Análise econômica de sistemas de produção de cordeiros no Estado do Rio de Janeiro

Publicado: 20/01/2014
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Sumário

Objetivou-se estudar a viabilidade econômica da utilização de diferentes sistemas de produção de cordeiros destinados ao abate. Foram comparados os benefícios diretos (custos x renda) do Sistema tradicional, do Sistema intensivo normal e do Sistema IZ de abate super-precoce, usando os indicadores financeiros: VPL, relação custo beneficio e a taxa interna de retorno, no município de Araruama, RJ. Os resultados obtidos permitiram constatar que o Sistema de produção para abate super-precoce de cordeiros representa um custo adicional significativo para o produtor rural, mas ocupa uma área mínima e tem a maior lucratividade que os outros sistemas, ou seja, aumenta a produção por hectare.

Palavras chave: Cordeiros, produção de carne, viabilidade econômica.

Introdução

Dentre os diversos ramos do agronegócio, a ovinocultura vem se destacando nos últimos anos por suas características de alta lucratividade e rápido giro financeiro. Além disso, esta atividade pode ocupar o espaço deixado por outras atividades pecuárias, viabilizar pequenas propriedades, utilizar áreas com relevo impróprio para outros ruminantes ou mesmo ser a atividade principal dentro de uma grande empresa rural. O Sistema de criação tradicional é baseado na utilização de matrizes comuns, sem raça definida, ou ainda de animais deslanados, notadamente das raças Santa Inês e Morada Nova, que são menos exigentes em alimentação e mais prolíferos, caracterizando-se pela manutenção das crias a pasto até o desmame, desta forma o desempenho, tanto das matrizes, como das crias fica prejudicado. O sistema de criação intensivo normal de ovinos baseia-se na manutenção das matrizes em pastagens de forrageiras de alta produtividade e elevado valor nutritivo, manejadas intensivamente, associado à fase inicial e acabamento dos cordeiros em sistema de confinamento. O sistema criação intensivo para abate super-precoce é semelhante ao sistema intensivo normal, no entanto, faz-se necessária a utilização de reprodutores selecionados de raças especializadas para corte, tais como Texel e Dorper, entre outras, possibilitando a obtenção de cordeiros com elevado desempenho ponderal e boa conformação de carcaça. Os índices zootécnicos médios para os três sistemas podem ser encontrados em Cunha, et al.(2005). O objetivo do presente estudo foi estudar a viabilidade econômica da utilização de diferentes sistemas de produção de cordeiros destinados ao abate.

 

Material e métodos

Em qualquer atividade avaliar os custos, envolvidos no sistema de produção, deve ser a premissa básica para que os produtores possam ser competitivos no mercado (DANTAS, 1996). Essa avaliação permite verificar a viabilidade econômica do sistema de produção escolhido, que é a condição mais racional para que o produtor entre em determinada atividade, ou mesmo, permaneça nela. Para fins de analise econômica, foram considerados três sistemas de produção para ovinos, preconizados para o Estado do Rio de Janeiro, da Embrapa caprinos (2005) como base para as instalações. Estudou-se cada sistema de produção, separadamente, adotando-se um período de 12 anos, em função da vida útil das cercas, para a realização das estimativas dos custos e benefícios envolvidos em cada sistema. Os indicadores de resultados utilizados foram: o valor presente liquido (VPL), a relação beneficio/custo (B/C) e a taxa interna de retorno (TIR). Neste estudo, adotou-se como Taxa Mínima de Atratividade (TMAR) o rendimento anual médio da caderneta de poupança de 8,4%. O tratamento teórico desses indicadores está disponível em vários textos, como em Peres et al. (2004), por essa razão, não será aqui apresentado. A área média das pequenas propriedades rurais no Estado do Rio de Janeiro não ultrapassa 20 ha (VIEIRA, 2005), assim, baseado neste fato e com Cunha et al. (2005) foram elaborados três projetos em ovinocultura, para uma propriedade com essa dimensão, cada um deles guiado pelos parâmetros do tipo de sistema designado.

