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Uma análise sobre a logística agroindustrial da carne na Bahia

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RESUMO

A economia baiana vem apresentando relevantes mudanças na dinâmica do seu crescimento, influenciada certamente por uma conjunção de fatores que passam pela estabilidade da economia brasileira, pelo fenômeno da globalização, pelo papel desempenhado pelo setor público e, sobretudo, pelo setor privado, o tomador da decisão de investir. Este trabalho aborda a cadeia logística agroindustrial da carne bovina na Bahia, objetivando apresentar uma sinopse das informações disponíveis relativas à situação da cadeia produtiva, compreendendo os segmentos da produção, industrialização e distribuição.

PALAVRAS-CHAVE: Logística; agroindústria; distribuição; consumidor final; Bahia

1 INTRODUÇÃO

A Logística é um processo de planejar, programar e controlar os fluxos eficientes de materiais e informações desde a sua origem até o consumidor final para atender todas as suas necessidades do seu cliente. A palavra logística virou modismo no Brasil. Na maioria das vezes é empregada sem o menor critério e, em certos casos, indevidamente. Logística, segundo Aurélio (1998), se origina do francês "logistique", que vem a ser "a parte do planejamento e da realização de várias etapas na guerra (obtenção de suprimentos, armazenamento, transporte, distribuição, manutenção e evacuação de material bélico, instalações e acessórios) destinados a ajudar o desempenho qualquer função militar". Segundo Houaiss (2001), logística refere-se à administração e organização dos pormenores de qualquer operação. Para Drucker (2000), logística "é a última fronteira gerencial que resta ser explorada para reduzir tempos e custos, melhorar a qualidade de serviços e agregar valores que diferenciem e fortaleçam a posição e a competitividade da empresa". No segmento empresarial, a logística é concebida como uma atividade estratégica direcionada para que o cliente receba o produto certo, na quantidade desejada, com a variedade e qualidade estabelecida e no tempo contratado. O papel da logística no mundo é que ela tem fundamental importância na estratégia das organizações isso ocorre de forma integrada, sincronizada entre todos os departamentos e divisões. No mundo atual a logística é uma ferramenta que serve para movimentar produtos e matérias mais rapidamente de modo confiável para os clientes a longa distancia.

O Brasil é um país sem infra-estrutura para competir com resto do mundo isso ocorre por causa do seu modal rodoviário, o mais caro, atrás apenas do aéreo, o país possui gastos equivalentes a 10% do PIB com o transporte rodoviário esse custo é 3,5vezes maior que o ferroviário, 6 vezes maior do que o dutoviário e 9 vezes maior que o hidroviário.

Isso ocorre, a partir da prevalência dos conceitos contemporâneos da logística, ou seja: entregar o que as pessoas desejam, quando desejam e na forma que preferem receber, verificamos que a logística agroindustrial na Bahia ainda se encontra num patamar razoavelmente distanciado do atual estágio da economia do Estado, primeira na região Nordeste e sexta no contexto nacional (SOUZA, 2006). Com efeito, desde os anos 90, a economia baiana vem apresentando relevantes mudanças na dinâmica do seu crescimento, influenciada certamente por uma conjunção de fatores que passam pela estabilidade da economia brasileira, pelo fenômeno da globalização, pelo papel desempenhado pelo setor público e, sobretudo, pelo setor privado, o tomador da decisão de investir (KAEDI, 2007).

Entretanto, quando se analisa o tripé do segmento agroindustrial da carne bovina na Bahia, compreendendo a produção, industrialização e distribuição, verifica-se o descompasso entre o nível de desenvolvimento econômico e o patamar onde ainda se encontra a cadeia logística desse importante segmento da nossa economia, principalmente no que tange a baixa integração vertical do setor. A presença de agentes intermediários, deficiências na fiscalização e controle sanitário, concorrência entre frigoríficos fiscalizados e abatedouros clandestinos, capacidade ociosa dos frigoríficos e limitada diferenciação dos produtos. Como se não bastasse, a concorrência desleal dos abatedouros clandestinos aos produtos dos frigoríficos no mercado consumidor interno, essas unidades industriais enfrentam, também, não só o problema que determina a ociosidade dos seus equipamentos, como as pressões oriundas do mercado externo- com ameaças de suspensão das compras- para implantação de um sistema de rastreabilidade do gado, medida evidentemente insubmissa ao poder da decisão do setor industrial (BATALHA, et al.,2001).

