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Atualização com respeito ao uso de plasma spray dried em dietas de leitões, matrizes e aspectos de biosseguridade

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Introdução:

Os suínos vivem em ambientes nos quais existe uma grande presença de micro-organismos (vírus, bactérias, parasitos, etc) e antígenos. Nesses ambientes, o sistema imune dos suínos encontra-se continuamente em situação de desafio. O funcionamento correto do sistema imune é de vital importância para a indústria suína, pois, quando ativado, produz-se uma cascata de mecanismos protetores, incluindo a produção de proteínas de fase aguda no fígado, citocinas pró-inflamatórias em diferentes tecidos, proliferação de células imunológicas ativas, febre, redução de apetite e, em algumas ocasiões, produção de anticorpos. A resposta imediata a essa ativação imune é a inflamação, que contribui com a capacidade dos animais para combater infecções. Cabe ressaltar que a inflamação também está bem correlacionada com menor crescimento. A ativação do sistema imune representa um “custo” para os animais. Os animais que crescem em ambientes de baixa qualidade sanitária e que, portanto, têm seu sistema imune ativado, crescem mais lentamente e ingerem menos alimentos do que em ambientes saudáveis (Roura et al., 1992; Willian et al., 1997). O consenso geral é que, durante um processo de infecção ou de ativação do sistema imune, os nutrientes que deveriam ser utilizados para síntese proteica de músculo esquelético são derivados para manter o sistema imune, uma vez que, lutar contra patógenos para manter a saúde é prioritário, com relação ao crescimento.

A situação ideal, quando se produz em condições de desafio, é uma resposta efetiva do sistema imune para eliminar a situação de risco e um rápido regresso a uma situação de status imunológico equilibrado, tão logo desapareça o perigo. Se a situação de inflamação se mantiver durante um período prolongado de tempo, pode provocar uma redução no consumo do alimento e, portanto, no crescimento.

O Sistema Imune:

O sistema imunitário conta com dois sub-sistemas: o inato e o adaptativo, ou imunidade humoral e mediada por células. Os mecanismos do sistema imunológico inato incluem fagocitose, defensinas (que são peptídeos com atividade antimicrobiana) e o sistema complemento. A imunidade inata não distingue um patógeno de outro e não guarda memória, pois a sua capacidade de resposta não melhora depois de um primeiro encontro a outro posterior, com respeito aos antígenos. A ativação dos macrófagos provoca secreção de citocinas pró-inflamatórias (IL-6,TNF-alfa, IL1-1, etc), que atraem outras células com capacidade fagocítica, como neutrófilos e monócitos, provocando inflamação no sítio da infecção. Ademais, as células infectadas por vírus, produzem outras citocinas, como o interferon gama (IFN-gama), que atraem para elas células T citotóxicas e linfócitos natural Killer (NK ou acesinas naturais), que reconhecem e matam as células infectadas. Se a infeção nesse ponto não é terminada, atinge o sistema linfático, em que os macrófagos e células dendríticas apresentam os antígenos aos linfócitos, iniciando a resposta imune adaptativa. Os 2 mecanismos defensivos humorais possibilitam que o organismo, em futuras infecções, tenha capacidade de reconhecer de uma maneira mais eficiente determinados patógenos presentes em infecções anteriores. A imunidade adaptativa ou adquirida, depois de uma resposta a um determinado patógeno, cria uma memória imunológica que permite ao organismo uma maior resposta em futuras exposições ao mesmo patógeno.

Como comentado anteriormente, os animais acometidos por infecções reduzem o consumo de alimento e a taxa de crescimento. As causas da anorexia associada à infecção, todavia, ainda não foram elucidadas. Murrey; Murrey (1979) demonstraram que ratos infectados experimentalmente com Listeria monocytogenes e que, alimentados de forma forçada por sonda intragástrica, a valores de ingesta similares a de ratos saudáveis, tiveram taxas de mortalidades aumentadas, demonstrando que a redução da ingesta é um mecanismo de proteção contra a infecção. Foi demonstrado que citocinas pró-inflamatórias reduzem a síntese proteica e aumentam a degradação de proteína muscular. Os resultados indicaram que a redução no consumo de alimento foi a principal responsável pela redução no ganho de peso. Quando os animais estão enfermos, as necessidades de nutrientes para a manutenção aumentam significativamente, mas, ao mesmo tempo, ocorre uma redução na ingesta dos mesmos. Em consequência, os animais enfermos, especialmente durante a ativação imune aguda, utilizam principalmente nutrientes próprios.

