Novas normas de abate humanitário exigem qualidade de frigoríficos

Data de publicação : 28/11/2013
Fonte : Suinocultura Industrial

Devido às novas normas do mercado mundial em relação à certificação de bem-estar na indústria de processamento animal, aumentaram as exigências sobre os frigoríficos. A necessidade de adequação a essa nova realidade tem sido tratada como prioridade pelos empresários do setor.
Bem-estar animal são diretivas e/ou normas que são impostas por países importadores, visando atender tanto as exigências do mercado consumidor no quesito qualidade, quanto para equilibrar questões econômicas entre clientes do mercado interno e externo.
Países como Austrália e Uruguai, e também as principais redes de fast-foods, já têm desenvolvido programas específicos para cumprir os padrões pré-existentes das melhores práticas de bem-estar animal. Há décadas, os frigoríficos uruguaios, por exemplo, vêm fazendo fortes investimentos para melhorar suas instalações às exigências do bem-estar animal de primeiro mundo.
A legislação da União Europeia sobre bem-estar animal reconhece que os animais são seres sensíveis que merecem proteção e estabelece exigências mínimas com o objetivo de poupar aos animais qualquer sofrimento inútil em três domínios principais: a criação, o transporte e o abate. O plano de ação (2006-2010) sugeriu a criação de um rótulo comunitário para promover os produtos obtidos no respeito pelas exigências mais rigorosas em matéria de bem-estar dos animais.
Especialistas têm sido unânimes ao apontar a importância das boas práticas pecuárias, em especial o bem-estar animal. De acordo com publicações segmentadas, além do aspecto moral de não maltratar o ser vivo que futuramente servirá de alimento, o trato dispensado ao rebanho pode ter sérias implicações financeiras. O conceito qualidade, cada vez mais, é definido por consumidores, criando a necessidade de maior disseminação de tecnologia – leia-se também treinamento da mão-de-obra – como forma de sanar os problemas relacionados.
Para auxiliar as empresas a se adequarem a essa nova realidade, a WQS criou um selo de certificação em BEA que visa garantir que o produto que chega a mesa do consumidor tenha sido produzido em um frigorífico que cumpre todos os princípios humanitários, resultando um produto final de qualidade comprovada. Esse selo têm por objetivo adequar as empresas nas normas do bem-estar animal com base no Guia de Auditoria e Diretrizes Recomendáveis de Manejo publicado pelo AMI - American Meat Institute Foundation e certificado e acreditado pela PAACO (Professional Animal Auditor Certification Organization), nas diretrizes da UE (1099/2009/CE) e legislação brasileira aplicável e tem como base os conhecimentos da Dra. Temple Grandin (Ph.D em Zoologia e ganhadora do prêmio CSHL Double Helix Medal Honoree).
Já existem duas empresas certificadas: o frigorífico JBS em Andradina/SP e no frigorífico argentino ArreBeef S.A, um processo de certificação da norma AMI (RecommendedAnimal HandlingGuidelines&AuditGuides). “A experiencia que tivemos durante o processo de certificação da norma AMI com a WQS foi muito satisfatória. Trata-se é uma ferramenta ativa, um instrumento que permite padronizar processos, alcançar objetivos e melhorar de forma continua, além de permitir assegurar o cumprimento da legislação”, afirma Daniela Pugin, responsável pelo controle de qualidade da empresa ArreBeef.
Para Daniela, através da certificação de Bem-Estar Animal, se obtém uma vantagem competitiva. “A ArreBeef é o primeiro frigorífico de carne bovina da Argentina a certificar nos padrões do Guia de Manejo Animal do AMI”, comemora. “A certificação maximiza a produtividade de nossos empregados, e os prepara para realizar seu trabalho satisfatoriamente com mais motivação”, conclui.
Pesquisas recentes sugerem que exigências mais rígidas para lidar com os animais destinados ao consumo humano também tendem a se refletir em produtos com mais qualidade e mais valorizados no mercado. A preocupação com o bem-estar animal pode se tornar um tema importante para o consumidor do Brasil, e não apenas para os mercados do mundo desenvolvido. 
Superar o problema do bem-estar animal atinge tanto a eficiência da produção quanto às exigências de mercado, quesito cada vez mais importante à medida que o Brasil consolida sua posição de maior produtor de carne bovina, mas ainda sem receber o que países como Austrália e EUA ganham nas suas vendas externas (Marques 2006).
Para Daniel Boer, diretor de Proteínas para América Latina do McDonald´s Corporation, a questão bem-estar animal é muito importante frente aos fornecedores. Segundo ele, o bem estar animal sempre foi prioridade dentro do sistema Mc Donald’s, já que todos os seus fornecedores passam por processo de auditoria de BEA. “O BEA é uns dos critérios não negociáveis para ser um fornecedor do McDonald´s”, destaca.

 
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