Cálcio codornas japonesas

Exigência de cálcio para codornas japonesas (Coturnix coturnix japonica) machos na fase de 1 a 21 dias de idade

Publicado: 10/01/2013
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Sumário

RESUMO

Objetivou-se, com esta pesquisa, determinar a exigência de cálcio de codornas japonesas machos, no período de 1 a 21 dias de idade. Foram utilizadas 280 codornas com peso médio de 8 ± 2 g na fase inicial. As variáveis estudadas foram consumo de ração (CR), ganho de peso (GP) e conversão alimentar (CA). O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso, constituído de sete níveis de cálcio para cada fase, com quatro repetições de dez aves por unidade experimental. Os níveis de cálcio foram 0,85; 1,00; 1,15; 1,30; 1,45; 1,60 e 1,75%. As suplementações de cálcio foram realizadas através do calcário calcítico da ração. Verificou-se que o CR, o GP e a CA apresentaram efeito quadrático com o aumento dos níveis de cálcio na dieta. Recomenda-se dieta contendo 1,24% de cálcio para codornas japonesas machos no período de 1 a 21 dias de idade.

Termos para indexação: Calcário calcítico, desempenho, mineral.

INTRODUÇÃO

Para viabilizar uma exploração racional de codornas, seja para a produção de ovos, seja para produção de carne, torna-se necessária a realização de pesquisas visando a obtenção de material genético de alta qualidade, produzindo, assim, linhagens comerciais com características de desempenho com exigências nutricionais definidas para a adoção de programas adequados de alimentação, manejo e sanidade (Murakami & Ariki, 1998).

No que se refere às necessidades de minerais para aves, os macrominerais como cálcio e fósforo aparecem como os mais limitantes.

Desta forma, estes devem estar disponíveis na dieta em quantidades e proporções adequadas para atender às necessidades dos animais, considerando a idade, a raça, a categoria ou a situação fisiológica e o sistema de produção adotado (Gomes et al., 2004).

Ao se analisarem as tabelas do AEC (1987) e National Research Council - NRC (1994), observa-se que não há uniformidade na determinação dos períodos referidos para as fases inicial e de crescimento e nem ao menos nos níveis nutricionais recomendados para as fases inicial e de produção de ovos (Murakami & Ariki, 1998).

O NRC (1994) mostra as exigências nutricionais de codornas japonesas sem precisar, entretanto, o término do período de crescimento, ao passo que o AEC (1987) divide a fase inicial de criação em dois períodos de 0 a 3 e 4 a 7 semanas e ambas as tabelas referem-se às exigências nutricionais na fase de produção em apenas uma fase para todo o período de postura. No entanto, sabe-se que as exigências nutricionais das codornas são alteradas em função da espécie a ser criada (codorna japonesa ou européia), sexo, idade e objetivo da criação: produção de ovos de consumo, produção de ovos para incubação ou para produção de carne (Albino & Barreto, 2003).

O Instituto Nacional de la Recherché Agronomique - INRA (1999) traz exigências para codornas na fase inicial (1 a 21 dias), crescimento (22o dia até o abate ou início da produção de ovos) e para a fase de postura, sendo que, para a fase inicial, o valor recomendado de cálcio na ração (0,88%) é superior ao encontrado no NRC (1994) para a mesma fase (0,80%).

Portanto, realizou-se esta pesquisa com o objetivo de determinar as exigências de cálcio para codornas japonesas machos, no período de 1 a 21 dias de idade.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Setor de Avicultura do Centro de Ciências Agrárias, Campus II, Areia/UFPB. Foram utilizadas 280 codornas japonesas machos (Coturnix coturnix japonica) alojadas em gaiolas sobrepostas, de arame galvanizado com 0,33 x 0,38 x 0,16 m, distribuídas num delineamento experimental inteiramente ao acaso (DIC), constituído de sete tratamentos (níveis de cálcio na ração) e quatro repetições de dez aves por unidade experimental. O experimento foi realizado na fase inicial de criação, de 1 a 21 dias e o peso inicial médio das aves foi de 8 ± 2 g. As aves receberam ração e água à vontade.

As rações experimentais foram formuladas para atender às exigências nutricionais das codornas, exceto para cálcio (Tabela 1) de acordo com as recomendações de Silva & Ribeiro (2003). Os tratamentos consistiram em uma ração basal contendo 0,85% de cálcio, suplementada com calcário calcítico em substituição ao material inerte da ração para alcançar as concentrações de 0,85; 1,00; 1,15; 1,30; 1,45; 1,60 e 1,75% de cálcio.

As variáveis estudadas foram consumo de ração, conversão alimentar e ganho de peso. Os valores de ganho de peso, consumo de ração, conversão alimentar e mortalidade foram calculados semanalmente.

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e as estimativas de exigência de cálcio foram estabelecidas através de modelos de regressão linear e quadrática, utilizando o programa SAEG, desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa - UFV (2001).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Tabela 2, são apresentados os resultados de desempenho quanto ao consumo de ração, ganho de peso e conversão alimentar de codornas, no período de 1 a 21 dias de idade.