Depois da ativação imunológica, a digestibilidade de nutrientes é reduzida e volta a alcançar lentamente seus valores normais. Price et al. (2010) observaram uma grande variação nas concentrações plasmáticas de vários aminoácidos durante a ativação do sistema imune, o que sugere que existem diferentes necessidades de aminoácidos durante esse período. Acredita-se que as exigências de treonina, por exemplo, poderiam aumentar em casos de ativação imunológica, que cursam com aumento na produção de muco ou imunoglobulinas, já que este é um de seus aminoácidos majoritários (Rakhshanden e Delange, 2012). Também, está comprovado que as exigências de aminoácidos sulfurados, especialmente cisteína, aumentam em suínos imunológicamente ativados.

Proteger a saúde animal e potencializar sua resistência às enfermidades são dois aspectos críticos em um processo de produção eficiente.

Estresse associado à desmama:

A desmama é um dos momentos de maior estresse na vida de um suíno, momento em que ocorrem reduções da ingestão de alimentos e de crescimento. Além disso, aumentam a mortalidade e morbidade durante as 2 a 4 semanas posteriores à mesma, ou até que o sistema imune do animal se encontre completamente desenvolvido. A desmama é um período de estresse independentemente da idade que seja realizada, devido à separação traumática da matriz e às mudanças ambientais, tanto físicas como sociais. Dentre estas, destacam a mistura de animais de diferentes leitegadas, transição de dieta (leite para alimento sólido) e a exposição a diferentes patógenos e antígenos. 3

Os efeitos adversos que acompanham a desmama são a redução da ingestão de alimentos, o aumento da incidência de diarreia e mortalidade e, sistemicamente, o processo inflamatório e os danos, tanto estruturais como funcionais, na mucosa intestinal (Spreeuwenberg et al., 2001; Boundry et al., 2004; Pié et al., 2004; Smith et al., 2010). Além disso, associa-se à desmama normalmente uma menor e variável ingestão de alimento, o que provoca uma importante redução no crescimento do animal. Mais de 50% dos leitões desmamados consomem seu primeiro alimento nas primeiras 24 horas posteriores à desmama, embora 10% não consumam nada até passados pelo menos dois dias (Brooks et al., 2001). Portanto, as exigências de nutrientes necessários para a manutenção do animal não costumam ser nunca atendidas antes dos 3 dias após a desmama e os leitões podem levar entre 8 e 14 dias para recuperar a ingesta de energia que apresentavam antes da desmama (Lallès et al., 2007). Consequentemente, é crucial que os leitões superem o estresse associado à desmama o mais cedo possível, para sobreviverem e resultarem em animais produtivos ao longo de todo seu ciclo de vida posterior.

Associado a boas práticas de manejo e criação, o cuidado da dieta é uma boa opção viável e prática que ajuda os leitões a se adaptar e superar a complexidade associada ao período de estresse e ativação imunitária da desmama, independentemente da idade do animal.

Ingredientes Funcionais:

A definição de ingredientes funcionais varia em função da disciplina científica que os defina. Como o interesse desse artigo reside nos nutricionistas que trabalham com animais, os definiremos como ingredientes que, ao serem administrados para animais, melhoram o seu rendimento e seu bem estar mais do que se poderia esperar ou explicar através de seu simples potencial nutricional. Mais especificamente serão discutidos o impacto devido à inclusão de plasma atomizado (SDP sigla do inglês spray-dried plasma) como ingrediente funcional em dietas; a resposta imune intestinal, a integridade e função da mucosa e o desempenho animal.

