VIABILIDADE ECONÔMICA DO USO DE COMPLEXO ENZIMÁTICO PARA SUÍNOS NAS FASES DE CRESCIMENTO/TERMINAÇÃO

Publicado: 18/03/2016
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Sumário

Com o objetivo de avaliar a viabilidade econômica do uso de enzimas em dietas com redução energética, foram utilizados 80 suínos, com aproximadamente 63 dias de idade, distribuídos em um delineamento em blocos ao acaso, com 5 tratamentos (CP: Dieta controle positivo, com nível energético recomendado para a fase; CN85: Dieta controle negativo com redução energética de 85 kcal/kg EM; CE85: Dieta CN85 com adição de complexo enzimático; CN100: Dieta controle negativo com redução energética de 100 kcal/kg EM; CE100: Dieta CN100 com adição de complexo enzimático) com 8 repetições/tratamento, dispostos em arranjo fatorial 5 x 2 (dietas x sexo). O experimento foi dividido em três fases: crescimento I (63 a 90 dias de idade), crescimento II (91 dias aos 118 dias de idade) e terminação (119 a 145 dias de idade). A análise de viabilidade econômica foi realizada através da determinação do custo da ração (em R$), por quilograma de peso vivo ganho e calculo do Índice de Eficiência Econômica. Considerando a análise dos dados, concluise que o uso de enzimas em dietas com redução de 85 kcal/kg EM é economicamente eficiente nos períodos de 63 aos 90 dias de idade e dos 119 aos 145 dias de idade de suínos.

 

Palavras-chave: custo de alimentação; enzimas exógenas, nutrição.

 

Introdução

Os alimentos de origem vegetal, apesar de serem amplamente utilizados na nutrição animal como fonte de energia e proteína, trazem consigo fatores antinutricionais e constituintes de baixa digestibilidade como os polissacarídeos não amiláceos e oligossacarídeos. Por não serem digeridos, estes interferem na degradação e absorção dos nutrientes dietéticos e da energia que poderia ser aproveitada pelo animal (RUIZ et al., 2008). Dentre os fatores que participam do custo de produção de suínos, a alimentação é o de maior relevância, sendo, em média, 70% do custo, há, atualmente, uma busca por produtos que melhorem o aproveitamento nutricional de dietas e assim, contribuam para a redução de custos da alimentação. As enzimas exógenas representam um meio para maximizar a digestibilidade, e assim, apresentar melhoras no desempenho animal. (BEDFORD, 2000). O fato de as enzimas serem específicas em suas reações sugere que produtos que contenham apenas uma enzima, possam ser insuficientes para produzir o máximo benefício, determinando que misturas de enzimas sejam mais efetivas no aproveitamento dos nutrientes das dietas (TEJEDOR et al., 2001).

 

Dietas à base de milho e farelo de soja, apesar de apresentarem boa qualidade nutricional podem apresentar resultados ainda melhores quando associados a complexos enzimáticos, como sugerido por BRUM et al., (2006). Um maior retorno econômico foi observado por SILVA et al (2013), através da melhora no desempenho animal e redução no custo da alimentação. O objetivo do estudo foi avaliar a viabilidade econômica de dietas com redução energética contendo um complexo enzimático composto de alfa-amilase, beta-glucanase, fitase, celulase, xilanase e protease.

 

Material e Métodos

O experimento foi realizado na Estação de Avaliação de Suínos, situada em Piracicaba, SP. Foram utilizados 80 suínos, 42 machos castrados e 38 fêmeas, com aproximadamente 63 dias de idade, distribuídos em um delineamento em blocos ao acaso, sendo 5 tratamentos e 8 repetições, dispostos em arranjo fatorial 5 x 2 (dietas x sexo). Para a formação dos blocos foi considerado o peso inicial dos animais e o sexo. Os tratamentos avaliados foram: CP: Dieta controle positivo, com nível energético recomendado para a fase; CN85: Dieta controle negativo com redução energética de 85 kcal/kg EM; CE85: Dieta CN85 com adição de complexo enzimático; CN100: Dieta controle negativo com redução energética de 100 kcal/kg EM; CE100: Dieta CN100 com adição de complexo enzimático.O complexo enzimático apresentava as seguintes enzimas e respectivas atividades: Alfa-amilase (400 u1/g); Beta-glucanase, (700 u2/g); Fitase (1.100 u3/g), Celulase (6.000 u4/g), Xilanase (10.000 u5/g) e Protease (700u6/g). Foi utilizado o programa alimentar com 3 dietas: Crescimento I (CI): dos 63 aos 90 dias de idade; Crescimento II (CII): dos 91 aos 118 dias de idade; Terminação (T): dos 119 aos 145 dias de idade. As rações foram a base de milho e farelo de soja e foram formuladas de acordo com as recomendações nutricionais mínimas de ROSTAGNO et al. (2011), de acordo com cada fase. A análise de viabilidade econômica foi realizada através da determinação do custo da ração (em R$), por quilograma de peso vivo ganho e calculo do Índice de Eficiência Econômica (IEE), segundo BELLAVER et al. (1985).

