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Leite Soja Morfométricas Intestinais Leitões

Substituição da proteína do leite em pó desnatado pelo isolado protéico de soja sobre características morfométricas intestinais de leitões no período de 21 a 35 dias de idade

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Sumário

RESUMO - Este trabalho teve como objetivo verificar o efeito da substituição da proteína do leite desnatado em pó pelo isolado protéico de soja em rações para leitões desmamados aos 21 dias de idade, sobre a morfometria intestinal e relação peso de pâncreas/ peso de carcaça. Foram utilizados 80 leitões desmamados, no período de 21 a 35 dias de idade, distribuídos em delineamento de blocos ao acaso com 5 tratamentos e 4 repetições, de 4 animais cada (2 machos e 2 fêmeas), totalizando 16 leitões por tratamento. Os tratamentos se constituíram na substituição protéica (0%, 25%, 50%, 75% e 100%) do leite desnatado em pó pelo isolado protéico de soja. Todas as dietas apresentaram mesmo conteúdo protéico (20,05%) , energético (3420 kcal ED/kg de dieta) e de lactose (8,16%). Foram realizadas análises morfométricas do intestino delgado, e relação entre peso de pâncreas/peso de carcaça, através do abate de 3 animais/tratamento ao término do período experimental. Não houve alterações morfométricas para altura de vilosidade, e alterações da relação entre peso de pâncreas/peso de carcaça.

Palavras-chave: isolado protéico de soja, leite desnatado em pó, leitões, morfologia intestinal.

Introdução

O desenvolvimento tecnológico da suinocultura demanda maior produção por porca ao ano. Para alcançar as metas estimadas, a diminuição da idade de desmame tem sido uma prática constante. Para isto há a necessidade de utilizar ingredientes mais digestíveis nas rações, para evitar transtornos gastrointestinais na fase de adaptação dos leitões as novas dietas após o desmame. Alguns produtos causam diminuição da reação de hipersensibilidade transitória causada pelo farelo de soja, o que se manifesta pelo aumento no tamanho das vilosidades intestinais, melhora na digestibilidade e maior ganho de peso, quando comparado com farelo de soja.

DUNSFORD et al. (1989), observaram diminuição no tamanho do vilo intestinal e aumento da lâmina própria, em leitões desmamados aos 21 dias e alimentados com dietas à base de milho e farelo de soja e caseína, sugerindo que o fornecimento de altas concentrações de farelo de soja (44% da dieta) a leitões após o desmame tem efeito deletério no intestino delgado, sendo este efeito minimizado quando o farelo de soja é adicionado às dietas baseadas em milho.

Leitões desmamados aos 21 dias de idade e alimentados com 35% de leite desnatado em pó na dieta, apresentaram maior comprimento de vilo do que os alimentados com 38% de farelo de soja, e também maiores vilos do que os alimentados com produtos de soja (24% de concentrado protéico de soja, 24% de concentrado protéico de soja extrusada, e 21% isolado protéico de soja na dieta). Estes, no entanto, tiveram vilos mais longos, maiores áreas de vilo e maior comprimento de perímetro de vilo do que os alimentados com farelo de soja, indicando que o processamento do farelo de soja deixa-o mais disponível para a alimentação de leitões jovens (LI et al., 1991).

CHEN et al. (1992) não observaram efeito de 0 e 20% de soro de leite em pó em dieta à base de milho e farelo de soja sobre o peso de pâncreas, em leitões desmamados aos 28 dias de idade. Porém, leitões desmamados aos 21 e 28 dias de idade, e alimentados com dietas à base de milho e farelo de soja apresentaram peso de pâncreas menor do que os alimentados com dietas contendo milho, farelo de soja e soro de leite em pó (CERA et al., 1990). O maior peso de pâncreas durante o período inicial pós-desmame provavelmente reflete o maior peso corpóreo e ganhos em resposta ao soro dietético, porque nenhuma diferença no peso do pâncreas/kg de peso corpóreo é aparente entre os animais alimentados com dietas à base de milho e farelo de soja, contendo ou não soro de leite (CERA et al., 1990). Este trabalho teve como objetivo avaliar a morfometria intestinal e a relação peso de pâncreas/ peso de carcaça de leitões dos 21 aos 35 dias de idade, submetidos a diferentes níveis de substituição da proteína láctea pelo isolado protéico de soja.