As proteínas têm uma variedade de funções nos organismos, incluindo atividade estimulatória, catalítica, de transporte, estrutural e molecular. O SDP é uma fonte de proteínas funcionais com muitos benefícios sobre a resposta imunitária e a função de barreira intestinal associados à sua administração na dieta e amplamente descrita na vasta bibliografia disponível a esse respeito (Torrallardona, 2010). Outros ingredientes funcionais também têm sido amplamente estudados, pelo seu impacto sobre a saúde intestinal animal, como os probióticos, (Williams et al., 2001), prebióticos, extratos vegetais, ácidos graxos poliinsaturados (PUFA), colostro bovino (Boundry et al., 2007), lactoferrina (Wang et al., 2006; Shan et al., 2007), gema de ovo (OwusuAsiedu et al., 2002) e leveduras (Van der Peet-Schwering et al., 2007; Shen et al., 2009).

Plasma Atomizado – SDP:

O plasma atomizado é constituído principalmente por albumina, globulina, além de um amplo espectro de outras proteínas e peptídeos em menores proporções. Numerosos estudos realizados em condições de desafio natural ou experimental, com bactérias patogênicas, vírus e protozoários demonstraram que a inclusão desse ingrediente na dieta reduz a mortalidade e/ou melhora o estado de saúde em diferentes espécies animais (suínos, bovinos, aves e camarões). Apesar do SDP conter imunoglobulinas (Borg et al., 2002), a neutralização de antígenos no lúmen intestinal não explica completamente todas as melhoras observadas nos animais alimentados com proteínas plasmáticas.

Utiliza-se o plasma atomizado amplamente em dietas de leitões desmamados para melhora a ingestão de alimento, aumentar o crescimento e melhorar a conversão no período após a 4 desmama. Numerosos artígos científicos mostram claramente que a inclusão de plasma atomizado (spray-dried) em dietas de leitões de desmama aumenta a ingestão de alimento, a taxa de crescimento e melhora a conversão (Coffey and Cromwell, 2001; Van Dijk, 2001; Torrallardona, 2010). A resposta positiva observada no crescimento e ingestão de alimento devido à utilização de SDP em dietas de desmama de leitões é positiva e linear com o nível de inclusão (Kats et al., 1994). Considera-se o plasma atomizado um ingrediente essencial para melhorar os rendimentos dos leitões na desmama (consumo de alimento e crescimento) e uma excelente alternativa ao uso de antibióticos (Torrallardona, 2010).

Diversos estudos demonstram uma alteração na resposta imune de mucosa em animais alimentados com dietas contendo plasma spray-dried (Moreto and Pérez-Bosque, 2009; Peace et al., 2011; Gao et al., 2010).Em conjunto, esses estudos sugerem que a administração de proteínas plasmáticas na dieta pode restaurar os recursos da resposta imune graças a mecanismos interativos entre o intestino e sistemas imunológicos de outros órgãos. Estes resultados poderiam explicar parcialmente a redução na mortalidade e morbidade observada em várias espécies alimentadas com proteínas plasmáticas, em estudos com infecções virais, com bactérias patogênicas ou protozoários.

A desmama é um período associado a múltiplos fatores, que incluem a organização social, o ambiente no qual o animal se encontra, as mudanças nas dietas, os antígenos presentes no alimento e a exposição a patógenos, que reduzem o crescimento e o desempenho dos leitões. O estresse associado à desmama por si só causa inflamação (aumento de ARNm e TNF-α) tanto no íleo como no cólon, durante pelo menos 8 dias após a desmama, em animais de 28 dias de idade (Píe et al., 2004). Em um estudo recente, trabalhou-se com leitões desmamados que receberam dietas com 0 ou 2,5% de SDP durante uma semana após a desmama, ou dietas com 5% de SDP durante duas semanas após a desmama; aos 7 e 14 dias após a desmama tomaramse amostras de tecido intestinal para estudar a permeabilidade e função do epitélio intestinal (Peace et al., 2011). Os resultados indicaram que os animais que receberam a dieta com 5% de SDP tiveram os níveis de citocinas pró-inflamatórias (ARNm de TNF-α) reduzidos no cólon e menor dano na barreira intestinal, uma vez que apresentaram um aumento na resistência elétrica transepitelial (TER), menor fluxo de inulina, menor atividade secretora e melhor escore fecal (fezes com melhor consistência). Resultados similares foram publicados por Gao et al., (2010), quando alimentaram leitões com dietas contendo SDP do dia 3 até o dia 21. Os animais alimentados com plasma apresentaram redução de citocinas pró-inflamatórias na mucosa intestinal e melhor estado antioxidante, demonstrado através de menores níveis de malondialdeído na mucosa intestinal.

