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Influencia Da Infecção Urinária Na Matriz Suína Em Produção Na Ocorrência De Doenças Puerperais

DATA DE PUBLICAÇÃO:  16/02/2009
QUALIFICAÇÃO
AUTOR:  Pascoal, L.M. - Peron, H. J. M. C. - Oliveira, F. H. de - Matos, M. P. C. - Fioravanti, M. C. S.- Sobestiansky, J.

INTRODUÇÃO

Estima-se que em unidades intensivas de produção de suínos, perdas econômicas totais superiores a 75% estejam relacionadas a doenças de origem multifatorial, dentre as quais se destaca a infecção urinária (IU) em fêmeas em produção (11). A IU na fêmea suína está entre as principais causas de falhas reprodutivas que influenciam na produtividade do rebanho. (8) observaram uma estreita relação entre infecções urinárias e genitais em criações com alta ocorrência de perturbações puerperais. A IU afeta, principalmente, a saúde geral das matrizes, além de aumentar a taxa de reposição de fêmeas, sendo considerada a doença endêmica mais importante da fêmea suína em produção (6 e 9). As perdas caracterizam-se por problemas reprodutivos, como aumento nas taxas de retorno ao cio, aborto, anestro, síndrome mastite-metrite-agalaxia (SMMA), além da redução do tamanho da leitegada (11). A ocorrência de infecções urinárias de origem multifatorial está relacionada com a presença de fatores de risco, cuja influência sobre os animais é complexa e, acima de tudo, atuam ao mesmo tempo e com efeito cumulativo. O número total de porcas doentes em um rebanho está diretamente relacionado com o conjunto de fatores de risco presente na granja. A identificação de uma porca com IU significa que, pelo menos mais duas a quatro, apresentam a doença. O puerpério tem início com a expulsão das últimas placentas e prolonga-se por cerca de cinco dias até o restabelecimento do estado normal do útero (9). Essa fase é considerada crítica, pois causa excessivo estresse na fêmea, com queda na imunidade, além de traumas físicos que tornam o útero vulnerável à ocorrência de infecções que afetam a saúde da porca e, conseqüentemente, dos leitões (11). Dentre as manifestações clínicas apresentadas nesta fase, destaca-se a febre, a redução na produção de leite e a presença de descarga vulvar purulenta de coloração variável e odor desagradável. Os parâmetros mais usados para se avaliar a saúde da fêmea suína no periparto são: temperatura retal, apetite, alterações mamárias como a mastite e a agalaxia, intervenção no parto e descargas vulvares (8). Os transtornos pós-parto na fêmea suína são de grande importância, principalmente, pela variedade de sinais clínicos e grau com que manifestam, bem como pelo impacto que causam na produtividade do rebanho. As perdas econômicas decorrentes de problemas na fase de aleitamento estão relacionadas tanto com a matriz lactante como com o leitão. Estas perdas podem ser minimizadas de acordo com o estado de saúde das matrizes no pós-parto. Fatores como presença de enfermidades no aparelho reprodutivo, urinário ou locomotor, além do estado nutricional, podem estar relacionados com o desempenho zootécnico dos leitões até o desmame (13). O presente trabalho foi desenvolvido com o objetivo de verificar a influência da infecção urinária em matrizes suínas em produção na ocorrência de doenças puerperais.

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi desenvolvido em uma Unidade de Produção de Leitões localiza na microrregião de Brasília - DF, no período de julho a agosto de 2007. O plantel dessa unidade era composto por 2.400 matrizes em produção, mestiças Landrace X Large White. O programa de biossegurança, o manejo nutricional, o manejo da matriz e dos leitões lactentes não foram modificados durante o período experimental. Foram selecionadas 72 fêmeas de primeira a quarta ordem de parto (OP), as quais foram separadas em dois grupos, de acordo com resultados dos exames de urina: Grupo I: 36 fêmeas, sendo nove em cada OP, sem infecção urinária e Grupo II: 36 fêmeas, sendo nove em cada OP, com infecção urinária (3). Após a transferência para a sala de maternidade, colheu-se a primeira urina da manhã, segundo metodologia descrita por (4 e 9). Imediatamente após a colheita, realizaram-se exames físico-químicos, sendo avaliados a coloração, densidade, odor e exame químico (1, 4 e 10). Realizou-se acompanhamento do parto até o quinto dia pós-parto, período no qual foram avaliadas a temperatura retal da porca, o apetite, a ocorrência de corrimento vaginal purulento e mastite e/ou agalaxia envolvendo uma ou mais glândulas mamárias e aplicação de antibióticos. As variáveis analisadas foram submetidas ao teste de qui-quadrado com correção de Yates (7).