 

Material e Métodos

Foram utilizados 80 leitões (40 machos e 40 fêmeas), em um período experimental de 15 dias, 21 aos 35 dias de idade, com peso inicial de 5,78±0,15kg, distribuídos em delineamento experimental de blocos casualizados, com 5 tratamentos e 4 repetições de 4 leitões cada (2 machos e 2 fêmeas), totalizando 16 leitões por tratamento.

Os tratamentos constituíram-se dos níveis de substituição protéica do leite desnatado em pó pelo isolado protéico de soja – NURISH 1500 PROTEIN® (0%, 25%, 50%, 75% e 100%), sendo que os níveis de leite desnatado em pó foram diminuídos com subsequentes aumentos do isolado protéico de soja e lactose, de maneira a manter todas as dietas com um mesmo conteúdo protéico (20,05% de P.B.), energético (3420,00 kcal ED/kg de dieta) e em lactose (8,16%), conforme Tabela 1.

Tabela 1 - Dietas experimentais da fase pré-inicial

Após o término do período experimental , 3 animais de cada tratamento foram abatidos através da secção da veia jugular, para coleta de pâncreas, e fragmentos do intestino delgado, assim como para a pesagem das carcaças.

As características morfométricas intestinais avaliadas foram altura de vilo (HVILOS, mm), profundidade de cripta (PCRIP, mm). Foi medido a relação entre peso de pâncreas (g)/ peso de carcaça (kg).

Após o abate dos animais, os pâncreas foram retirados, e pesados imediatamente após o término da retirada dos fragmentos de intestino delgado.

Amostras de aproximadamente um centímetro de comprimento, da porção proximal do duodeno foram coletadas de cada animal, abertas pela borda mesentérica, lavadas, estendidas pela túnica serosa e fixadas em solução de Bouin, em frascos de vidros identificados com o número de cada animal, para posterior processamento.

Depois de 24 horas na solução fixadora de Bouin, as amostras foram lavadas em álcool etílico à 70%, e posteriormente desidratadas em série crescente de álcoois. Após desidratação, foram recortadas, diafanizadas em benzol e incluídas em parafina, de modo a se obter cortes longitudinais da mucosa intestinal.

Em cada lâmina histológica foram colocados 6 cortes semi-seriados com 5 mm de espessura, sendo que entre um corte e o subsequente foram desprezados 6 cortes. Os cortes foram corados segundo as técnicas da hematoxilina de Harris-eosina.

Com as lâminas prontas, foram efetuadas 30 medidas de altura de vilosidades (micra) e 30 de profundidade de cripta (micra) para o segmento do duodeno coletado.

As medidas de HVILOS foram tomadas a partir da região basal, que coincide com a porção superior das criptas, percorrendo-a longitudinalmente até seu ápice e as criptas, da sua base até a região de transição cripta-vilo.

A análise morfométrica do intestino delgado foi realizada em um sistema analisador de imagens da KONTRON ELEKTRONIK (Vídeo Plan) através de microscopia de luz, com aumento de 230 vezes.

A análise estatística dos dados obtidos foi realizada através do programa SAS System - General Linear Models Procedure

 

Resultados e Discussão

Através dos dados apresentados na Tabela 2, pode-se observar que a substituição da proteína láctea pela proteína da soja não alterou a altura do vilo, e a profundidade de cripta (P>0.05), em nenhum dos períodos estudados. As respostas morfológicas do intestino delgado ao desmame, levando-o à mudança de seu formato, com conseqüente encurtamento do vilo (NABUURS, 1995), não foram observadas aos 14 dias pós-desmame entre os tratamentos. Estas respostas parecem ser muito visíveis quando leitões são alimentados com o farelo de soja, porém quando estes animais recebem proteína de soja processada, estas alterações morfológicas podem ser minimizadas (LI et al., 1991).

O fato de que dietas contendo isolado protéico de soja não terem modificado o tamanho do vilo em relação à dieta contendo somente proteína láctea, poderia estar relacionado com a digestibilidade da proteína da soja processada, que é semelhante à proteína do leite (SOHN et al., 1994), pois dietas altamente digestíveis e absorvíveis podem minimizar as mudanças abruptas durante a fase transitória de duas semanas pós-desmame.