A evidencia de que as proteínas plasmáticas alteram os níveis teciduais de citocinas de animais em condições inflamatórias provocadas por patógenos ou agentes causadores de estresse, sugere que esse é um mecanismo primário pelo qual as proteínas plasmáticas da dieta recuperam as funções produtivas dos animais e reduzem os efeitos negativos da enfermidade e do estresse. Os processos inflamatórios ocorrem durante toda a vida de uma animal. Foi investigado de forma ampla o uso de plasma em dietas de leitões com a finalidade de modificar e minimizar os danos colaterais associados à ativação do sistema imune e à inflamação em várias fases da vida do animal.

Aplicações das proteínas plasmáticas em diferentes fases da produção suína:

Do ponto de vista econômico, uma ativação prolongada do sistema imune pode afetar negativamente diversos pontos do processo de produção animal, como crescimento, deposição de tecido magro, reprodução e lactação. De acordo com o grau de ativação do sistema imune e/ou o estresse, os animais podem sofrer perdas de peso (Johnson, 1997; Spurlock, 1997), redução na produção de leite (O’Brian et al., 2007) ou aborto (Erlebacher et al., 2004).

A ativação prolongada do sistema imune ocorre, por exemplo, em enfermidades multisistêmicas como a circovirose suína (PCVAD) ou a síndrome respiratória e reprodutiva suína (PRRS). Nesses casos foi utilizada amplamente a adição de proteínas plasmáticas na dieta para minimizar os efeitos negativos já que estas aumentam a ingestão de alimentos e afetam a resposta imune.

Morés et al. (2007) conseguiram melhorar a taxa de crescimento e reduzir os sintomas clínicos em leitões afetados por PCVAD utilizando dietas com plasma spray-dried. Os animais que consumiram proteínas plasmáticas apresentaram peso cerca de 2 kg superior aos controles, com farinha de peixe. Além disso, a inclusão de SDP em dietas de leitões em fase de engorda afetados por PCVAD e PRRS reduziu a mortalidade em 50%; também os custos associados com medicação foram reduzidos em 5 vezes, em comparação com animais alimentados com dietas controle (Messier et al., 2007).

A redução na mortalidade e a melhora no desempenho, em suínos afetados por PCVAD alimentados com dietas contendo proteínas de plasma, são consistentes com os resultados obtidos em outros estudos que avaliaram o impacto da inclusão de SDP na dieta de animais infectados com diversos patógenos, em termos de mortalidade e morbidade. Esses dados demonstram que o SDP na dieta pode ser uma ferramenta útil para reduzir a mortalidade e a morbidade associadas aos estados de ativação prolongada do sistema imune, induzida por vários antígenos, independentemente da idade dos animais.

As porcas também experimentam ampla variedade de fatores de estresse durante os períodos de gestação, parto e lactação. Durante a lactação, os produtores de suínos encontram dificuldade para conseguir fazer com que as porcas consumam uma quantidade suficiente de alimento que minimize as perdas de condição corporal e assegure o suprimento de nutrientes para produção de leite e crescimento da leitegada. Este problema é especialmente importante em períodos de estresse térmico ou aumento de eventos patogênicos.