Em relação à ociosidade dos frigoríficos, importa destacar que parte dela é resultante da condição sazonal da pecuária extensiva, sobretudo nas regiões onde a cadeia produtiva é mais desenvolvida, principalmente nos meses de julho e agosto, época da entressafra - final da engorda. As oscilações do preço referente ao animal pronto para o abate rendem ao bezerro e exerce influencia sobre a ociosidade do setor. Isso porque, quando os preços dos bezerros estão mais elevados, há um custo maior para repor o boi gordo, refletindo, conseqüentemente, na redução da oferta de animais para o abate. Na seara financeira os empresários do setor admitem que a comercialização da carcaça (animal abatido sem o couro, o sangue, as vísceras, etc) não gera receita suficiente para cobrir os custos referentes ao abate. Daí porque os frigoríficos adotaram a prática de produzir subprodutos, comestíveis, a exemplo do sangue, do mocotó e do bucho, e não-comestiveis, com destaque para o couro. Desse modo, além da comercialização da carcaça, os frigoríficos ainda esfriam e congelam os miúdos, normalmente para serem utilizados pelas indústrias que fabricam salsichas. Estudos realizados por pesquisadores da cadeia produtiva da carne bovina atestam que as receitas dos frigoríficos baianos resultantes do abate são insuficientes para fazer face ao dispêndio com um quadro de funcionários, com a manutenção e, sobretudo, com a modernização dos equipamentos e instalações(BATALHA,et al., 2001).A titulo de complementação das receitas, essas unidades industriais recorrem para a venda de farinha de carne destinada à fabricação de rações, de sebo, para as indústrias de sabões e, até mesmo, do couro. Nesse caso, a receita desse subproduto só é inteiramente do frigorífico quando o mesmo abate por conta própria. Quando faz na base a prestação de serviços a receita não é totalmente dos frigoríficos, mais sim, divididas pelos terceiros.

2 HISTÓRIA DA LOGÍSTICA

Nos templos bíblicos os lideres militares já utilizava à logística, isso ocorria por causa das guerras que eram muito longas e eram necessários os grandes e constantes deslocamentos de recursos. Para que as tropas sejam transportadas e os seus armamentos eram necessários um planejamento, organização e execução das tarefas logística que envolvia definição de uma rota e também era necessário ter uma fonte de água potável e armazenamento e distribuição de equipamentos e suprimentos (DIAS, 2005).

Carl von Clausewitz dividia a Arte da Guerra em dois ramos: a tática e a estratégia. Não falava especificamente da logística , porém reconheceu que, "...em nossos dias, existe na Guerra um grande número de atividades que a sustentam... mas devem ser consideradas como uma preparação para a mesma".

A verdadeira tomada de consciência da logistica como ciência teve sua origem nas teorias criadas e desenvolvidas pelo Tenente-Coronel Thorpe, do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos da América - (em inglês: United States Marine Corps; abreviação oficial: USMC) - que, no ano de 1917, publicou o livro "Logística Pura: a ciência da preparação para a guerra". Segundo Thorpe, a estratégia e a tática proporcionam o esquema da condução das operações militares, enquanto a logística proporciona os meios".

Assim, pela primeira vez, a logistica situa-se no mesmo nível da estratégia e da tática dentro da Arte da Guerra( BRASIL,2003).

3 FASE DA PRODUCÃO NA LOGÍSTICA

A produção engloba as três fases básicas da cria, recria e engorda que podem ser organizadas verticalmente, quando uma propriedade realiza as três etapas, ou, horizontalmente, quando essas fases são realizadas em propriedades diferentes. O grande desenvolvimento da pecuária de corte bovina no Brasil deu-se a partir do último terço do século passado, resultante da expansão da fronteira agrícola, dos investimentos em plantas industriais e do expressivo movimento em prol das exportações (VENDRAMETTO, et al.,2005). Desde então, surgiram os programas estaduais voltados para a melhoria das pastagens, a implantação e modernização dos frigoríficos visando à obtenção de produtos com melhor qualidade. No entanto, diante da falta de uniformidade desse movimento por todo o país, a produção de carne bovina em nossos dias é bastante heterogênea.

