800

2800

2030

7.600

3040

Fonte: Luciano Roppa, 2007.

 



No Quadro 7 podemos acompanhar a evolução do tipo de alimento consumido pela população humana desde o ano de 1980 até os dias de hoje, e sua projeção para o ano 2030. Como vemos, o crescimento do consumo das proteínas vegetais é bastante modesto, quando comparado com o crescimento do consumo dos alimentos à base de proteínas animais. Este Quadro comprova também que produzir carne é um bom negócio, pois o crescimento do consumo é uma garantia importante de que se trata de um mercado em franca expansão.

Quadro 7: Evolução do consumo de alimentos pela população humana

 

Cereais

Raízes e Tubérculos

Leite

Carne

Total
Kcal/pessoa/dia

1980

160,1

73,4

76,5

29,5

2.549

1990

171,0

64,5

76,9

33,0

2.704

2000

165,4

69,4

78,3

37,4

2.789

2030

165,0

75,0

92,0

47,0

3.040

Crescimento
1980 a 2030

3,0

2,2

20,2

59,3

19,2

Resumindo, num futuro próximo, teremos: uma maior população, com maior poder aquisitivo e se alimentando melhor que atualmente. Nosso desafio como produtor de alimentos será o de aumentar a produção em 40% nos próximos 22 anos, para atender à demanda das 8,1 bilhões de pessoas estimadas para 2030. Teremos que fazer isso em um planeta que passa por um período de grandes transformações climáticas, ambientais e com a agravante de vivenciar um momento de maior incidência de enfermidades limitantes à produção animal.

Consumo atual de carne no mundo

Em 2006, o consumo mundial de carnes foi próximo a 262 milhões de toneladas, o que correspondeu a uma média de 40,3 kg de carne por pessoa (Quadro 8). A carne mais consumida foi a de Suínos, com 15,9 kg por pessoa, representando 39,5% do total das carnes. Em segundo lugar veio a carne de Aves, com 12,6 kg e representando 31,3% do consumo. A carne Bovina apresentou um consumo de 9,9 kg e a de Ovelhas e Cabras 1,9 kg.

Quadro 8: Consumo per capita de carnes, 2006 (kg/pessoa/ano).



Quando analisamos o consumo de carnes por Continente (Quadro 9), verificamos que o maior consumo per capita ocorre na América do Norte (141 kg), seguido da Oceania (96,9 kg), Europa (79,1 kg), América Latina (49,4 kg), Ásia (28,8 kg) e África (13,6 kg). Em relação è preferência de um determinado tipo de carne, notamos que a Europa e a Ásia possuem uma preferência pela carne suína; a África e a Oceania preferem a carne bovina e as Américas preferem a carne de aves.

Quadro 9: Preferência do consumo de carnes por Continente, 2006 (kg/pessoa/ano).



Se multiplicarmos o consumo per capita de carnes, pela população de cada Continente, teremos como resultado o tamanho do mercado em cada região do Mundo. Como podemos visualizar no Quadro 10, o maior consumo quantitativo de carne ocorre na Ásia com 112,9 milhões de toneladas, seguida da Europa (57,3), América do Norte (46,9), América Latina (27,6) África (12,1) e Oceania (3,2).
 
Quadro 10: Consumo atual de carnes por Continente, 2006 (milhões de toneladas)



Onde crescerá o consumo de carnes no futuro?

Estamos presenciando atualmente, um fenômeno de migração de consumo dos mercados ricos e maduros para os mercados emergentes, que são novos e desiguais.
O consumo de carne cresce à medida que cresce o salário, porém esta verdade só é válida até um certo ponto, conhecido como “ponto de saturação”. A tendência de crescimento é constante até atingir 80 a 100 kg de consumo per capita por ano. A partir desse ponto, ele começa a se estabilizar. A Europa, por exemplo, já tem um alto consumo de proteínas animais (mais de 200 kg por pessoa, por ano) e apesar do crescente poder aquisitivo, tem dificuldade de aumentar seus consumos.
No ano 2020, o consumo per capita de carnes continuará alto nos países Desenvolvidos. Porém, por estar já próximo ao ponto de saturação, o crescimento do consumo terá uma menor intensidade. A população dos países Desenvolvidos, que consumia 74 kg per capita em 1983, deverá aumentar seu consumo para 83 kg em 2020, segundo dados da FAO (Quadro 11), o que representará um aumento de 9 kg/pessoa nesse período.
Nos países Em Desenvolvimento, o consumo deverá crescer de 21 para 30 kg per capita no mesmo período. Nesta faixa da população mundial, devido à melhora no poder aquisitivo e pelo fato de estar longe do ponto de saturação do consumo, o aumento será de 16 kg.

