Caracterização de um rebanho Gir Leiteiro quanto à origem do DNA Mitocondrial (mtDNA)

Publicado: 15/04/2013
Autor/s. : Anibal Eugênio Vercesi Filho do Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios do Nordeste Paulista -PRDTA-, Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios -APTA-, SP; André Lima Dias da Prefeitura Municipal de Mococa, SP; Vera Lúcia Cardoso e Lenira El Faro do PRDTA do Centro Leste, APTA, SP, e Giovana Krempel Fonseca Meringues e Flávio Vieira Meirelles do Departamento de Ciências Básicas, Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos -FZEA-, Universidade de São Paulo -USP-, SP.

INTRODUÇÃO No Brasil, o rebanho bovino foi formado originalmente pelo gado de origem taurina trazido da Península Ibérica na época da colonização. Com a entrada do gado zebuíno, grande parte do rebanho nacional passou por um processo de substituição através de cruzamentos absorventes com touros zebuínos (SANTIAGO...

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15 de Abril de 2013

Não quero questionar que a manutenção das raças seja fundamental, mas essa questão de "raça pura" é muito subjetiva. Não tenho dúvidas de que se analisarmos o DNA das grandes campeãs da raça gir na sua variedade leiteira o mtDNA será de Bos taurus.

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Miguel Eduardo Villarreal Torres Miguel Eduardo Villarreal Torres
Engenheiro Químico
16 de Abril de 2013
Obrigado pela importante informação.
Responder
Ivan Ledic Ivan Ledic
Doutor em Produção e Melhoramento Genético Animal
21 de Abril de 2013

Anibal, trabalho esclarecedor. Somente para agregar mais bibliografia sobre o DNA mitocondrial do Gir Leiteiro, informo o trabalho publicado da Tese de Doutorado do Dr. Sandro Henrique Antunes Ribeiro com o rebanho da Epamig.

RIBEIRO, Sandro Henrique Antunes ; PEREIRA, J. C. C. ; VERNEQUE, R S ; SILVA, Martinho de Almeida e ; BERGMANN, J.A.G. ; LEDIC, Ivan Luz ; Morais, O.R. . Efeitos da origem e da linhagem do DNA mitocondrial sobre características produtivas e reprodutivas de bovinos leiteiros da raça Gir.. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia , v. 61, p. 232-242, 2009.

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Ivan Ledic Ivan Ledic
Doutor em Produção e Melhoramento Genético Animal
6 de Maio de 2013

Ricardo Imbassahy, não só no Gir Leiteiro, mas em todos os Gir e na maioria dos Zebus. Inclusive muitos POI Nelre apresentam DNAs taurus conforme trabalho de tese da USP- Ribeirão Preto. Muitos animais adquiridos pelos importadores que foram à Índia eram animais de rua e que já haviam sofrido cruzamentos com outras raças. Se analisarmos que entraram somente cerca de 680 animais Gir nas importações da Índia até 1962 (e a maioria era machos), como é que já em 1973 tinham mais de 28 mil RGD? E isso sem FIV e TE. Em todas raças Zebus houve cruzamentos entre elas, o que se procura é registrar animais que enquadrem dentro do padrão especificado para manutenção daquilo que se chama raça, uma convenção.
Visando aclarar definições e buscar respostas do que são raças e pureza racial, consultamos a literatura onde geneticistas e biólogos discutem esse assunto. As divisões da taxonomia dos seres vivos tentam descrever através da filogenia o princípio darwiniano de ascendência comum, para se chegar até a espécie animal. Segundo a teoria da evolução, nas espécies sexuadas, um conjunto de indivíduos geneticamente idênticos, que poderiam ser considerados raças puras, não existem e nunca existiram.
Em uma espécie animal sempre ocorreu migração de genes por acasalamentos entre grupos, famílias e variedades em seu habitat natural. No passado, alguns grupamentos ou manadas, por isolamento geográfico e adaptação ao meio ambiente, desenvolveram aparência ou tipo definido, mas ainda assim com variação individual e com genes advindos de diversos tipos da população da espécie que lhe deu origem.
Assim, em biologia, os zoólogos geralmente consideram ‘raça’ um sinônimo das subespécies, caracterizada pela comprovada existência de linhagens distintas dentro das espécies. Segundo a FAO, é um termo mais cultural que técnico.
Em seus primeiros estágios, todas as raças têm um centro geográfico de origem onde 'determinados animais se assemelham' e, após a domesticação, os criadores desenvolveram seleção e comercialização desse chamado agrupamento biológico. Através de meticuloso registro de pedigrees se tenta isolar esses animais e evitar a migração de genes de outros animais da população.
Raça, então, não são indivíduos nem genótipos particulares; são uma espécie com populações mendelianas animais que segregaram e evoluíram. Isso posto, para fins práticos, uma população é uma Raça quando:
1. tem características que a identifique e/ou;
2. tem uma associação formal de criadores e/ou;
3. quando uma entidade ou governo afirma que ela é.
Do ponto de vista do “Código Internacional de Nomenclatura Zoológica”, não existe nenhuma norma para considerar categorias sistemáticas abaixo da subespécie. Dessa forma, podemos dizer que raça 'puro sangue' é aquela que tenha uma história antiga, com documentação de seus pedigrees em livros genealógicos. Mesmo quando consideradas raças, podem ocorrer desacordos sobre o tipo ou sobre a finalidade dessas. Esse desentendimento pode transformar-se em uma nova divisão sobre padrões da raça e a população, então, pode subdividir-se novamente em dois ou mais subgrupos com coesão própria. Nem por isso, eles deixarão de ser a mesma 'raça' e de serem considerados 'puros' na visão de inventário das descrições de pedigrees.
Depois da domesticação, através do melhoramento e seleção, todas as 'raças' bovinas evoluíram para um tipo mais adequado às necessidades do consumidor.
Prefiro o conceito de recurso genético que nos conduz a uma reflexão mais profunda do que o Gir Leiteiro representa. Recurso sim, em todas suas formas linguísticas, seja como alternativa, auxílio, remédio ou mesmo, patrimônio. Sem dúvida o Gir Leiteiro representa um bem que dispomos para a pecuária leiteira tropical. E mais, uma alternativa aos modelos de produção predominantes no mundo, o “remédio” que auxilia a mudar esta lógica imputada pelos nórdicos aos países em desenvolvimento. Temos Gir Leiteiro como recurso genético dinâmico que tem evoluído no tempo de acordo com as necessidades circunstanciais do Mundo Tropical. A aplicação do conhecimento aconteceu e o melhoramento ocorreu. Há décadas estamos dando “Olé!”.