A elevada produtividade bem como a profissionalização das empresas rurais permanece circunscrita nos estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Minas Gerais e São Paulo. Nos demais estados, inclusive na Bahia, o desenvolvimento encontra-se num estágio menos avançado, marcado pela heterogeneidade. Na Bahia, a bovinocultura está presente em um grande número de municípios, observando concentrações mais expressivas nas regiões do Extremo Sul, em torno de Itapetinga e Oeste. Cerca de 10 milhões de cabeças compõem o rebanho baiano, representando 5.1% do total nacional, constituído, na sua maioria, por amimais com aptidão para corte.

4 FASE DA INDÚSTRIA NA LOGÍSTICA

O grande problema da indústria frigorífica brasileira, como a da baiana, é indiscutivelmente a concorrência dos abatedouros clandestinos, até porque não pagam impostos nem sofrem inspeção sanitária. Daí, os preços mais baratos dos seus produtos e a deslealdade na disputa do mercado. Como se não bastasse à concorrência desleal dos abatedouros clandestinos aos produtos dos frigoríficos no mercado consumidor interno, essas unidades industriais enfrentam, também, não só o problema que determina a ociosidade dos seus equipamentos, como as pressões oriundas do mercado externo - com ameaças de suspensão das compras - para a implantação de um sistema confiável de rastreabilidade do gado, medida evidentemente insubmissa ao poder de decisão do setor industrial (GUERREIRA, et al.,2002).

Com relação à ociosidade dos frigoríficos, importa destacar que parte dela é resultante da condição sazonal da pecuária extensiva, sobretudo nas regiões onde a cadeia produtiva é mais desenvolvida, principalmente nos meses de julho e agosto, época da entressafra final da engorda. As oscilações do preço referente ao animal pronto para o abate rente ao bezerro também exerce influência sobre a ociosidade do setor. Isso porque, quando os preços dos bezerros estão mais elevados, há um custo maior para repor o boi gordo, refletindo conseqüentemente na redução da oferta de animais para o abate. Do exposto se conclui que, em termos de retorno econômico, os frigoríficos vivenciam uma situação de dificuldade, notadamente aqueles que operam, apenas, no abate.

5 FASE DA DISTRIBUIÇÃO NA LOGÍSTICA

Essa etapa da cadeia produtiva da carne bovina é realizada pelos próprios frigoríficos que se encarregam de abastecer os mercados externo e interno. Parte da parcela destinada ao mercado interno é absorvida pela indústria de transformação, e parte distribuída no varejo pelos açougues e supermercados, através da venda direta ou indireta. Na direta, para atender os grandes pedidos das redes de supermercados e dos açougues, os frigoríficos trabalham com escala de produção. Cabe aos intermediários o abastecimento dos estabelecimentos de pequeno porte. Como a Bahia não exporta carne bovina, toda a distribuição é destinada para o mercado interno (PIGATTO, et al.,1999)

A maior fatia desse comércio da carne bovina é realizada por agentes informais, até porque o número de estabelecimentos formais no estado é bem reduzido. De acordo com dados de (RAIS, et al.,2005), o comércio atacadista formalmente constituído àquela época era composto de 164 estabelecimentos, responsáveis por 1.016 postos de trabalho formais, instalados em 44 municípios e de forma concentrada, uma vez que, apenas na capital, encontravam-se localizados 54. Ainda com base na pesquisa de (RAIS, et al.,2005), o comércio varejista formal era composto de 1.225 estabelecimentos, empregando cerca de 1.467 trabalhadores com carteira assinada (RAIS, et al.,2005). Esses estabelecimentos encontram-se distribuídos em 202 municípios, estando 320 em Salvador, 66 em Feira de Santana e números cada vez menores nas outras duas centenas de cidades baianas, valendo ressaltar que, 76 dessas dispunham apenas

de um estabelecimento dessa natureza, o que evidencia a fragilidade desse elo da cadeia logística da carne bovina na Bahia. Cabe aos supermercados, sobretudo nas principais cidades, uma grande parcela da distribuição da carne bovina para o consumidor final no estado. Em pequena medida, por estabelecimentos formalmente instalados e, numa relação inversa ao nível de desenvolvimento econômico do município, por um grande número de pontos comerciais informais. Vale destacar que não existem dados razoavelmente precisos de comerciantes atacadistas e varejistas informais.