Quadro 11: Diferenças no aumento do consumo per capita de carnes nos países Desenvolvidos e nos países Em Desenvolvimento, 1983 a 2020


Em termos quantitativos, se multiplicarmos o consumo per capita pela população desses países, poderemos notar que o grande aumento ocorrerá nos países Em Desenvolvimento. Enquanto que nos países Desenvolvidos o consumo crescerá em 27 milhões de Toneladas (de 99 para 115), nos países em Desenvolvimento crescerá 138 milhões (Quadro 12), passando de 50 milhões de T em 1983, para 188 milhões em 2020. O forte crescimento populacional e a melhora do poder aquisitivo desses países são os principais motivos deste considerável aumento.

Quadro 12: Diferenças no aumento do consumo total de carnes nos países Desenvolvidos e nos países Em Desenvolvimento, 1983 a 2020


As perspectivas do crescimento do consumo de carnes por Continente, considerando o período de 2005 a 2020, estão sumarizadas no Quadro 13. Como podemos ver por este Quadro, na América do Norte, o consumo crescerá de 47 para 55 milhões de toneladas (8 milhões de aumento) e na União Européia (EU 25) crescerá 7 milhões. Juntas crescerão 15 milhões de T, que é um número inferior ao crescimento do consumo na América Latina, que será de 19 milhões de T. O maior crescimento ocorrerá na Ásia e Oceania, com 37 milhões de T. Interessante notar, que em termos quantitativos, o consumo de carnes na América Latina no ano 2020, será muito próximo ao consumo da União Européia (48 contra 47 milhões de T).

Quadro 13: Aumentos do consumo total de carnes por Continente, 2005 a 2020 (milhões de Toneladas).



Onde crescerá a produção animal no futuro?

Agora que já falamos do Consumo, vamos abordar o tema da Produção de carnes. Quarenta anos atrás, metade da carne do Mundo era produzida nos países Em Desenvolvimento e a outra metade nos países Desenvolvidos. Hoje, cerca de 63% é produzida nos países Em Desenvolvimento. Esta tendência tende a crescer, de tal forma que em 2030 mais de 70% será produzida nesses países (Quadro 14). O mesmo deverá ocorrer com a produção de cereais: no ano de 2030, 59% da produção deverá ocorrer nos países Em Desenvolvimento e 41% nos países Desenvolvidos.

Quadro 14: Perspectivas do crescimento da produção de carnes, 1968-2030 (milhões de toneladas).

A pergunta que cabe agora é a de saber qual dos 275 países considerados Em Desenvolvimento tem melhores condições para aumentar a produção de grãos e de carne? No conhecimento atual, com as atuais técnicas de produção, a tendência é de que a produção animal e vegetal aumente nos países com as seguintes características: terra agricultável disponível, clima adequado, mão de obra qualificada, custo competitivo, que tenha boas técnicas de produção, que produza com base em conceitos de Qualidade, Segurança Alimentar e respeito ao Meio Ambiente.
Para aumentar a produção atual de 262 para 404 milhões de toneladas de carne no ano 2030, teremos que aumentar a nossa produção de grãos dos atuais 770 para 1.212 milhões de T. Para este aumento necessitaremos de uma área adicional de terra plantada de 150 milhões de hectares, considerando a produtividade atual e uma produção média de grãos e oleaginosas de 3 toneladas por hectare. Dispor de áreas adicionais de 150 milhões de Há é um desafio para muitos países, apesar da área total do Mundo ser de 51,3 bilhões de Há. É que desse total, só 14,7 bilhões são de terra e só 1,5 bilhões são de terra cultivável, no atual conhecimento tecnológico. Os países Em Desenvolvimento que dispõem de maiores quantidades de terra agricultável atualmente são o Brasil, Congo, Rússia, Angola, Argentina, Sudão e China.
Outro fator limitante ao aumento da produção de carnes é a disponibilidade de Água. Para produzir 1 quilo de carne bovina, são necessários 16 metros cúbicos de água. No mesmo raciocínio, são necessários 10 m3 para a carne de Ovinos, 6 para a carne Suína e 3 para a carne de Frango. Neste quesito de água disponível, notamos que a América do Sul e Central possuem uma boa vantagem, pois possuem 31% da água doce disponível no Mundo e apenas 6% da população humana. Em contrapartida, a pior situação é a da Ásia, que possui 27% da água disponível, mas abriga 59% da população mundial. Outra situação limitante é a da África, que possui 9% da água, abriga 13% da população mundial e apresenta fortes taxas de crescimento populacional, apesar da incidência da AIDS.