Campbell et al. (2006) avaliaram semanalmente os registros produtivos de uma granja com PRRS instável (5.500 porcas) utilizando um sistema de controle estatístico de processo (SPC) que permitiu identificar as mudanças em aspectos produtivos devido à inclusão de SDP em dietas de gestação e lactação. Os resultados demonstraram que após a inclusão das proteínas plasmáticas nas dietas ocorreram melhoras na taxa de parto e no número de leitões desmamados por porca. Estas observações sugerem que a inclusão de SDP nas dietas de porcas pode reduzir a severidade dos danos produtivos associados ao vírus da PRRS em granjas de suínos.

Outros estudos com porcas em lactação alimentadas com dietas contendo 0,5% de plasma atomizado demonstraram uma melhora no peso da leitegada e um aumento no peso médio do leitão na desmama (Crenshaw et al., 2007; 2008). Os estudos com plasma em lactação foram conduzidos nos meses de verão, quando os animais passavam por períodos de estresse térmico durante o dia. O estresse térmico é um exemplo de estresse ambiental que induz danos à função de barreira da mucosa intestinal provocando um derrame intestinal e aumento de endotoxinas sistêmicas (Lambert, 2004). Em teoria, se os períodos de estresse por calor danificarem a barreira intestinal durante a lactação, poder-se-ia especular que as melhoras observadas com a inclusão de plasma atomizado nas dietas de lactação poderiam estar relacionadas, ao menos em parte, a melhoras na função de barreira intestinal induzidas pela ingestão de proteínas plasmáticas.

Da mesma forma, observam-se importantes reduções nos parâmetros produtivos e danos na mucosa intestinal relacionados com a presença de várias micotoxinas em muitos dos cereais utilizados para balancear dietas de animais. Dois estudos recentes avaliaram se a presença de plasma atomizado na dieta reduziu os efeitos negativos das micotoxinas (Eastwood et al., 6 2013; Weaver et al., 2013). No primeiro, leitões desmamados foram alimentados com dietas contendo 8% de SDP e trigo contaminado com 3,9 ppm de deoxinivalenol (DON) apresentaram a mesma taxa de crescimento que os animais do grupo controle que não receberam dieta com plasma nem foram contaminados com micotoxina, e melhor crescimento do que animais alimentados com dieta controle com DON e sem presença de plasma (Eastwood et al., 2013). Em outro estudo (Weaver et al., 2013), os leitões foram alimentados com dietas contendo 0 ou 6% de plasma durante 12 dias após a desmama. Após esse período, foram alimentados por 3 semanas adicionais com dietas contendo 0, 3, ou 6% de plasma que continham milho contaminado naturalmente com 180 ppm de aflatoxina e 9 ppm de fumonisina. Os leitões que receberam dietas sem plasma durante os primeiros 12 dias após a desmama receberam dietas sem contaminação e sem plasma no período posterior. Os resultados demonstraram uma redução no crescimento dos animais alimentados com dietas contaminadas e sem plasma quando comparados aos animais que receberam plasma. Não obstante, os animais alimentados com dietas contendo plasma no primeiro período (apresentaram maior crescimento que os alimentados com dietas sem plasma) não foram afetados pela contaminação com micotoxina da dieta em termos de peso e taxa de crescimento, independentemente da inclusão de plasma utilizada no segundo período (Figura 3).

Figura 3:

Ganho médio diário de todo o período do estudo. PP0/ PP0: Dieta controle durante o primeiro período (12 dias) e o segundo (3 semanas); PP0/PP0M: Dieta controle contaminada com micotoxina (M) no segundo período; PP6/PP0: dieta com 6% de plasma atomizado no primeiro período e dieta sem plasma no segundo período. PP6/PP0M: dieta com 6% de plasma no primeiro período e sem plasma e com micotoxina no segundo; PP6/PP3M: dieta com 6% de plasma no primeiro período e 3% no segundo contaminada com micotoxina; PP6/PP6M: dietas com 6% de plasma em ambos os períodos e contaminada com micotoxina no segundo.

Estes resultados demonstram que o plasma atomizado é uma fonte de proteínas que proporciona uma melhor nutrição, apoia o desempenho dos leitões durante o período posterior à desmama e ajuda os animais resistirem a períodos posteriores de estresse durante seu ciclo produtivo.