A relação peso de pâncreas/peso de carcaça foi semelhante entre os tratamentos (P>0,05), conforme apresentado na Tabela 2. Os valores encontrados neste trabalho estão de acordo com CERA et al.(1990), que não observaram diferenças na relação entre o peso de pâncreas/peso corpóreo em animais alimentados com dietas à base de milho e soja, contendo ou não soro de leite. Porém EFIRD et al. (1982) observaram que o crescimento do pâncreas em relação ao crescimento corpóreo foi maior em leitões que receberam dietas contendo proteína de soja do que com dietas contendo leite.

Segundo PASSILÉ et al. (1989) a variação enzimática proveniente do pâncreas está associada com o ganho de peso. Desta forma, animais mais pesados, poderiam responder de forma mais eficiente às mudanças dietéticas no desmame, devido a um sistema digestório mais desenvolvido. Como a fonte protéica parece ser um dos fatores mais importantes, responsáveis pelas mudanças pancreáticas observadas na fase de desmame assim como o desenvolvimento pancreático é mais dependente da mudança dietética do que da idade neste período (PIERZYNOWKY et al., 1993), e neste experimento terem sido observadas diferenças entre os ganhos de peso, e não das relações peso de pâncreas/peso corpóreo nos diversos tratamentos, pode-se afirmar que a proteína láctea e a proteína da soja processada estimularam semelhantemente o desenvolvimento pancreático em leitões desmamados aos 21 dias de idade.

Tabela 2 - Diferentes níveis de substituição do leite em pó desnatado pelo isolado protéico de soja sobre a morfologia intestinal e relação de peso de pâncreas/peso de carcaça de leitões desmamados

 

Conclusões

Ao substituir totalmente a proteína láctea pela proteína da soja foi mantida a integridade do vilo e a relação entre peso de pâncreas/peso de carcaça.

 

Referências Bibliográficas

CERA, K.R., MAHAN, D.C., REINHART, G.A. 1990. Effect of weaning, week postweaning and diet composition on pancreatic and small intestinal luminal lipase response in young swine. J. Anim. Sci.,68: 384-391.

CHEN, S.C., SHEN, T.F., CHEN, S.Y. 1992. Effects of protein sources on the development of digestive enzymes in weaning pigs. Taiwan Sugar,.39(2): 48-23.

DUNSFORD, B.R., KNABE,D.A ., HAENSLY. W.E. 1989.Effect of dietary soybean meal on the microscopic anatomy of the small intestine in the early-weaned pig. J. Anim. Sci.,67:.1855-1863.

EFIRD, R.C., ARMSTRONG, W.D, HERMAN, D.L. 1982.The development of digestive capacity in young pigs: effects of weaning regimen and dietary treatment. J. Anim. Sci., 55(6), p.1370-1379.

LI, D.F., NELSSEN, J.L., REDDY, P.G, et al. 1991. Measuring suitability of soybean products for early-weaned pigs with immunological criteria. J. Anim. Sci., 69: 3299-3307.

NABUURS, M.J.A. 1995..Microbiological, structural and functional changes of the small intestine of pigs at weaning. Pig News and Information,16(3):93N-97N.

PASSILLÉ, A.M.B., PELLETIER, G., MÉNARD, J., et al. 1989.Relationships of weight gain and behavior to digestive organ weight and enzyme activities in piglets. J. Anim. Sci., 67: 2921-2929.

PIERZYNOWSKI,S.G., WESTRÖM,B.R., ERLANSON-ALBERTSSON,C., et al. 1993.Induction of exocrine pancreas maturation at weaning in young developing pigs. Journal of Pediatric Gastroenterology and Nutrition, 16: 287-293.

SOHN, K.S., MAXWELL, C.V., SOUTHERN, L.L., et al. 1994. Improved soybean protein sources for early-weaned pigs: II. Effects on ileal amino acids digestibility. J. Anim. Sci., 72: 631-637.

 
Autor/s.

Possui graduação em Medicina Vet. pela Faculdade de Cs. Médicas e Biológicas (1973), mestrado em Zootecnia Concentração em Nutrição Animal pela Univ. Federal de Viçosa (UFV, 1976) e doutorado em Animal Science - University of Florida (1982). É prof. Titular da Univ. Estadual Paulista -UNESP-. Tem experiência na área de Zootecnia, com ênfase em Exigências Nutricionais dos Animais. É membro da Diretoria do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal (CBNA) e do Conselho do Programa de Pós Graduação em Zootecnia da FCAV/UNESP, assessor Científico da FAPESP e Pesquisador do CNPq, entre outros.
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