Qual tipo de carne será mais produzido no futuro?

As perspectivas da FAO/OCDE para 2015 estão no Quadro 15. Em relação à produção de 2006, o mundo terá que aumentar a produção em 19 % (em função do aumento da população e do aumento do consumo per capita), passando de 267 pra 318 milhões de toneladas. O maior crescimento ficará com a carne de aves (23,1%) e o menor com a carne suína (16,7%).
Sob o ponto de vista quantitativo, a carne bovina chegará a uma produção de 77,8 milhões de toneladas, a carne de frango a 103 e a carne suína a quase 123. Em 2015, a maior produção e o maior consumo per capita, continuarão sendo de carne suína.

Quadro 15: Produção esperada de carnes para 2015.

 

2006

2015

%

Aves

83,820

103,235

23,16

Bovinos

65,922

77,834

18,06

Suínos

105,382

122,979

16,70

Ovelhas

12,015

14,093

17,29

Total

267,139

318,141

19,09

Fonte: Luciano Roppa, 2006 – baseado em FAO/OCDE Statdata

 

 

Quais países irão produzir mais carne no futuro?

Como já mencionamos, a produção de carnes Bovina, Suína e de Frangos, irá crescer de 267 para 318 milhões de toneladas, no período de 2006 a 2015. O maior crescimento quantitativo irá ocorrer na China, com um aumento de 18,2 milhões de toneladas (Quadro 16). O segundo maior crescimento ocorrerá no Brasil, com 7,2 milhões de toneladas. Nesse período, os Estados Unidos passarão de 3º para 2º maior produtor mundial, ultrapassando a União Européia (EU-25). A China aumentara sua participação mundial de 27,2 para 28,5 % do total de carnes produzidas.

Quadro 16: Crescimento da produção de carnes por país, 2006 a 2015 (milhões de Toneladas).

 

2006

2015

Crescimento, %

Quantidade

Mundo

267,14

318,14

19,1

51,00

China

72,67

90,91

25,1

18,24

USA

39,71

45,06

13,4

5,35

EU 25

40,62

42,01

3,4

1,39

Brasil

21,09

28,36

34,4

7,27

Índia

5,79

7,52

29,8

1,73

Rússia

5,43

6,98

28,7

1,55

México

5,09

6,10

20,0

1,01

Argentina

4,36

5,06

16,1

0,70

Japão

2,97

2,74

(7,8)

- 0,23

Fonte: FAO/OCDE statdata, 2006 – Elaboração L. Roppa, 2006

Com base nas perspectivas atuais de crescimento da produção, 47% das carnes em 2020 serão produzidas na Ásia e Oceania, 18% na América do Norte, 16% na América Latina, 13% nos 25 países da atual União Européia e apenas 6% na África (Quadro 17%). A tendência atual, é que a produção continue crescendo principalmente na Ásia e na América Latina, aumentando sua participação. A Europa mostra uma clara estabilidade na produção, com crescimentos muito pequenos em relação à média mundial, em virtude da pouca disponibilidade de terra, problemas com os dejetos e maiores custos de produção. A América do Norte terá crescimentos maiores que os da Europa, mas também estará abaixo da media mundial. Em 2020, a América Latina já estará produzindo com folga mais carne que a Europa, que sempre foi considerada um dos maiores produtores mundiais.

Quadro 17: Localização da produção de carnes no ano 2020 (% da produção mundial).