 

Resultados e Discussão

Os resultados da análise econômica, custo por quilograma de ração, custo de ração por quilograma de peso vivo ganho e o calculo do Índice de Eficiência Econômica (%) são apresentados na Tabela 1.

 

Tabela 1 - Custo por quilograma de ração (R$/kg ração), custo de ração por quilograma de peso vivo ganho (R$/kg GP) e índice de eficiência econômica (IEE%), por fase e no período total do experimento.

Taxa Ptax USD 2,60

 

Para os períodos analisados, foi possível observar que as rações cotendo o complexo enzimático apresentaram o custo inferior ao tratamento com ração CP, visto que nestas dietas foi realizada uma valoração da matriz nutricional, ou seja, houve uma redução dos níveis nutricionais da dieta e a inclusão da enzima, proporcionando uma economia no custo da formulação. O tratamento CE85, quando adicionado à enzima apresentou custos de formulação (R$/kg ração) superior que seu tratamento controle negativo, CN85, para as fases CI, CII e T, respectivamente. O tratamento CE100 também apresentou custo de formulação (R$/kg ração) superior a dieta formulada inicialmente como seu controle negativo (CN100). Porém, ao analisar o custo em R$ por quilograma de ganho de peso, as dietas CE85, seguida por CE100, foram as mais eficientes, apresentando os menores custos para a fase de Crescimento I. Na fase de Terminação o tratamento CE 85 também se mostrou mais eficiente em relação ao tratamento Controle (CP) e chegando a ser 12,18% mais eficiente que seu controle, o tratamento (CN85). Isso indica que apesar de o custo de formulação para dietas com enzimas serem mais elevados quando comparados com seus respectivos controles sem a adição de enzimas, o uso de enzimas pode favorecer o ganho de peso dos animais. Tais resultados são coerentes com os encontrados por SILVA et al. (2013), que também observaram que dietas contendo enzimas são economicamente mais eficientes. Em termos práticos, a suplementação enzimática faz com que suínos alimentados com uma ração com níveis nutricionais reduzidos e suplementada com enzimas exógenas, considerando o incremento nutricional por elas proporcionado, tenham os mesmos ganho de peso e conversão alimentar que animais alimentados com rações contendo maiores níveis nutricionais. Isso acontece porque as enzimas conseguem disponibilizar mais nutrientes dos ingredientes vegetais. (RUIZ et al, 2008). Ao comparar os dados obtidos dos tratamentos CE85 e CE100, é possível observar que as dietas que tiveram redução energética de 85 kcal/kg EM foram melhores que dietas com redução energética de 100 kcal/ kg EM, em duas fases do período estudado, Crescimento I e Terminação.

 

Conclusões

O uso de enzimas em dietas com redução de 85 kcal/kg EM é economicamente eficiente nos períodos de 63 aos 90 dias de idade e dos 119 aos 145 dias de idade de suínos.

 

Referências Bibliográficas

1. BEDFORD, M.R.: 2000. Exogenus enzymes in monogastric nutrition their current value and future benefits. Animal Feed Science and Technology, v.86, p.1-13.

2. BELLAVER, C.; FIALHO, E.T.; PROTAS, J.F.S. et al. (1985) Radícula de malte na alimentação de suínos em crescimento e terminação. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v.20, p.969-974.

3. BRUM, P.A.R., AVILA, V.S., LIMA, G.J.M.M., et al. 2006. Efeito da utilização de alfaamilase em dietas a base de milho e farelo de soja na digestibilidade da energia das rações e no desempenho de frangos de corte. Embrapa. Concórdia. (Comunicado técnico)

4. ROSTAGNO, H.S.; ALBINO, L.F.T.; DONZELE, J.L., et.al. Composição de alimentos e exigencias nutricionais de aves e suínos (Tabela Brasileira). Viçosa, UFV, 141 p., 2011.

5. RUIZ, U. D. S., THOMAZ, M. C., HANNAS, M. I., et al. 2008. Enzyme complex for swine: nutrient digestion, metabolism, performance and environmental impact. Revista Brasileira de Zootecnia, 37(3), 458-468.

6. SILVA, C. A., VINOKUNOVAS, S. L., BRIDI, A. M., et al. (2013). Utilização de um complexo enzimático para rações contendo farelo de gérmen de milho desengordurado para suínos em fase de crescimento e terminação. Semina: Ciências Agrárias, 34 (6Supl2), 4065-4082.

7. TEJEDOR, A. A., ALBINO, L. F. T., ROSTAGNO, H. S., et al. (2001). Efeito da adição de enzimas em dietas de frangos de corte à base de milho e farelo de soja sobre a digestibilidade ileal de nutrientes. Revista Brasileira de Zootecnia, 30(3), 809-816.

 

***O TRABALHO FOI ORIGINALMENTE APRESENTADO DURANTE O XVII CONGRESSO ABRAVES 2015- SUINOCULTURA EM TRANSFORMAÇÂO, ENTRE OS DIAS 20 e 23 DE OUTUBRO, EM CAMPINAS, SP.

 
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