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Andre Oliveira Andre Oliveira
Licenciatura em Engª Zootecnica
12 de Maio de 2013
Caro Ivan:

Esclarecedora a forma como abordou o conceito de "raça".
Concordo plenamente consigo.
Em Portugal o Clube Português de Canicultura patrocinou no fim a década de 90 um estudo de marcadores genéticos com o objetivo de diferenciar as 8 raças portuguesas e ajudar a tomar a decisão de considerar uma nova. O resultado foi de que, segundo a marcação genética, e apesar das 8 raças estarem perfeitamente definidas há 50 anos, as 8 raças teriam de se resumir a apenas 3.
Este problema só foi resolvido com a análise biométrica, histórica e funcional.
Ou seja, o fenótipo, a expressão dos genes num determinado ambiente durante anos e a sua consistente seleção e passagem às gerações futuras, com benefício para o Homem e animais envolvidos, é para mim, o conceito de raça.
E diria mais: "raça não existe e no entanto é tudo o que queiramos que ela seja"; isto é, a raça de um qualquer animal doméstico não faz sentido (porque pressupõe um investimento de muitos anos e décadas) se não fôr para que o animal esteja servindo os interesses do Homem.
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13 de Maio de 2013

Vivemos de 1978 a 1983 - cinco anos - analisando a sobrevivência dos animais na Grande Seca ("maldição dos 100 anos"). Ficou evidente a "rotina" de aniquilamento dos animais por redução filogenética. Os que apresentavam maior dissociação genética sucumbiram primeiro. A ordem foi a seguinte, conforme várias publicações na revista "Agropecuária Tropical" daqueles anos: 1) taurinos leiteiros diante da falta de alimentos; 2) taurinos de corte; 3) mestiços tauríndicos leiteiros; 4) mestiços tauríndicos de corte; 5) zebuínos com forte dissociação genética (várias "raças" no mesmo animal); 6) zebuínos com pouca variabilidade genética em seu patrimônio (guzonel, indunel, etc.); 7) zebuínos rigorosamente "puros" (Guzerá, etc.). Chegamos a ver uma fazenda com 1.000 vacas Nelore e todas estavam mortas, voltadas para o açude sem água. Quando morreu o primeiro Guzerá, a maior parte dos rebanhos já estava dizimada (1981 e 1982). Estranhamente, um mestiço de Gir com Nelore sobreviveu, orgulhosamente, enquanto todos seus contemporâneos morreram! Estas observações garantem que a seleção por Filogenia é necessária em regiões onde há possibilidade de grandes secas (ou frios). Quanto mais homogêneo for o patrimônio genético, mais adequado será o animal à equação do organismo adequado: "região + situação". O conceito de "raça", portanto, tem muito a ver com a dissociação genética do grupamento básico adequado a certa região (mais situação). Exemplo: um Gir Leiteiro fortemente taurinizado sucumbirá, no Semiárido brasileiro, mais rapidamente que um Gir Leiteiro fracamente taurinizado. Já um Gir Leiteiro "puro" dificilmente sucumbirá. Para analisar a sucumbência, existe a "redução filogenética", ou seja, o abandono deliberado ao sol, por gerações, para reduzir a influência tauríndica. Foi o que aconteceu com o "Anglo-Nubiano" que perdeu o "Anglo". É o que faz o Nelore Convernel, para obter animais "originais", ou seja, da origem. A redução filogenética é uma ferramenta para testar adequação a "n" climas, situações, regiões, etc. e deveria ser bastante utilizada. Muitos produtores de carne fazem a "redução filogenética", antes de utilizar os touros adquiridos, com sucesso. A sistematização da prática é o fundamento da Ciência! Rinaldo dos Santos (vide ZEBU: a Pecuária Sustentável, e outros livros que abordam a pecuária em regiões rústicas).

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