6 FASE DA CADEIA LOGÍSTICA

A cadeia logística da agroindústria da carne bovina na Bahia é muito frágil, sobretudo pela desvinculação dos elos (etapas da produção, industrialização e distribuição), haja vista que em alguns estados ainda persistem práticas atrasadas e nocivas como a atuação de intermediários que adquirem o gado do produtor e responsabilizam-se pelo transporte e venda do animal ao comerciante final (açougueiro). Importa ressaltar, todavia, as perspectivas promissoras de mudança significativa nesse quadro com a implantação das Portarias 304 e 145 (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento , 2007) que alteraram a legislação sanitária, passando a incentivar a melhoria da higiene e da tecnologia no processo de comercialização e distribuição das carnes. Destaque-se, a propósito, a determinação de que os cortes devem conter registros com informações do animal (procedência, idade, sexo), do abate (data e nome do corte) e do fornecedor (dados e telefones) tudo isso resultando em instrumentos de combate à clandestinidade, essa atividade altamente nociva em quase todas as fases da cadeia (GUERREIRA, et al., 2002).

Daí a crença de que resultem em melhorias na qualidade dos produtos e nas relações entre os "players" de toda a cadeia produtiva, principalmente na sua coordenação, como bem atestam os "programas" que vêm sendo desenvolvidos em todos os quadrantes do país, merecendo destacar, dentre outros, o "Carne de Qualidade", que certifica a origem do animal promovido pelo governo do Rio Grande do Sul; o "FUNDEPC-SP", em São Paulo, que criou uma aliança entre pecuaristas. Os frigoríficos e supermercados com o objetivo de determinar procedimentos para garantir a qualidade da carne; o "PROMMPE", na região Centro-Oeste; o "Novilho Precoce", em Mato Grosso, também estabelecendo alianças mercadológicas para garantir a qualidade da carne para o consumidor final. O "Carrefour", cuja rede possui estreita relação entre pecuaristas e frigoríficos; "Novilho Nelore", coordenado pela Associação de Criadores Nelore do Brasil, que monitora desde a seleção do gado até a distribuição da carne, e o "Red Beef Connections", que conta com a parceria de pecuaristas, empresas de inseminação, de nutrição e de identificação de animais. A para a conscientização de que a cadeia logística da carne bovina na Bahia carece de modernização em todos os seus elos, cabe aos agentes envolvidos deflagrar o processo de capacitação e profissionalização como o único caminho a ser trilhado com vistas à sua inserção competitiva no mercado nacional e internacional, inclusive para assegurar a segurança alimenta de uma parcela significativa da população (MALAFAIA, et al., 2006). Esses agentes não podem perder de vista, no que se referem aos aspectos mercadológicos, os avanços que as empresas nacionais mais organizadas estão obtendo no comércio internacional.

O quadro mostrar que os consumidores das carnes bovinas na hora de fazer a sua aquisição estão preferindo comprar os produtos nos estabelecimentos como os açougues, boutiques de carnes, supermercados, hipermercados e nas mercarias e estão querendo adquirir um produto com qualidade que esteja fresco, sem odor, cor viva, sem sangue aparente e que seja aprovado pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF) e estão preferindo pontos de vendas que estejam higiênicos e que os funcionários estejam usando trajes adequados e que tenha uma boa cordialidade para que os seus clientes voltem aos estabelecimentos.

 

 

Para se exportar são necessários alguns critérios básicos como: qualidade, pontualidade, diversidade, custo e rapidez. Tratando-se de qualidade, deve-se levar em consideração as normas sanitárias de cada país. Na questão da diversidade será necessário gerar produtos diversos, mas sem adicionar custos para o consumidor e sem aumentar o tempo de produção. Já em relação á pontualidade e a rapidez, o produto deve ser entregue na hora certa para não prejudicar o distribuidor, e consumidor que são os mais interessados. O custo é um dos mais importantes critérios, pois quando têm mais produtos disponíveis no mercado o preço é reduzido e quando existe escassez do produto haverá um aumento. Isso é a "lei da demanda e da oferta" (VENDRAMETTO, et al.,2005).

