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Pesquisadores orientam sobre retirada de antimicrobianos

Data de publicação : 07/08/2018
Empresa : APC do Brasil Ltda
Fonte : APC

Pesquisadores da APC, Javier Polo, Ricardo Esquerra e Luís Rangel citam a importância do manejo, nutrição e a inclusão de aditivos na dieta das aves para manter a saúde dos plantéis.

Três reconhecidos pesquisadores concederam entrevista sobre a redução do uso de antimicrobianos na avicultura e as alternativas para evitar prejuízos com a retirada dessas substâncias. Javier Polo, PhD, Luís Rangel MV, MSc e Ricardo Esquerra, MV, PhD ressaltam a importância do manejo, nutrição e a inclusão de aditivos na dieta das aves para manter a saúde dos plantéis.

Por que o uso de antibióticos está sendo reduzido na produção avícola?

Luís Rangel, Javier Polo e Ricardo Esquerra (LR/JP/RE) – Existe cada vez mais uma pressão de consumidores para a produção de carne de frango sem uso de antibióticos. Isso se deve a um temor relacionado à presença de resíduos de antibióticos na carne de frangos e à possibilidade de encontrar-se bactérias resistentes que possam posteriormente atingir o homem e causar problemas de saúde decorrentes desse fato. A pressão pela redução no uso de antibióticos na pecuária é um processo crescente e irreversível globalmente. 

O que são promotores de crescimento antibióticos e quais os impactos de sua retirada?

LR/JP/RE - Antibióticos usados em níveis subterapêuticos são chamados de promotores de crescimento, antibióticos têm capacidade de melhorar a saúde e o desempenho das aves nesses níveis de suplementação. Com a sua retirada, podemos observar uma perda de desempenho, um aumento na quantidade de descartes, e patógenos que antigamente eram controlados com mais facilidade, podem vir a ser um desafio maior, como Clostridium perfringens, E coli, Enterococcus, Salmonella, Eimeria spp., e outros. Para as empresas despreparadas, o problema pode ser agravado. 

Como o Brasil está lidando com essa nova situação?

LR/JP/RE - O Brasil vem seguindo a tendência mundial de redução de drogas disponíveis para uso na alimentação animal. Entre as proibições do MAPA nos últimos anos estão avoparcina, arsenicais e antimoniais, cloranfenicol e nitrofuranos, olaquindox, carbadox, violeta genciana, anfenicóis, tetracilinas, beta lactâmicos, quinolonas, sulfonamidas sistêmicas, espiramicina e eritromicina. Além disso, em 2016 foi também proibido o uso de colistina como melhorador de desempenho para alimentação animal.

Quais são as ferramentas que podem ser usadas para substituir os antibióticos?

LR/JP/RE - Existem diversas medidas que o avicultor deve tomar caso elimine o uso de antibióticos em suas granjas. Algumas de particular relevância são a melhoria das instalações, entender a relação de densidade das aves alojadas, o intervalo entre lotes, a saúde, o desempenho das aves nessa nova realidade e o checklist das medidas de biosseguridade para evitar a entrada de patógenos. Em termos de nutrição, elementos na dieta que antigamente eram considerados de menos relevância, tornam-se pontos centrais das novas estratégias nutricionais. Por exemplo, novos critérios de qualidade para os ingredientes usados na ração devem ser desenvolvidos por sua relevância com a fermentação de nutrientes e a saúde intestinal. De particular preocupação o farelo de soja e outros subprodutos de soja, pois parâmetros usados atualmente tais como solubilidade e atividade ureásica, tem relativamente pouca relação com seu potencial impacto na saúde intestinal e desempenho das aves. O uso de alternativas a antibióticos deve ser explorado não unicamente olhando para aditivos antimicrobianos não antibióticos, mas para estratégias que modulem a resposta imune implementando programas que considerem esses dois elementos em conjunto.   

O que é e como age o plasma?

LR/JP/RE - O plasma spray dried é um ingrediente obtido do sangue de bovinos ou suínos sadios após a separação do componente celular (hemácias) do componente líquido (plasma). O tipo de processo usado visa manter a funcionalidade das proteínas contidas no plasma tais como albumina, imunoglobulinas, transferrina, fatores de crescimento, peptídeos bioativos e aminoácidos. A literatura cientifica sobre como o plasma atua em animais é extensa. Esse ingrediente tem sido usado em nutrição de suínos há várias décadas e foi considerado pela American Society of Animal Sciences como uma das dez maiores descobertas do último século em nutrição de suínos. As evidencias indicam que o mecanismo de ação do plasma está muito associado à imunidade de tal forma que animais alimentados com plasma, aumentam a quantidade de citoquinas anti-inflamatórias (i.e., IL-10, TGF-β1) e reduzem a concentração de citoquinas pró-inflamatórias (i.e., IL-1, IL-8, TNF-α) nos tecidos. Em consequência destas mudanças, o status inflamatório basal é menor, efeito que poupa nutrientes para outras funções biológicas tais como crescimento, e reduz o dano nos tecidos provocado de forma natural pela resposta imune. Dados publicados sobre aves expostas a desafios respiratórios ou digestivos tais como Enterite Necrótica, Pasteuralla multocida, e Salmonella, mostram menor mortalidade e melhor desempenho quando alimentadas com plasma. Da mesma forma, observa-se uma melhora na função da barreira do intestino e na integridade da mucosa intestinal. Esses dados em conjunto sugerem que o modo de ação do plasma é único e aditivo aos antimicrobianos. 