O consumo diário de ração no período de 1 a 21 dias de idade foi influenciado de forma quadrática (P<0,01) pelos níveis de cálcio na ração, com exigência estimada em 1,19% de cálcio (Y = 3,5111 + 6,2955x -2,6402x2, R2= 0,79). Estes resultados concordam com aqueles obtidos por Qian et al. (1997) e Alves et al. (2000) que, avaliando o efeito de níveis crescentes de cálcio na ração, observaram uma redução do consumo e do ganho de peso de frangos de corte à medida que o nível de cálcio da ração aumentava.

Os níveis de cálcio da dieta também influenciaram quadraticamente (P<0,01) o ganho de peso diário das codornas. A exigência de cálcio estimada para maior ganho através da equação Y = 0,7613 + 2,9971x -1,2434x2 ; R2 = 0,86, foi de 1,21% na dieta.

Em Rhodimet... (1993), podemos encontrar a recomendação de 1,0% de cálcio para codornas no período de 0 a 3 semanas de idade, em rações com 2.900 kcal de EM/kg e 24,5% de PB, enquanto no INRA (1999) encontramos a exigência de 0,85%, 0,90% e 0,95% de cálcio em rações com 2.800, 3.000 e 3.200 kcal de EM/kg e 23,0, 24,6 e 26,3% de PB, respectivamente e no NRC (1994), a recomendação de 0,80% de cálcio em rações com 2.900 kcal de EM/kg. Portanto, a exigência de cálcio encontrada nesta pesquisa foi superior às encontradas nas principais tabelas utilizadas para formulação de rações.

Simco & Stepherson (1961), trabalhando com pintos de corte não encontraram efeito no crescimento de aves alimentadas com rações contendo entre 0,5 e 1% de cálcio. No entanto, Gardiner (1971) observou redução na taxa de crescimento em pintos de corte machos alimentados com rações contendo 0,4% de cálcio. Esse fato pode provavelmente estar relacionado com a ingestão desse nutriente, porque, quando a ingestão de cálcio ocorre abaixo ou acima das necessidades, a homeostase é restabelecida pela ação dos hormônios envolvidos na sua regulação. Schoulten et al. (2002) relatam que a calcitonina atua em feedback negativo ao paratormônio (PTH), inibindo a absorção intestinal e aumentando a eliminação do cálcio pelos rins e estimulando a sedimentação óssea, sendo este fato observado quando se utilizaram níveis acima de 1,45% de cálcio na dieta.

A conversão alimentar apresentou melhor resultado com 1,23% de cálcio na dieta (y = 3,3884- 0,922x + 0,3757x2, R2 = 0,98), o que caracteriza bem a interação entre esse nível de cálcio e o estado nutricional do animal. De acordo com Alves et al. (2002), o estado nutricional do animal tem influência na absorção de cálcio quando animais alimentados com dieta deficiente desse mineral aumentam sua taxa de absorção, enquanto altos níveis dietéticos de cálcio levam à redução da absorção. Segundo Dale (1983), a inclusão de altos níveis de cálcio nas rações aumenta a necessidade de fósforo para frangos de corte. O cálcio interfere na absorção do fósforo, complexando-o em nível de intestino, tornando-o menos disponível, além de dificultar a absorção do mesmo pela ave. Alguns trabalhos mostram que quando foram utilizados níveis abaixo de 1,15 e acima de 1,45% de cálcio na dieta, os resultados de desempenho animal foram piores (Schoulten et al., 2003).

Resultados contrários foram obtidos por Silva (2009) trabalhando com codornas de corte na fase inicial não observaram interações entre os níveis de cálcio e fósforo disponível para as variáveis de desempenho, e mostraram que 0,65% de cálcio foi suficiente para atender à exigência nutricional das aves nesta fase de criação. Esses resultados confirmam os obtidos por Reddy et al. (1980), que, trabalhando com codornas japonesas em crescimento (1 a 21 dias), estimaram exigência de 0,60% de cálcio.

Tabela 1 – Composição percentual e calculada da dieta basal na fase inicial (1 a 21 dias).

 

Tabela 2 – Médias do consumo de ração (CR), ganho de peso (GP) e conversão alimentar (CA) de acordo com os níveis de cálcio na ração de codornas machos na fase inicial de criação.

Shafey & McDonald (1991) citam diversos trabalhos de pesquisa em que demonstraram depressão do ganho de peso e redução da eficiência alimentar em frangos de corte que receberam ração contendo níveis de cálcio variando de 1,3 a 1,7%. Contudo, Costa (2009) trabalhando com codornas aos 21 dias de idade verificaram efeito quadrático dos níveis de Ca da dieta sobre o consumo de ração, o ganho de peso e a conversão alimentar na fase inicial, bem como sobre o teor de Ca na tíbia e no fêmur das codornas obtido com 1,29% de cálcio.

 

CONCLUSÕES

Recomenda-se para codornas japonesas machos dieta contendo 1,24% de cálcio para a fase inicial, de 1 a 21 dias de idade, quando formulada com 0,41% de fósforo disponível.

 

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