Ainda hoje os brasileiros possuem uma renda per capita baixa e com isso a carne bovina sofre risco de não ser consumida, devido a sua elevação do preço, podendo tirar os principais consumidores do seu mercado. Com isso abrirá o mercado para novos produtos como: a soja, aves e peixes, que em relação com o preço da carne são mais baratos, levando, assim, os produtores de carne a investirem em novas estratégias para não perder seus consumidores. Essas estratégias são: investir nas embalagens do produto, nas propagandas, realizar promoções e degustações para estimular a venda. Na Bahia foi realizada uma pesquisa e ficou comprovado que a carne está ficando com preços altos e já começa a afetar os principais consumidores, fazendo com que os baianos mudem seus hábitos alimentares. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômico (Dieese), a Bahia está tendo uma queda de 40% no consumo da carne bovina devido a o aumento da arroba que passou de R$ 40,00 em 1997 para R$ 80,00 em 2007 uma alta ocorrida em 100% em apenas 10 anos. Esse aumento é atribuído a demanda que o mercado geral vem sofrendo devido aos bois prontos para o abate.

Os investidores estão de olho no Estado da Bahia devido a incentivos por parte do Governo do Estado, que oferece uma infra-estrutura básica, além de redução de impostos como o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços) e desoneração de máquinas e equipamentos em até oito anos. Tais ações fornecem a Bahia se tornar um grande produtor e exportador de carne. Porém, ainda existem dificuldades, acrescidas das deficiências de produtividade dos sistemas agroindustriais brasileiros, do alto custo do transporte, entraves logísticos, infra-estrutura precária e descoordenação entre os elos da cadeia da carne bovina. Estes são fatores que limitam os frigoríficos brasileiros a comercializar os seus produtos em um mercado internacional altamente competitivo. A competitividade da indústria de carne bovina vem aumentando e precisa, portanto, reduzir seus custos em relação às mudanças tecnológicas. Os frigoríficos de médio e grande porte precisam adquirir nova estrutura empresarial, procurando introduzir setores laterais e novas especializações para melhorar o fornecimento de cortes especiais e produtos industrializados (VENDRAMETTO, et al.,2005).

A cadeia produtiva da carne bovina é, também, compreendida pelos agentes produtores de insumos (sementes, medicamentos, ração, etc.), produtores rurais, indústria de processamento (frigoríficos), atacado e varejo (açougues, principalmente supermercados) e o principal que, é o consumidor final. As ações dos agentes compreendem a responsabilidade pelo produto desde a sua produção, elaboração industrial e distribuição. Assim, cada operação independente ao longo da cadeia é executada por um agente especializado que irá relacionar-se com um ou mais agentes também relacionados à cadeia, com o objetivo final de se produzir um produto final para o consumidor final. O SAG (Sistema Agroindustrial) é o envolvimento de outros elementos além daqueles que fazem parte da seqüência vertical de uma cadeia produtiva e se relacionam entre si. Segundo Zylbersztajn (2000), esta seqüência dentro da cadeia é fortemente influenciada pelo ambiente institucional (cultura, tradições, educação, costumes) e organizações de suporte (Associações, Cooperativas, Firmas, Pesquisa, Informação).

O SAG está inserido nas informações necessárias para se traçar planejamentos estratégicos. Um SAG pode variar de acordo com o propósito do planejador; se o conceito for aplicado para formulação de políticas públicas, a delimitação pode ser feita envolvendo os agentes no plano nacional. Entretanto, se for um SAG fortemente atrelado ao mercado internacional, será necessário ultrapassar as fronteiras e explorar sistemas de produção e distribuição de outros países. Logo, o SAG está focalizado em um produto específico e o seu dimensionamento dependerá de cada caso (ZYLBERSZTAJN, et al.,2000).

A logística da carne deve-se à integração do abatedouro desde o seu estoque de animal no pasto, processamento interno, frigorificação, até chegar ao consumidor final. Esse conjunto de operações realizadas em ambientes distintos utiliza-se através de um arranjo que envolve fazendas, plantas de indústrias, canais de distribuição, estabelecimento de atacado e varejo, estrutura de escoamento (rodovias, ferrovias, vias marítima, vias aéreas), burocracias do comércio, recolhimento de diversos tributos, legislações e prestadores de serviços.