Bioseguridade:

O vírus da diarreia epidêmica suína (PEDV) tem causado uma elevada mortalidade em leitões de menos de duas semanas de idade e sua propagação na América do norte tem sido muito 7 difícil de controlar. O PEDV só afeta suínos e não representa um risco para a saúde humana que venha a consumir carne suína.

A rota primária de infecção é o contato direto de suínos infectados ou com as fezes desses animais (Pospischil et al., J Swine Health Prod 2002, 10:81-85).

Recentemente foram sugeridas outras possíveis rotas de transmissão do PEDV:

- Veículos de transporte tem sido contaminados com PEDV nos frigoríficos ao descarregar animais (Lowe et al., Emerg Infect Dis 2014, 20:872-874).

-  Amostras de ar coletadas de instalações experimentais com suínos infectados com PEDV infectaram suínos são quando administradas por via oral. Além disso, foi demonstrado que amostras de ar coletadas até 16 km de distância de granjas infectadas com PEDV continham genoma do vírus (Alonso et al, Vet Res 2014, 45:73- 77).

- Ração contaminada com PEDV que não continha nenhum tipo de proteína animal em sua composição foi coletada de silos de alimentos de granjas infectadas com PED ativo. Animais sadios, livres de infecção, alimentados com esse alimento contaminado desenvolveram a infecção com PEDV. A fonte de contaminação por PEDV no alimento não foi determinada (Dee et al., BMC Vet Res 2014, 10:176-184).

Os líderes da indústria têm discutido ativamente e revisado todas as observações epidemiológicas sobre o possível papel que poderiam haver tido tanto os alimentos como seus ingredientes com relação a propagação do PEDV. As observações epidemiológicas são importantes, mas uma hipótese uma vez formada deve ser posteriormente testada em experimentos científicos controlados para determinar com exatidão a causa e efeito.

Baseando-se em observações epidemiológicas foi especulado que os casos iniciais de PEDV em Ontário (Canadá) estavam relacionados com o consumo de alimento. Como consequência foi assinalado o plasma suíno que fazia parte da composição dessas dietas de creche como possível fonte de infecção. Investigações posteriores realizadas pela Agencia de Segurança Alimentar Canadense (CFIA) determinaram que o vírus invectivo foi detectado em amostras de plasma suíno mas não no alimento que o continha (Pasik et al., Transboundary Emerging Diseases 2014, doi:10.111/tbed.12269). Apesar de os bio-ensaios realizados pelo CFIA indicarem que as amostras de plasma continham vírus invectivo, a falta de infectividade do alimento que continha o plasma e o fato de as amostras, tanto de plasma como de alimento, foram coletadas em uma fábrica de ração não permitem descartar a possibilidade de que a presença de PEDV nessas amostras tenha sido resultado de contaminação ambiental ou de outras fontes.

Dado que o plasma suíno spray-dried investigado pelo CFIA foi produzido nos EUA, o CFIA solicitou ao FDA (Food and Drug Administration) que realiza-se uma investigação. O FDA inspecionou a fábrica de produção, revisou os registros de produção associados a fabricação do plasma investigado pelo CFIA e coletou amostras do lote específico em questão. Os dados revisados confirmaram que o lote específico de plasma suíno atomizado foi produzido em condições normais de acordo com o padrão estabelecido. Posteriormente os resultados do bio-ensaio realizado pelo FDA e de um experimento independente realizado pela associação de produtores de sangue e plasma spray-dried da América do Norte (NASDBPP) demonstraram que as amostras coletadas não eram infectivas para PEDV (Feedstuffs July 24, 2014, 86(28):10- 11,16). Em contraste com esses resultados o CFIA, tanto o FDA como a NASDBPP detectaram PEDV infectivo nas amostras retidas do lote investigado pelo CFIA. É importante ressaltar que 8 as amostras retidas desse lote estavam armazenadas de acordo com as mesmas condições de armazenamento de produto comercial à temperatura ambiente em armazém industrial sem aquecimento. Por outro lado, o CFIA coletou as amostras de plasma diretamente da companhia fabricante de alimentos, a saber, após haver sido coletado pelo distribuidor que posteriormente o forneceu ao fabricante de alimento.