Para Macedo e Martins (2000), a consolidação da produção de carne de ovinos só é possível a partir do nascimento e desenvolvimento dos cordeiros, o que exige como primeira ação concreta a ser tomada é a escolha do rebanho materno. Assim, os dados referentes à constituição dos rebanhos, aos custos de produção do Sistema tradicional foram obtidos com base em um questionário elaborado aplicado em propriedades rurais representativas no município de Araruama, RJ, Brasil. O questionário constituiu-se de 50 perguntas de caráter técnico que procurou caracterizar os rebanhos, as propriedades e definir as atividades e operações utilizadas na implantação, condução e exploração bem como custos, receitas. O preenchimento dos questionários foi realizado durante a 1a Mostra de Caprinos e Ovinos da Região dos Lagos, no município de Araruama, RJ, durante os dias 22 a 25/09/05. Os preços de mercado de todos os fatores de produção referem-se ao mês de dezembro de 2005 sendo o preço médio de mercado do Kg do cordeiro vivo, últimos 10 meses, igual a R$ 5,00 e R$ 40,00/t tonelada de esterco (adubo orgânico).

 

Resultados e discussão

Para se chegar aos indicadores econômicos sugeridos na metodologia como aqueles que fariam a distinção entre as diversas alternativas, partiu-se para confecção de um orçamento básico. A figura 1 representa o custo presente orçado nos três sistemas de produção. Desta forma, utilizando os custos (figura 1) foram confeccionados os fluxos de caixa, para cada sistema, sendo possível à obtenção do VPL, TIR e B/C de cada sistema. De posse destes índices, podemos afirmar que os três investimentos são viáveis para o Estado do Rio de Janeiro, pois o VPL dos três sistemas é maior que zero, ou seja, a remuneração do capital é feita com taxa superior ao da TMAR. Caso os investimentos apresentassem VPL menor que zero, ou seja, negativo, significaria que os investimentos seriam inviáveis, pois remunerariam o capital com taxa menor que o da TMAR. Pela B/C os projetos podem ser implantados, porque apresentam valores maiores que 1, ou seja, para cada R$ 1,00 investido no sistema tradicional, intensivo e superprecoce, temos R$ 1,11, R$ 1,50 e R$ 1,64 respectivamente. Com relação à TIR todos os sistemas apresentaram valores superiores à taxa de atratividade de 8,4 % (poupança). Esses resultados indicam que as tecnologias adotadas, nos três sistemas, apresentam viabilidade financeira para o Estado do Rio de Janeiro. O Resumo dos indicadores financeiros dos três sistemas de produção apresenta-se na tabela 1.

 

Conclusões

Os melhores resultados foram obtidos com o sistema superprecoce de cordeiros, constituindo-se em uma alternativa viável de investimento e diversificação para produtores do Estado do Rio de Janeiro.

 

Referências bibliográficas

CUNHA, E.A., SANTOS, L.E., BUENO, M.S. et al. Cordeiros para abate super precoce, tecnologia direcionada ao pequeno e médio produtor, disponível em <www.iz.sp.gov.br> Acesso em 15 de julho de 2005.

DANTAS, A. Métodos de avaliação. In: Analise de investimentos e projetos aplicada a pequena empresa, Brasília, 8ª ed., Editora UNB, 95-110, 1996.

EMBRAPA/Caprinos. 2005. Instalações para caprinos e ovinos, disponível em <http://www.fmvz.unesp.br > Acesso em 04 de nov 2005.

MACEDO, F.A.F., MARTINS, E.N. Estratégias de cruzamentos para produção de carne de cordeiros. In: Encontro mineiro de ovinocultura, 1,Lavras. Anais...Lavras: UFLA, 138-148, 2000.

PERES, A.A.C., SOUZA, P.M, MALDONADO, H. et al. Análise Econômica de Sistemas de Produção a Pasto para Bovinos no Município de Campos dos Goytacazes-RJ. Revista Brasileira de Zootecnia, vol.33, n.6, pp.1557-1563, 2004.

VIEIRA, L.A.F. 2005. Reforma agrária, disponível em <http://www.coladaweb.com > Acesso em 3 de nov, 2005.

 

Figura 1. Custo Presente (%) por atividade para os três sistemas analisados.

 

Tabela 1. Indicadores financeiros para três sistemas de produção de cordeiros, no estado do Rio de Janeiro.

 
Autor/s.
Possui graduação em Farmácia e Bioquímica pela Universidade de São Paulo (USP, 1984), mestrado em Ciências dos Alimentos pela Universidade Federal de Lavras (UFLA, 1992) e doutorado em Ciências dos Alimentos (UFLA, 1997), pós-doutorado no Horticultural Science Department pela University of Florida, USA (2002 - 2003). Atualmente é professor associado IV da UFLA. Tem experiência na área de Ciência e Tecnologia de Alimentos.
 
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