Perspectivas da produção mundial de carne de Aves


De 2006 a 2015, a produção de carne de Aves crescerá 23,2% (Quadro 18). É o maior crescimento percentual entre todas as carnes, devido à sua crescente preferência de consumo. Países como o Brasil, México, Rússia e Índia apresentarão crescimentos bem acima da média mundial, enquanto que a União Européia e os Estados Unidos crescerão abaixo da mesma. Em 2015 o Brasil já deverá estar produzindo mais carnes de Aves, do que todos os 25 países da União Européia juntos. A China, segundo produtor mundial, também deverá crescer abaixo da média mundial, sendo que um dos fatores mais limitantes à sua expansão está relacionado a questões sanitárias.

Quadro 18: Perspectivas do crescimento da produção de Carne de Aves, 2006 a 2015 (milhões de toneladas)

Perspectivas da produção mundial de carne Bovina

De 2006 a 2015, a produção de carne Bovina crescerá 18 % (Quadro 19). Os Estados Unidos são os maiores produtores mundiais, mas após dos episódios da ocorrência da doença da “vaca louca”, diminuíram seu ritmo de crescimento. O Brasil, com forte crescimento (38,2% no período) chegará bem próximo da produção do líder em 2015, com condições muito favoráveis para ultrapassá-lo antes do final da próxima década. Países como a China e Índia apresentarão crescimentos acima da média mundial, enquanto que a produção deverá ser decrescente na União Européia e Austrália. Em 2015 o Brasil já deverá estar produzindo mais carnes de Aves, do que todos os 25 países da União Européia juntos. A China, hoje quarto produtor mundial, deverá conquistar o terceiro lugar até 2015, ultrapassando a declinante União Européia.

Quadro 19: Perspectivas do crescimento da produção de Carne Bovina, 2006 a 2015 (milhões de toneladas)



Perspectivas da produção mundial de carne Suína

De 2006 a 2015, a produção de carne Suína crescerá 16,7 % (Quadro 20). A China é disparada a maior produtora mundial, e continuará seu forte ritmo de crescimento, apesar dos recentes casos de PRSS (doença da “orelha azul”). Possui hoje 48% da produção mundial, mas passará a ter mais da metade (51%) em 2015. A União Européia e os Estados Unidos, segundo e terceiro colocados respectivamente, estarão crescendo abaixo da média mundial mas manterão com folga sua atual posição. Países como o Brasil e o Canadá apresentarão crescimentos acima da média mundial, mas ainda estarão muito abaixo dos 3 maiores produtores. Atualmente, notam-se esforços de crescimento organizado por incentivos governamentais principalmente na Rússia e alguns países da Europa do Leste e uma diminuição da produção no Vietnam em virtude de problemas sanitários (PRSS).

Quadro 20: Perspectivas do crescimento da produção de Carne Suína, 2006 a 2015 (milhões de toneladas)



Disponibilidade de Carnes dos maiores produtores mundiais

Agora que analisamos o Consumo e a Produção de carnes de várias potencias neste setor, é chegada a hora de verificar qual é a sua disponibilidade para exportação ou necessidade de importação. Em outras palavras, da produção de cada país temos que subtrair o seu consumo interno, para verificar se este país tem excedentes para exportar ou se possui um déficit interno e precisará importar um determinado tipo de carne. O resumo desta Disponibilidade (produção menos consumo) está resumido no Quadro 21, que mostra a situação dos 11 maiores produtores mundiais.
É importante frisar, que Disponibilidade não é sinônimo de Quantidade Exportada. Podemos notar este fato olhando os números dos Estados Unidos, por exemplo: eles exportam 1,2 milhões de T de carne suína atualmente, mas sua disponibilidade interna é de apenas 336 mil T. A diferença é explicada pelas importações de suínos do Canadá, cuja carne é beneficiada nos EUA e passa a fazer parte das suas exportações.
Como podemos observar, o Brasil possuirá em 2015 (como já possui atualmente), a maior disponibilidade de carnes para exportação, com excedentes de carne de Aves, Bovinas e de Suínos. Como as importações de carnes do Brasil são insignificantes em relação à sua produção, o valor de 7,8 milhões de T é totalmente disponível para exportação. Os Estados Unidos ficam em segundo lugar, com excedentes para exportação de carne de frango e carne suína, mas com necessidades de importar carne bovina.