O transporte de animais vivos requer certo tipo de cuidado especial para que a carga não sofra nenhum tipo de stress e danos físicos que poderá levar ao descarte da carne.

 

 

Fonte: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA,2007.

 

O quadro 2 acima mostra o subsistema de apoio: os agentes fornecedores de insumos básicos e os agentes transportadores, o subsistema de produção da matéria-prima (produção agropecuária): empresas rurais que geram, criam e engordam os animais para o atendimento das necessidades das indústrias de primeira transformação; podem estar integradas em um único empreendimento ou dissociadas em empreendimentos diversos. Subsistema de industrialização: indústrias de primeira transformação: abatem os animais e obtêm as peças de carne, conforme as condições de utilização necessárias para os demais agentes da cadeia; e indústrias de segunda transformação: incorporam a carne em seus produtos ou agregam valor a ela. Subsistema de comercialização: atacadistas ou exportadores: efetuam o papel de agentes de estocagem e/ou de entrega, simplificando o processo de comercialização; Varejistas: efetuam a venda direta da carne bovina ao consumidor final, tais como supermercados e açougues; e empresas de alimentação coletiva/mercado institucional ou aquelas que utilizam a carne como produto facilitador, como restaurantes, hotéis, hospitais, escolas, presídios e empresas de fast food. Subsistema de consumo: consumidores finais, responsáveis pela aquisição, pelo preparo e pela utilização do produto final. Determinam as características desejadas no produto, influenciando os sistemas de produção de todos os agentes da cadeia produtiva.

7 QUAIS AS AÇÕES DO GOVERNO BRASILEIRO PARA A MELHORIA DA LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO DA CARNE BOVINA

A produção agropecuária brasileira ao longo dos anos vem sendo apontada como um problema econômico. Isso decorre pelo fato da carne ser considerada como um produto que tem uma taxa de inflação alta e a indústria que a processa ser instável.

Daí a mudança no agronegócio da carne, ampliando o volume das exportações, aumentando a produtividade, reduzindo o ciclo de vida dos animais e combatendo as doenças, principalmente a febre aftosa. Cabe ao Governo e aos agentes econômicos da cadeia produtiva divulgar a qualidade da carne brasileira e criarem políticas que resultem na melhoria do espaço competitivo no mercado externo, além, evidentemente, de estimular os criadores a investirem mais na qualidade de suas carnes, com vistas ao aumento do consumo e, conseqüentemente, do seu lucro. Para que a Bahia possa-se expandir na pecuária de corte é preciso incrementar a vigilância sanitária, modernizar a cadeia produtiva da carne, aumentar seus rebanhos, diversificar as atividades e melhorar a qualidade do produto, para que seus produtores locais possam ter melhores resultados.

O Oeste baiano tem modernos frigoríficos que abatem 200 cabeças de gado por dia. Esse investimento, se não tiver um estímulo do Governo resultará em prejuízos para os empresários do setor industrial, face à redução do mercado consumidor para absorver a quantidade de carne ofertada no estado. Os grandes problemas enfrentados nas agroindústrias baianos são oriundos de dificuldades de conseguir créditos e de ter uma tecnologia moderna para produção (no caso dos pequenos e médios produtores). Para resolver esse problema, deverá ocorrer um fortalecimento entre a agroindústria e os produtores na criação de um mercado adicional de modo a permitir a desejada integração desses segmentos e o fortalecimento da economia nesse setor (GUERREIRA, et al.,2002). O Brasil enfrenta problemas relacionados a temperaturas, idéias de resfriamento e congelamento, devido à falta de equipamentos adequados como: câmara frigorífica, caminhos transportadores, balcões frigoríficos com temperaturas adequadas em supermercados e açougues, de modo a não permitir a perda da carne com qualidade para o consumo, até porque, o produto de baixa qualidade, se consumido, pode levar os usuários à intoxicação.

