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XXII Congresso Latino-Americano de Avicultura 2011

Fitase dietas milho soja frangos

Efeito da adição de uma nova fitase em dietas a base de milho e soja, para frangos de corte

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Data: quinta-feira, 19 de abril de 2012
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O fósforo, assim como o nitrogênio e o potássio são nutrientes essenciais para as plantas e são adicionados ao solo na forma de fertilizantes para otimizar seu rendimento...

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Sumário

Foi avaliado o efeito do uso de uma nova fitase (RONOZYME HiPhos) sobre o desempenho, parâmetros ósseos e utilização do fósforo em frangos de corte de 8 a 21 dias de idade. Foram utilizados 560 machos Cobb alimentados com dietas de milho e farinha de soja, alojados em gaiolas de metabolismo e distribuídos num delineamento inteiramente aleatorizado, com 7 tratamentos, 8 repetições e 10 aves por unidade experimental. Uma ração basal foi utilizada para atender todas as recomendações para pintos na fase inicial (8 a 21 dias), exceto para P e Ca, os quais foram ajustados com fosfato bicálcico (FB) e carbonato calcítico, obtendo assim valores de 0,17% Pdisp e 0,95 de Ca total. Os tratamentos utilizados foram: T1: Ração Basal (RB); T2: RB + 0,06% de fósforo do FB; T3: RB + 0,12% de fósforo do FB; T4: RB + 0,18% de fósforo do FB; T5: RB + 500 FYT/kg ração; T6: RB+1000 FYT/kg ração; T7: RB+2000 FYT/kg ração. Durante o período experimental (14 dias) foram avaliados os parâmetros de desempenho, ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar. Desde o dia 16 até o 21 de experimentação, foi efetuada – simultaneamente – uma coleta de excretas para determinar o balanço de fósforo. No dia 21, todas as aves foram abatidas para a obtenção da tíbia e do conteúdo ileal. A digestibilidade ileal aparente do fósforo foi determinada pelo método do indicador fecal, utilizando-se a Cinza Ácida Insolúvel (CAI). A adição da fitase melhorou o ganho de peso, conversão alimentar, mineralização óssea, digestibilidade aparente e retenção de fósforo em frangos de corte machos, durante o período inicial. Palavras-Chave: Cinza ácida insolúvel, Digestibilidade, Fitase, Fósforo, Frangos.

Introdução

O fósforo, assim como o nitrogênio e o potássio são nutrientes essenciais para as plantas e são adicionados ao solo na forma de fertilizantes para otimizar seu rendimento. As plantas incorporam o fósforo na forma de ácido fítico, o qual é indispensável para os monogástricos e os ali

mentos de origem vegetal, principalmente o milho e a farinha de soja que são adicionados em grande quantidade na maioria das dietas para aves, o que torna necessária a adição de fontes inorgânicas para suprir os requerimentos dos frangos, sem afetar seu rendimento. No entanto, esta prática traz problemas para o meio ambiente devido a que o fósforo excretado aumenta a eutrofização das águas, diminuindo sua qualidade, afetando negativamente os animais aquáticos. Além disso, o fósforo é um alimento não renovável, é o terceiro nutriente mais caro e não tem substituto na ração dos animais. Também o aumento na demanda de fósforo inorgânico pelos sistemas agrícolas e pecuários, e com uma expectativa de que atinja seu auge de produção máxima em 2030, é necessário procurar alternativas que possam diminuir sua suplementação nas rações e, consequentemente, sua excreção no meio ambiente (Cordell et al., 2009).

Dentro das alternativas encontradas, as fitases receberam especial atenção porque esta enzima quebra a molécula de fitato, disponibiliza não só fósforo, como também outros minerais e aminoácidos, diminuindo sua excreção. A procura de novas fitases, com relativa maior resistência à hidrólise intestinal e maior estabilidade ao calor é um processo contínuo (Dilger et al., 2004).

Por estas razões, o objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito do uso de uma nova fitase, de origem bacteriana, expressa em Aspergillus oryzae (RONOZYME HiPhos, DSM Nutritional Products) em dietas à base de milho e farinha de soja, sobre o desempenho, parâmetros ósseos e utilização do fósforo para frangos de corte de 7 a 21 dias de idade.

Materiais e Métodos

O experimento foi realizado no Setor de Avicultura da Faculdade de Zootecnia do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Viçosa.

Desde o nascimento até os 7 dias de idade, as aves foram criadas sobre uma cama de serragem, com ração e água "ad libitum", recebendo uma ração adequada para o período pré-inicial (24% de Proteína), seguindo as recomendações de Rostagno et al. (2005), exceto para Ca e Pd (0,8 e 0,35% respectivamente). Durante o período experimental (8 a 21 dias), foram usados 560 frangos de corte machos Cobb, com peso médio inicial 0,209 kg, alojados em gaiolas de metabolismo, distribuídos num delineamento experimental inteiramente aleatorizado, com 7 tratamentos, 8 repetições e 10 aves por unidade experimental.  