O que temos aprendido:

O PEDV tem baixa estabilidade térmica, como outros vírus envelopados. O PEDV é inativado no plasma pelo processo de spray drying (Pujols y Segales, 2014. Vet Micro 174: 427-432; Gerber et al., 2014. Vet Micro ;174:86-92).

PEDV inoculado experimentalmente em plasma spray dried é inativado durante o armazenamento por 7 dias a 22oC (Pujols & Segalés, 2014. Vet Micro, submitted) e também é inativado em fezes a 20oC por 7 dias (Thomas et al., En Proc 23rd Intl Pig Vet Soc Congress: 8-11 June 2014; Cancun, Méjico. 2014:249).

Outras pesquisas realizadas demonstram que o plasma suíno spray dried positivo para o genoma de PEDV não foi infectivo em leitões suscetíveis alimentados ad libitum com dietas contendo plasma (Campbell et al., En Proc Allen D Leman Swine Conf 2014,40:15; Opriessnig et al., PLOSone 2014,9(8):1-10).

Uma investigação epidemiológica com ingredientes de origem suína, e sua possível associação a casos de PEDV no meio Oeste dos EUA, indicou que a razão de chance para esses ingredientes disseminarem o PEDV é insignificante ou muito baixa (Neuman et al., invitado a una presentación en la Allen D Leman Swine Conf 2014).

No Brasil, mais de 2,5 milhões de suínos foram alimentados com plasma de origem americana com genoma de PEDV, de abril a dezembro de 2013, e apesar disso o país permanece livre de casos de PEDV. Da mesma forma, mais de 3,5 milhões de suínos, no Oeste do Canadá, foram alimentados com plasma oriundo dos Estados Unidos, com genoma de PEDV, no mesmo período, e essa região do Canadá até o momento não relatou casos de PEDV associados a alimentos ou ingredientes (Crenshaw et al., En Proc. Allen D Leman Swine Conf. 2014, 40:14).

Estes resultados não sustentam a hipótese de que o plasma spray dried seja um veículo para a disseminação do PEDV. O plasma suíno spray dried é um ingredientes seguro e importante para uso na alimentação de suínos.

Considerando que a PED é uma doença relevante e economicamente importante, a APC continua trabalhando com a indústria e a comunidade científica para compreender as vias de disseminação e as práticas adequadas para prevenir a propagação dessa enfermidade.

Embora a investigação do CFIA tenha relatado que o plasma suíno spray dried comercial Americano amostrado em uma fábrica de ração continha PEDV infectivo, os resultados de pesquisas e investigações controladas subsequentes não confirmam que o plasma suíno spraydried seja infectivo e dissemine o PEDV. Outras evidências recentes sugerem que o PEDV infectivo pode ser disseminado por diversas rotas, incluindo ar, veículos de transporte e alimentos contaminados pelo ambiente, sem ingredientes de origem animal. A pesquisa discutida aqui demonstra que o PEDV é inativado por spray drying e que plasma suíno PCR positivo para PEDV não é uma fonte de PEDV infectante. O plasma suíno spray dried é um 9 ingrediente seguro e vital que fornece nutrição para melhorar a habilidade dos suínos em crescerem saudáveis e enfrentarem o estresse associado à desmama.

Conclusões:

Os ingredientes funcionais têm efeitos sobre a resposta imunológica intestinal, sobre a função de barreira da mucosa intestinal e sobre o desempenho produtivo dos animais. Os resultados de trabalhos científicos disponíveis na literatura indicam que os produtos derivados de plasma spray-dried produzem claramente e de forma consistente benefícios sobre o desempenho produtivo dos animais devido a melhoras na função de barreira intestinal e modulação da resposta imune. O plasma atomizado é uma proteína funcional que apresenta benefícios constantes sobre o desempenho e o bem estar animal e por isso é utilizado amplamente em dietas de leitões desmamados. Além disso, é um ingrediente seguro para alimentação animal.

 

 

 
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