RESULTADOS E DISCUSSÃO

Durante o acompanhamento clínico das matrizes para avaliação da ocorrência de febre, queda no apetite, descarga vulvar, mastite, agalaxia, e aplicação de antibiótico nos cinco primeiros dias após o parto registrou-se casos individuais nas diferentes ordens de parto, tanto no Grupo I como no Grupo II, por um período de dois ou mais dias consecutivos. Em nenhum caso, tanto no Grupo I como no Grupo II, os sinais clínicos caracterizaram um quadro clínico da SMMA. Verificou-se a ocorrência de sinais clínicos isolados os quais não apresentaram diferenças significativas (Tabela 1). A média da temperatura retal das matrizes não ultrapassou o valor de 39,7ºC, valor considerado normal (2). Das matrizes do Grupo I, 8,33% (3/36) apresentaram temperatura acima do valor de referência e em uma delas ocorreu, concomitantemente, descarga vulvar. No Grupo II, apenas uma matriz (2,77% - 1/36) apresentou, simultaneamente, febre e descarga vulvar. Durante o período de avaliação clínica, 13,89% (5/36) das fêmeas do Grupo I apresentaram descarga vulvar, sendo uma de 1ª OP, duas de 3ª OP e quatro de 4ª OP. Já no Grupo II, 30,60% (11/36) das matrizes apresentaram descarga vulvar, sendo que duas fêmeas eram da 1ª OP, três da 2ª OP, quatro da 3ª OP e duas da 4ª OP. Na avaliação do aparelho mamário, foi diagnosticada agalaxia envolvendo uma ou mais glândulas mamárias em 22,22% (8/36) das matrizes do Grupo I e em 25,00% (9/36) das matrizes do Grupo II. Observou-se mastite com acometimento de uma a três glândulas mamárias em 13,89% (5/36) das fêmeas do Grupo I e em 22,22% (8/36) das matrizes do Grupo II, sendo a maior ocorrência dessa enfermidade nas matrizes de 4ª OP. Queda no apetite foi observada em 50,00% (18/36) das fêmeas do Grupo I e, no Grupo II, em 41,70% (15/36) das matrizes. A administração via intramuscular de antibióticos foi realizada em 8,33% (3/36) das matrizes do Grupo I e em 5,60% (2/36) das matrizes do Grupo II. O percentual de matrizes com descarga vulvar no Grupo II (30,60%) foi superior ao encontrado por (5) onde 12,12% das fêmeas positivas para IU apresentaram descarga vulvar. De acordo com (13) a SMMA é caracterizada por um conjunto de sinais clínicos que ocorrem simultaneamente durante o puerpério. No presente trabalho, tanto no Grupo I como no Grupo II, os sinais clínicos não foram registrados todos simultaneamente na mesma fêmea, o que descaracteriza a ocorrência desta síndrome.
Os resultados obtidos permitem inferir que a presença de infecção urinária na matriz suína em produção antes do parto não influenciou na ocorrência de enfermidades puerperais. Isso não denota que devemos desprezar essa enfermidade como uma das mais importantes dentro do SPS nas fases de gestação e maternidade.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ALBERTON, G.C. Prevalência e correlação entre infecção urinária, Actinomyces suis e alguns parâmetros físicos e químicos da urina em porcas gestantes. 1996. 46 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Veterinárias), Escola de Medicina Veterinária, Universidade Federal do Paraná, Curitiba. 2. AMARAL, A. L.; MORÉS, N.; JUNIOR, W. B. Fatores associados à patologia do parto e do puerpério na fêmea suína. Comunicado Técnico. EMBRAPA/CNPSA, Concórdia, p. 1-4, jun/jul. 2000. 3. HEINRITZI, K. ; GINDELE, H.R. REINER, G. et al. Schweinekrankheiten. Stuttgard : Verlag Eugen Ulmer, 2006. 480 p. 4. MENEZES, C. C. P. Estudo clínico e laboratorial de porcas com proteinúria. 2001. 71f. Dissertação (Mestrado em Medicina Veterinária) – Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista, Jaboticabal. 5. MEYER, F. Efeito do estado de saúde da porca e do desgaste ou não dos dentes dos leitões sobre desempenho da leitegada na maternidade. 2005. 35 f. Dissertação (Mestrado em Medicina veterinária). Escola de Medicina Veterinária, Universidade Federal de Goiás, Goiânia. 6. REIS, B. S.; NAKAJIMA, M., NASCIMENTO, E. F.; FERRAZ, I. B. F. LEITE, R. C. Infecções urinárias em porcas. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia. v. 44, n. 5, p. 363-376, 1992. 7. SAMPAIO, I. B. M. Estatística aplicada à experimentação animal. Belo Horizonte, 1998, 221p. 8. SILVEIRA, P. R. S.; ZANELLA, E. L. Influência dos problemas urinários e uterinos no periparto sobre desempenho reprodutivo de porcas. Revista Porkworld, Campinas, ano 4, n. 22, p. 108-112, set./out. 2004. 9. SOBESTIANSKY, J. Infecção urinária em fêmeas em produção. In: SOBESTIANSKY, J.; BARCELLOS, D. Doenças dos Suínos. Goiânia: Cânone, 2007. p. 127-141. 10. SOBESTIANSKY, J.; MORES, N.; VIEIRA, R. A. B. et al. Infecções urinárias na fêmea suína.  Circular técnica. EMBRAPA – CNPSA.  Concórdia, n. 11, p. 1-49, 1992. 11. SOBESTIANSKY, J.; WENDT, M. Infecção urinária na fêmea suína: epidemiologia, sintomatologia, diagnóstico e controle. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE VETERINÁRIOS ESPECIALISTAS EM SUÍNOS, 6., 1993, Goiânia, Anais... Concórdia: EMBRAPA-CNPSA, 1993. p.51 – 63. 12. SOBESTIANSKY, J.; WENTZ, I.; SILVEIRA, P. R. S.; SESTI, L. C. A. Suinocultura intensiva: produção, manejo e saúde do rebanho. Brasília: EMBRAPA, Sistema de Produção de Informação – SPI, 1998. 13. ZANELLA, E.; SILVEIRA, P. R. S. da.; SOBESTIANSKY, J. Falhas reprodutivas. In: SOBESTIANSKY, J.; BARCELLOS, D. E. S. N. Doenças dos suínos. Goiânia: Cânone Editorial, 2007. p.541-575.