A China, que possui a maior população do planeta (1,35 bilhões de pessoas) é auto suficiente em carne bovina, é exportadora de carne suína e importadora de carne de frango. A Índia, que possui a segunda maior população (1 bilhão de habitantes), é exportadora de carne bovina e auto suficiente em carne de frango e carne suína.

Quadro 21: Disponibilidade de carne nos principais produtores mundiais (Produção – Consumo), 2015.

 

Carne Bovina

Carne de Aves

Carne Suína

Total

Brasil

+ 2,704

+ 4,369

+ 0,804

+ 7,877

EUA

- 0,546

+ 3,379

+ 0,336

+ 3,169

Austrália

+ 1,325

+ 0,039

- 0,110

+ 1,254

Argentina

+ 0,956

+ 0,199

+ 0,070

+ 1,225

UE 25

- 0,529

+ 0,292

+ 1,368

+ 1,131

Índia

+ 0,628

- 0,005

+ 0,017

+ 0,640

China

- 0,058

- 0,569

+ 0,257

- 0,370

Japão

- 1,162

- 0,658

- 1,356

- 3,176

Rússia

- 0,753

- 1,049

- 0,544

- 2,346

México

- 0,197

- 0,634

- 0,367

- 1,198

Coréia Sul

- 0,393

- 0,199

- 0,301

- 0,893

Fonte: FAO/OCDE statdata, 2006 – Elaboração L. Roppa, 2006

O que pode mudar essas perspectivas de produção e consumo de carnes?

Estas perspectivas em relação ao aumento na produção e no consumo de carnes no futuro poderão ser alteradas em função da ocorrência de enfermidades nos animais que possam ser transmitidas ao Homem. Um exemplo recente é o da Influenza Aviar, que diminuiu o consumo de carne de frango em toda Europa, na Ásia e em várias outras partes do mundo. Mas não é só a influenza aviária que pode afetar toda essa trajetória crescente do consumo de carne. A doença da vaca louca já causou isso e continua causando a queda no consumo de carne bovina no Japão e em outros paises. A febre aftosa é outro exemplo, por poder paralisar as exportações de um país.
Outro fator que pode causar impacto e reduzir o consumo de carnes é a presença de substancias indesejáveis, como as Dioxinas, os Metais Pesados, os Antibióticos proibidos para uso em animais, entre outros. Enfim, qualquer doença ou substancia que afete a segurança alimentar, pode ser um fator desencadeante de um processo de redução de consumo e pode alterar os prognósticos mostrados neste trabalho.

Nota do Autor: Esta palestra já foi apresentada nos EUA, Chile, Argentina, África do Sul, Inglaterra, Holanda, França, Espanha, México, Canadá e para vários executivos das principais Empresas brasileiras, com a finalidade de orientar a produção e explorar as possibilidades de crescimento futuro no mercado mundial de carnes. A todos que colaboraram com suas perguntas para o enriquecimento da mesma, nosso agradecimento especial.

Referencias:

1 - “Livestock to 2020: the next food revolution” IFPRI (International Food Policy Research Institute), USA FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) ILRI (International Livestock Research Institute), Kenya. Publicado em 1999

2 - “World agriculture towards 2015-2030” FAO (Food and Agriculture Organization of the United Nations) Publicado em 2006

3 - USDA agricultural projections to 2016” USDA Interagency agricultural projections committee Publicado em Fevereiro 2007.

4 - “FAPRI agricultural outlook 2006” Iowa University, USA Publicado em Fevereiro 2007.

5 - “Fish to 2020: Supply and Demand in Changing Global Markets”, Delgado et al, 2002.

 

(27547)
(1)
Re: Perspectivas da produção Mundial de carnes, 2007 a 2015
26/10/2011 | apostamos em um significativo crescimento , além da carne inatura , da carne semi processada pois a tendendencia da população associar o crescimento a praticidade , as empresas devem investir no desenvolvimento de semi - processados pois é um mercado em abertura e passará nos proximos anos por um substancial crescimento.
j.wilson
hb foods
(0)
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