Por isso mesmo, torna-se necessário a atuação eficiente no processo de fiscalização do Governo aos estabelecimentos comerciais de distribuição de modo a evitar que a população seja prejudicada. O quadro abaixo mostra o superávit do agronegócio brasileiro de US$16 bilhões, em 2001, respondendo sozinho por 40% das vendas externas; os US$20 bilhões, em 2002, com uma participação de 40% das vendas; os US$26 bilhões, em 2003, aumentando sua fatia nas vendas para 42%; os US$34 bilhões, em 2004, os US$38.4 bilhões, em 2005; os US$42.7 bilhões, em 2006, e os US$49.7 bilhões, em 2007, mostrando, mais uma vez, a enorme força desse importante segmento da economia (Ministério da Agricultura e Pecuária e Abastecimento, 2007).

Quadro 3: Superávit Brasileiro do ano de 2001 a 2007.

 

Fonte: Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária, 2007.

 

8 IMPORTÂNCIA DA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO (TI) PARA A LOGÍSTICA

Com a modernização do Século XXI a tecnologia de informação se tornou uma grande ferramenta para logística isso está ocorrendo por causa da evolução do mercado. É necessário tomar decisões na hora certa, ter uma automatização das atividades manuais, redução de custos, terceirização de serviços com qualidade e a nova era da internet. Com a era da informação os produtos estão com a vida mais curta, está havendo variedades de produtos, maior competição, maior custo mão de obra e capital, maior saúde e segurança, mas tecnologia de informação e o sistema de transporte estão mais rápidos e isso causa uma interdependência entre o fornecedor e o cliente. Para que a logística tenha um bom funcionamento na tecnologia de informação é preciso que existam os níveis, através do primeiro nível que é o estratégico onde atividades de informação estão relacionadas com a tomada de decisão de investimento, volume, localização da demanda e categorias de produtos. O segundo nível o planejamento onde as informações são utilizadas pelos gerentes e supervisores para a alocação de recursos disponíveis para atendimento das demandas de estoque e controle do processo, e o ultimo nível é o operacional onde realizamos operações com a ordem de produto no faturamento no pedido e controle no armazenamento (OLIVEIRA, 2007). O mercado vive um momento extremamente desafiador. Este novo cenário é caracterizado pela busca por maior competitividade, maior desenvolvimento tecnológico, maior oferta de produtos e serviços adequados às expectativas dos clientes e maior desenvolvimento e motivação de seu capital intelectual (seus recursos humanos).

Para que as empresas posam superar esse desafio e necessário ir em busca de tomar ações voltadas para redução de custos de uma forma isolada (através da eliminação de posições em seu quadro de colaboradores, eliminação do cafezinho, controle de ligações telefônicas e outras tão conhecidas). Estas ações, às vezes se fazem necessárias, no entanto, quando tomadas de forma isolada, não garantem o resultado desejado.

As empresas que enxergam a logística como uma estratégia competitiva bastante eficaz. Elas se planejam e coordenam suas ações gerenciais de uma forma integrada, avaliando todo o processo desde o fornecimento da matéria prima até a certeza de que o cliente teve suas necessidades e expectativas atendidas pelo produto ou serviço entregue. O resultado é a superação dos desafios apresentados e conseqüentemente um melhor posicionamento no mercado. Os principais pontos da Logística: Visão integrada e sistêmica de todos os processos da Empresa. A ausência deste conceito faz com que cada área / departamento da empresa pense e trabalhe de forma isolada. Isto gera conflitos internos por poder e faz com que os maiores concorrentes de uma empresa estejam dentro dela mesma; (MEIRIM,2006) Fazer com que as "coisas" (materiais e informações) se movimentem o mais rápido possível, conseguindo assim aperfeiçoar os investimentos em ativos (estoques); Enxergar toda a cadeia de suprimentos como parte importante do seu processo. Seus Fornecedores, Colaboradores, Comunidade e Clientes são como elos de uma corrente e estão intimamente interligados. Por isso, devemos sempre avaliar se suas necessidades e expectativas estão sendo plenamente atendidas; (MEIRIM, 2006) O Planejamento (Estratégico, Tático e Operacional) e a constante Avaliação de Desempenho, por meio de indicadores, são ferramentas gerenciais essenciais para o desenvolvimento de um bom sistema logístico; O uso de sistemas de informação (ERP, WMS, TMS...) que forneçam suporte as decisões que precisam ser cada vez mais velozes e em um ambiente de incertezas e competição muito grande; O aumento da colaboração entre Fornecedor e Consumidor através do compartilhamento de informações relevantes para o nível de serviço desejado (MEIRIM, 2006).