 




Tabela 1. Ocorrência de alterações puerperais das matrizes negativas (Grupo I) e positivas (Grupo II) para IU de 1ª (OP1), 2ª (OP2), 3ª (OP3) e 4ª (OP4) ordem de parto.

 

Febre

D. vulvar

Agalaxia

Mastite

Oligorexia

Antibiótico

OP1

 

 

 

 

 

-

Grupo I1

2 (22,2%)

1 (11,1%)

4 (44,4%)

1 (11,1%)

8 (88,9%)

-

Grupo II1

0 (0,0%)

2 (22,2%)

2 (22,2%)

2 (22,2%)

7 (77,8%)

-

p2

0,471

1,000

0,620

1,000

1,000

-

OP2

 

 

 

 

 

 

Grupo I1

0,0

0,0

1 (11,1%)

2 (22,2%)

2 (22,2%)

0,0

Grupo II1

1 (11,1%)

3 (33,3%)

2 (22,2%)

1 (11,1%)

4 (44,4%)

1 (11,1%)

P2

1,000

0,206

1,000

1,000

0,620

1,000

OP3

 

 

 

 

 

 

Grupo I1

1 (11,1%)

2 (22,2%)

1 (11,1%)

0,0

3 (33,3%)

2 (22,2%)

Grupo II1

0,0

4 (44,4%)

2 (22,2%)

2 (22,2%)

1 (11,1%)

0,0

p2

1,000

0,620

1,000

0,471

0,576

0,471

OP4

 

 

 

 

 

 

Grupo I1

-

2 (22,2%)

2 (22,2%)

2 (22,2%)

5 (55,6%)

1 (11,1%)

Grupo II1

-

2 (22,2%)

3 (33,3%)

3 (33,3%)

3 (33,3%)

0,0

p2

-

1,000

1,000

0,637

1,000

0,471

1Nove animais por grupo
2Teste: Qui-quadrado com correção de Yates, p<0,05 significa que houve diferença estatística.

DATA DE PUBLICAÇÃO:  16/02/2009
QUALIFICAÇÃO
AUTOR:  Pascoal, L.M. - Peron, H. J. M. C. - Oliveira, F. H. de - Matos, M. P. C. - Fioravanti, M. C. S.- Sobestiansky, J.
 
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Prof. Roberto de Andrade Bordin
Médico Veterinário
Staff: Universidade Anhembi Morumbi - Brasil
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  16/02/2009
Olá...parabéns pelço artigo.
Tenho uma dúvida, qual sua opinião sobre o uso e acidificantes para controle de infecção urinária em matrizes suínas?

Prof. Roberto de Andrade Bordin - DMV, M.Sc
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Staff: Evimix
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  01/03/2009
Guilherme Leônidas
Roberto sobre o seu comentário,estou usando acido citrico nas granjas estamos optendo um excelente resultado.
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Médico Veterinário
Brasil - Goias
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  31/03/2009
Obrigada, Prof. Roberto!

Existem várias opniões técnicas sobre a utilização de acidificantes, uns são contras outros a favor. Tem sido demostrado que a utilização de acificantes realmente leva a diminuição do pH da urina, essa alteração porém não perdura por muito tempo. Consequentemente, a acidificação deve ser realizada periodicamente. Além da acidificação devem ser adotadas medidas relacionas a higiene e manejo.
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Prof. Roberto de Andrade Bordin
Médico Veterinário
Staff: Universidade Anhembi Morumbi - Brasil
Brasil - São Paulo
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  ContatarContatar
  13/04/2009
Olá Livia...
Para complementar a citação do outro membro do fórum vcs avaliam a carga microbiana (qualitativo e quantitativo) prévia desta urina? ou apenas usam o acidificante sem esta avaliação...
abs
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