Quais são os benefícios do plasma?

LR/JP/RE - Os animais clinicamente sadios que consomem plasmam spray dried em dietas iniciais apresentam melhor ganho de peso e conversão por terem um menor gasto metabólico na resposta imune, e um trato digestório mais saudável. Esses benefícios, embora mais evidentes na primeira semana de vida do pintinho, são mantidos até a idade de abate. Em temos gerais, por cada grama a mais de peso aos 7 dias de vida, obtemos aproximadamente 5 gramas a mais de peso aos 42 dias. A magnitude da resposta ao plasma é maior em situações tais como alta densidade, estresse por calor, programas de vacinação desafiadores, presença de doenças respiratórias ou digestivas de difícil controle, baixa qualidade de pintinho, uso de ingredientes naturalmente contaminados com micotoxinas e ingredientes de baixa qualidade em geral, curto intervalo entre lotes, alta contaminação ambiental, alta densidade na região e instalações não adequadas. Nessas situações, o plasma é uma ferramenta muito valiosa.    

Como o plasma pode contribuir para a retirada de antimicrobianos na produção de aves e ovos?

LR/JP/ RE – A chave é, além de melhorar o manejo e biossegurança, discutidos anteriormente, talvez o uso combinado de algumas tecnologias nutricionais disponíveis, pois dificilmente um único ingrediente ou aditivo resolverá todos os problemas. Nesse sentido, além dos aditivos antibióticos e não antibióticos, há uma categoria de ingredientes disponíveis na nutrição animal que é a categoria dos ingredientes funcionais. Talvez o plasma spray dried seja o componente mais icônico dessa categoria e pode ser considerado uma ferramenta valiosa para a avicultura por sua boa relação custo:benefício quando comparado com outras tecnologias em uso hoje (Tabela-1). O fato do mecanismo de ação do plasma ser diferente e complementar aos antimicrobianos em geral, faz com que a associação do plasma com esses aditivos seja uma opção muito interessante para a produção avícola que visa abordar o tema imunidade e efeito antibacteriano como uma estratégia mais completa e eficaz.  

 

O uso do plasma em aves é muito caro? Qual o seu custo-benefício?

LR/JP/RE - O plasma é uma fonte de aminoácidos digestíveis, proteína e energia. O valor desses nutrientes quando formulados na ração reduz seu custo (shadow price) em aproximadamente 25 a 35%. Por outro lado, em frangos, o plasma é usado principalmente na primeira dieta, pois nessa fase o desenvolvimento imunológico e intestinal da ave é fundamental para seu futuro produtivo. Como o consumo de ração nesses primeiros dias é muito baixo comparado com o consumo total, o custo ponderado da ração é muito similar ao custo de outras tecnologias em uso pela indústria (Tabela-1). A diferença do custo ponderado da ração com plasma descrito na na Tabela-1 ocorre devido principalmente às diferentes durações da fase inicial utilizadas pela indústria. Por exemplo, há programas com dietas de 4 dias. Nesse caso, o consumo de plasma é menor e, portanto, um programa com plasma por 4 dias, tem seu custo médio ponderado pouco elevado quando comparado a um programa sem plasma. Há programas de dietas pré ou iniciciais de 7, 10, 14 e 16 dias, ou mais, em que o consumo dessa ração com plasma por pintinho aumenta, e o custo ponderado do programa com plasma também aumenta. Como regra geral, podemos sugerir um consumo de 3 a 7 g por ave dependendo dos desafios e dos benefícios desejados. Com um aumento no custo médio ponderado de 0,8 a 3,9 USD esperamos uma melhora em desempenho entre 30 a 50 g de GDP e de 0,030 a 0,050 pontos de conversão alimentar ao abate, e um retorno sobre o investimento de, pelo menos, 3 para 1.

Tabela-1: Custo comparativo do uso do plasma vs. outras tecnologias

Há riscos no uso do plasma?

LR/JP/RE - O plasma spray dried é um ingrediente seguro para uso na alimentação animal. Provavelmente é um dos ingredientes mais estudados com respeito à biosseguridade. Foi estudado e demonstrado que o processo de produção contém etapas de controle que garantem que o produto final é seguro frente aos patógenos estudados na produção animal. É importante que o comprador verifique a idoneidade de seus fornecedores e avalie seus controles e garantias de qualidade.

Como é feita a administração? Seu uso precisa ser recomendado por profissional?

LR/JP/RE – No Brasil, onde usualmente temos programas nutricionais com fases iniciais de 7 a 10 dias, recomendamos três gramas ou mais por ave dependendo dos desafios específicos de cada empresa ou região. Recomenda-se que as dietas sejam formuladas por nutricionistas que levem em conta a composição e o perfil aminoacídico do plasma, de modo a balancear as dietas de forma completa e equilibrada.

 
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