9 CONCLUSÃO

A cadeia logística da carne bovina na Bahia, não obstante o movimento de modernização com a expansão da fronteira agrícola, os investimentos em plantas industriais e o incremento das exportações, permanece com a estrutura deficiente como em alguns estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Sergipe, Alagoas, Goiás resultando numa cadeia logística heterogênea. Em decorrência desse estágio de quase subdesenvolvimento dessa atividade baiana, o setor de processamento industrial permanece razoavelmente distante do nível de desenvolvimento moderno, compatível com o estágio de desenvolvimento econômico da economia baiana, como de resto a desejada integração dos diversos estágios que compõem a cadeia logística. Assim, em relação ao processo de instalação de novos equipamentos no setor industrial, é previsível que a demanda da população baiana por carne apropriada para o consumo, num futuro próximo, não venha a ser satisfeita pela oferta. É de lamentar que o Brasil continue resistindo a assumir sua condição de país agrícola, embora detenha o maior território agricultável do planeta, sem considerar a importância do agronegócio - notadamente nos últimos anos - na posição superavitária no comércio exterior. Não advogamos, evidentemente, que o país abdique da industrialização, mas que seja dada a devida importância a um setor capaz de produzir resultados expressivos e que reúna condições para suprir a escassez de alimentos no mundo, até porque, nada impede que um "país agrícola" e um "país industrializado" convivam com competência no mesmo espaço.

10 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

AURÉLIO, Abh. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. Ed. Nova Fronteira, 1998, 849. BARROS, Alm et al.Mudanças tecnológicas elevam a produtividade.Revista Visão Agrícola,2005,59-62. BATALHA, Mo et al.Gestão Agroindustrial.Ed.Atlas,2001,4:67-68. BRASIL Marinha do Brasil - Estado-Maior da Armada. Manual de Logística da Marinha (EMA-400 2ª Revisão). Brasília, 2003.DIAS, João Carlos Quaresma - Logística global e macrologística. Lisboa: Edições Silabo, 2005. ISBN 978-972-618-369-3. DRUCKER ,P et al.A logística-na qualidade dos serviços.2000,74. GUERREIRA, Lf et al. Agroindústria na Bahia:Diagnóstico e Perspectivas da Cadeia Produtiva.Estudo setorial 03/02,Desenbahia ,2002. HOUAISS A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Ed. Objetiva, 2001, 830. KAEDI S. Brasil, pais agrícola,São Paulo,Ed.atlas 2007. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Legislação Sanitária-Portarias, 2007. MALAFAIA GC, et al.Atitudes de Coordenação de Produtores Rurais na Cadeia da Carne Bovina:o Caso do Cite 120.ANPAD , 1-10, 2006. MEIRIM, H.A importância da Logística para as Empresas, 2006. MOURA, T. L.; ALLIPRANDINI, D. H. Determinantes da qualidade em serviços de alimentação: o caso empresas de refeições coletivas. Anais... XXIV ENEGEP, 2005. SOUZA JL. Logística- Noções Básicas. 2006. OLIVEIRA, R. TI - Tecnologia Aplicada a Logística, 2007. PIGATTO G,et al. Alianças Mercadológicas:a busca da Coordenação da Cadeia de Corte Brasileiro.Pensa,1999. VENDRAMETTO O,et al.Qualidade e Logística:Estratégia para Melhorar a Competitividade da Cadeia da Carne Bovina.Enegep,2005,1905-1911. ZYLBERSTAIN D, et al.Economia e Gestão de Negócios Agroalimentares.Ed.Pioneira,2000. Acesso em: 21/08/2008 Associação brasileira das indústrias exportadoras de carne. www.abiec.com.br.

 

Quadro 2: Estrutura Da Cadeia Da Carne Bovina

Quadro 1 : Carne bovina: tipos de estabelecimentos de varejo e características demandas do produto e dos pontos de venda, pelos consumidores finais.

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