Foi utilizada uma ração basal, de milho e farinha de soja, que atendia as recomendações para frangos na fase inicial (8 a 21 dias) (Rostagno et al., 2005), exceto para P e Ca que foram ajustados com fosfato bicálcico (FB) e carbonato calcítico, obtendo valores de 0,17% Pdisp e 0,95% de Ca total. A composição química das fontes de fósforo foi determinada previamente para possibilitar a adequada formulação das rações experimentais (Tabela 1).

Tabela 1. Conteúdo de fósforo dos ingredientes usados nas rações experimentais para frangos de corte durante o período de 7 a 21 dias (em matéria natural)

Ingrediente

Fósforo total, %

Cálcio total, %

Milho

0,24

0,026

Frainha de Soja

0,53

0,235

Fosfato Bicálcico

18,56

24,46

Carbonato Calcítico

-

38,67

Os tratamentos experimentais foram: T1: Ração Basal (RB); T2: RB + 0,06% de fósforo do FB; T3: RB + 0,12% de fósforo do FB; T4: RB + 0,18% de fósforo do FB; T5: RB + 500 FYT/kg ração; T6: RB+1000 FYT/kg ração; T7: RB+2000 FYT/kg ração (Tabela 2).

O período experimental foi de 14 dias, em que foram avaliados os parâmetros de desempenho, ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar. Desde o dia 16 até o 20 foram coletadas as excretas para determinar o balanço de fósforo em  ((P total ingerido - P total excretado / P total ingerido) x 100).

Aos 21 dias de idade, todas as aves foram sacrificadas para a obtenção da tíbia e do conteúdo ileal (40 cm do íleo terminal). Os parâmetros ósseos avaliados foram peso da tíbia seca e sangrada (g), cinzas da tíbia (% e g) e fósforo da tíbia (% e mg). A digestibilidade ileal aparente do fósforo foi determinada pelo método do indicador fecal, utilizando-se a Cinza Ácida Insolúvel (CAI).

As médias dos parâmetros avaliados dos tratamentos 1 a 4 foram utilizadas para a obtenção de uma equação linear (Curva Padrão) e, posteriormente, as médias dos tratamentos 5 a 7, que  continham fitase, foram utilizados para calcular o valor correspondente de fósforo de cada nível de fitase, seguindo a metodologia recomendada por Sakomura & Rostagno (2007).

Tabla 2. Composição das dietas experimentais utilizadas de 8 a 21 dias de idade.

 

Tratamentos

 

T1

T2

T3

T4

T5

T6

T7

Milho

54,63

54,63

54,63

54,63

54,63

54,63

54,63

Farinha Soja

38,10

38,10

38,10

38,10

38,10

38,10

38,10

Óleo Soja

2,60

2,60

2,60

2,60

2,60

2,60

2,60

Sal

0,432

0,432

0,432

0,432

0,432

0,432

0,432

Premix Vit1

0,12

0,12

0,12

0,12

0,12

0,12

0,12

Premix Min2

0,05

0,05

0,05

0,05

0,05

0,05

0,05

DL-Met

0,305

0,305

0,305

0,305

0,305

0,305

0,305

L-Lisina HCl

0,10

0,10

0,10

0,10

0,10

0,10

0,10

L-Treonina

0,01

0,01

0,01

0,01

0,01

0,01

0,01

Colina 60%

0,10

0,10

0,10

0,10

0,10

0,10

0,10

BHT3

0,01

0,01

0,01

0,01

0,01

0,01

0,01

Coxistac3

0,055

0,055

0,055

0,055

0,055

0,055

0,055

Subtotal

96,512

96,512

96,512

96,512

96,512

96,512

96,512

Carbonato Calcítico

1,795

1,586

1,376

1,166

1,795

1,795

1,795

Fosfato Bicálcico

0,293

0,617

0,941

1,266

0,293

0,293

0,293

Celite

1,40

1,285

1,171

1,056

1,399

1,398

1,396

Fitase

-

-

-

-

0,0015

0,0026

0,0047

Total

100

100

100

100

100

100

100

Composição Calculada

EM Kcal/Kg

3,00

3,00

3,00

3,00

3,00

3,00

3,00

PB, %

22,3

22,3

22,3

22,3

22,3

22,3

22,3

P Total, %

0,39

0,45

0,51

0,57

0,39

0,39

0,39

P Disponível, %

0,17

0,23

0,29

0,35

0,17

0,17

0,17

Ca Total, %

0,9

0,9

0,9

0,9

0,9

0,9

0,9

Composição Analisada

PB, %

22,41

22,44

22,41

22,44

22,39

22,37

22,32

P Total, %

0,381

0,443

0,512

0,570

0,384

0,389

0,384

Ca Total, %

0,914

0,912

0,912

0,913

0,915

0,915

0,913

Cinza, %

7,16

7,19

6,95

6,90

7,07

7,03

7,01

1 Conteúdo por kg: Vit. A - 15.000.000 UI; Vit. D3 - 1.500.000 UI; Vit E - 15.000 UI; Vit B1 - 2,0 g; Vit B2 - 4,0 g; Vit B6 - 3,0 g; Vit B12 -0,015 g; Ácido nicotínico - 25,0 g; Ác. Pantotênico - 10,0 g; Vit. K3 - 3,0 g; Ác. fólico-1,0 g; Selênio - 0,25 g; antioxidante - 10,0 g e veículo q.s.p. - 1000 g. 2 Conteúdo por Kg: Manganeso - 80 g; Ferro - 80 g; Zinco - 50 g; Cobre - 10 g; Cobalto - 2 g; Iodo - 1 g e veículo q.s.p. - 500 g. 3 Butil-hidroxi-tolueno, 4Coxistac: (Salinomicina sódica 12%; 66 ppm), 5 500 FYT: 10 g/ton, 6 1000 FYT: 20g/ton, 7 2000 FYT: 40 g/ton

Resultados & Discussão

O aumento dos níveis de fósforo inorgânico (PI) e a adição de fitase melhoraram o ganho de peso, conversão alimentar, mineralização óssea e utilização do fósforo (Linear, P<0,01), tabela 3. Estes resultados são similares aos encontrados por Dilger et al. (2004), que observaram uma melhora linear (P<0,01) para os parâmetros de desempenho, mineralização óssea e utilização do fósforo com a adição de fitase em dietas de frangos de corte. O efeito da suplementação de fitase em rações para frangos de corte, durante os primeiros 21 dias de idade foram relatados por diversos autores como positivos (Sebastian et al., 1998; Dilger et al., 2004), não obstante outros não encontraram tal efeito (Perney et al., 1993). Este contraste de resultados pode ser devido a diversos  fatores, entre eles a fonte de fitase, ingredientes (tipo, fonte, conteúdo de fitato) e características da dieta ( processamento, nível de vitamina D e relação Ca:P (Ravindran et al., 1995).

Tabela 3. Efeito da adição de fósforo inorgânico e fitase sobre parâmetros de desempenho, mineralização óssea e utilização de fósforo em frangos de corte de 8 a 21 dias.

 

Nível de P (%)

Adição de fitase (FYT)

0

0,06

0,12

0,18

500

1000

2000

Ganho de Peso (g)1

0,42

0,66

0,77

0,81

0,70

0,72

0,73

Conversão Alimentar (g/g)1

1,54

1,27

1,15

1,13

1,20

1,16

1,13

Peso da tíbia (g) 1

0,89

1,06

1,17

1,24

1,09

1,18

1,20

Cinzas (%)1

41,56

49,64

51,63

53,64

49,62

51,64

52,43

Cinzas (g) 1

0,37

0,53

0,60

0,67

0,54

0,61

0,63

Fósforo na Tíbia (%)1

4,86

5,79

6,01

7,09

6,85

6,92

7,06

Fósforo na Tíbia (mg)1

43,21

61,67

70,13

88,23

74,87

81,55

84,50

Balanço de Fósforo (%)1

64,68

68,31

71,31

74,71

69,51

71,48

73,54

Digestibilidade Ileal Aparente (%)1

62,62

64,05

67,98

75,60

66,41

68,40

74,08

1 Anova: Nível de P efeito Linear (P<0,01); Efeito da Fitase (P<0,01).

Conclusões

A adição de fitase HiPhos melhora o ganho de peso, conversão alimentar, mineralização óssea, digestibilidade aparente e retenção de fósforo em frangos de corte machos, durante o período inicial.

Bibliografia

Cordell D. 2009. The Story of Phosphorus, Eating the Earth, UTSpeaks public lecture series. University of Technology, Sydney, filmed by ABC Fora, Sydney, ABC TV footage available. URL:http://www.abc.net.au/tv/fora/stories/2009/04/09/2539410.htm

Dilger RN, Onyango EN, Sands JS, Aldeola O. 2004. Evaluation of Microbial Phytase in Broiler Diets. Poult Sci. 83:962-970.

Perney KM, Cantor AH, Straw ML et al. 1993. The effect of dietary on growth performance and phosphorus utilization of broiler chicks. Poult. Sci. 72:2106-2114.

Ravindran V, Bryden Wl, Kornegay ET. 1995. In: Poultry Avian Biology Review 6:125-143.

Rostagno HS, Albino LF, Donzele JL. 2005. In: Tabelas Brasileiras para Aves e Suínos: Composição de Alimentos e Exigências Nutricionais. Editor Horacio Santiago Rostagno. 2 ed. Viçosa: UFV.

Sakomura NK & Rostagno HS. 2007. Métodos de Pesquisa em Nutrição de Monogástricos. Editora FUNEP, Jaboticabal.

Sebastian S, Touchburn SP, Chavez ER. 1998. Implications of phytic acid and supplemental microbial phytase in poultry nutrition: a review. World''''''''''''''''s Poult. Sci. J. 54:27-47.

 

 

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