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Creche Diagnóstico Prevenção Tratamento

Doenças na fase de Creche: Diagnóstico, Prevenção e Tratamento

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Nos últimos anos a suinocultura brasileira tem apresentado um crescente desenvolvimento, tanto em capacidade de produção, quanto tecnológico. O crescimento da atividade também contempla as perspectivas e cenários otimistas que compreende desde maior aceitação por parte do consumidor pela carne suína, aumentando o consumo interno, abertura de novos mercados externos antes restritos por barreiras sanitárias.

O crescimento da atividade, seja na expansão das unidades de produção ou aberturas de novas unidades de produção, nos desafia com as oportunidades e riscos. Dentre os desafios que temos pela frente, cabe ressaltar o Controle Sanitário para a máxima expressão da capacidade genética dos animais e o máximo aproveitamento da nutrição, otimizando os resultados zootécnicos e econômicos.

Um denominador comum dos diferentes sistemas de produção e dos estilos de manejo tem sido o DESAFIO SANITÁRIO que tem grande parte do seu impacto devido a condição de confinamento e ambiência, nem sempre favorável. Sabemos que patologias ou doenças fazem parte da vida e conseqüentemente do sistema de produção animal. Diversos estudos demonstram que doenças respiratórias, entéricas e sistêmicas estão disseminadas em nosso meio e somente granjas de animais SPF (Specific Pathogen Free) destinadas a pesquisa ou núcleos genéticos apresentam ausência destas, mesmo assim com dificuldades para permanecer livre ao longo do curso da atividade.

Existindo o problema temos de buscar o controle, porem o uso de medicação por tentativa (empírica ou sem definição dos agentes etiológicos), associado a falta diagnóstico correto, faz que o suinocultor não obtenha o melhor resultado ou se conforte com um baixo desempenho.

Quando diminuem os sintomas (tosse, espirros, mortalidade) não significa que o melhor resultado foi obtido e o desempenho sub-ótimo ou doença subclínica pode comprometer a lucratividade.

É patente que as doenças tem sido um fator de restrição para a produção suinícola eficiente e através da medicina veterinária preventiva podemos estabelecer um adequado DIAGNÓSTICO, CONTROLE e PREVENÇÃO EFICAZ.

1. Fase de Creche: da proteção materna ao meio desafiador

A fase de creche é a fase mais desafiadora para os leitões, pois estes saem do conforto da sua primeira fase de vida, sendo retirados da proteção da mãe, da nutrição do leite materno e ainda do ambiente em que nasceram (maternidades) e são colocados a prova na sua nova realidade. Estas mudanças ambientais e nutricionais são ainda acompanhadas de mudanças sociais causadas pelas uniformizações de lotes, prática muito utilizada, e ainda a mudança fisiológica que o animal desmamado e em formação esta submetido.

A desmama de leitões que na natureza ocorrem por volta da 12ª. semana de vida, num sistema industrial tecnificado ocorre entre a 2ª. e 4ª. semana de vida. Neste momento de desmama, o anima que anteriormente mamava a cada 45 a 60 minutos, passa a ter que se alimentar a base de ração e água, perdendo assim alguns fatores imunológicos do leite e mesmo nutrientes disponibilizados com eficiência na natureza.

Apesar de todos os avanços na área de nutrição sabemos que muito temos de evoluir para atingir uma melhor reposição da nutrição materna, tanto devido aos níveis nutricionais como devido a fisiologia do leitão, principalmente no tocante a sua capacidade de digestão, como exemplificado nas tabelas abaixo.

Tabela A



Tabela B



No tocante a resistência dos animais ou mais especificamente a imunidade, tem a ocorrência da queda de anticorpos colostrais e perda da imunidade passiva ou materna na fase de creche (vide Gráfico A), submetendo os animais ao desafio sanitário e daí a necessidade de prepará-los através da boa vacinação para que tenham imunidade ativa e sólida frente aos desafios específicos da granja.

Gráfico A



Outro agravo importante que ocorre é a mistura de animais desmamados pela uniformização de lotes que implica em colocar animais com diferentes cargas de microbiota e resistência numa mesma baia. Somado a isto, há ainda que se lembrar do stress pela manipulação dos animais e o stress das brigas que ocorrem no estabelecimento da hierarquia social dentro das baias.

Deste modo, vemos que o leitão desmamado esta sob forte desafio numa fase que representa 1/3 da sua vida dentro da granja e que tem forte impacto sobre seu peso de abate, cabendo a nós adotar medidas para sua melhor adaptação e melhores resultados.

2. Numerosos Agentes Desafiadores

As doenças na fase de creche são causadas por uma série de agentes bacterianos e virais. Alguns tem importância primária, ou seja, se instalam primeiro e iniciam o processo da doença, enquanto outras tem importância secundária ou se instalam como complicantes, sendo muitas vezes os agentes causadores das piores perdas e por isso, apesar de secundários, merecedores de nossa atenção e esforços para controle.

As doenças exóticas ou sob plano de controle governamental, como a peste suína clássica, devem ser notificadas obrigatoriamente e as medidas de controle devem ser adotadas de acordo com a legislação sob supervisão das autoridades competentes.

As doenças mais freqüentes em nosso meio serão discutidas abaixo, sendo agrupadas pela sua forma de apresentação como Doenças Respiratórias, Doenças Entéricas, Doenças Sistêmicas e Doenças de Pele.

3. Principais doenças no nosso meio

Pneumonia enzoótica:
Dentre as doenças respiratórias, historicamente a creche era uma fase crítica para a ocorrência da Pneumonia enzoótica, causada pelo agente Mycoplasma hyopneumoniae. Porém devido a adoção de medidas de manejo (todos dentro - todos fora, “all in - all out”) e sanidade (medicações e vacinações), temos observado mudança na epidemiologia e ocorrência desta patologia que tem acometido com mais e mais freqüência animais mais velhos na fase de recria e até mesmo terminação (Tabela C).

Tabela C



Sinais clínicos: Presença de tosse, presença de animais refugos e baixo peso.

Diagnóstico: é realizado através de exames laboratoriais que podem verificar o envolvimento do agente, sendo recomendado envio de material para exames histopatológicos, bacteriológicos e sorologia. O material para envio a laboratório e amostragem (número de amostras e momento da coleta) deve ser discutido com o médico veterinário sanitarista, buscando auxílio do laboratório.

Controle: realizado através de medicação associado a medidas de melhorias na ambiência.

Prevenção: medidas de biossegurança e vacinação.

Doença de Glasser ou parasuis:
É causada pela bactéria Haemophillus parasuis e diversos sorotipos são encontrados no Brasil. Esta doença que a princípio é classificada como respiratória, causa um quadro de poliserosite, ou seja, acometimento das serosas, tecidos que recobrem diversos órgãos, causando assim não só sintomas respiratórios, mas também mortalidade, sinais de origem nervosa, artrites, etc. Sua incidência em nosso meio tem aumentado, dados de um levantamento realizado no Estado do Paraná, em 2001 (Ristow et alii) indicavam a presença do agente em 94% das granjas pesquisadas. A dificuldade no seu controle resulta da falta de diagnóstico seguro não só do agente envolvido, mas também do sorotipo ou variante presente na granja e sua sensibilidade / resistência aos antimicrobianos.

Sinais clínicos: Presença de tosse, presença de animais refugos e baixo peso. Nos casos agudos, há alta mortalidade. Nos casos crônicos, além dos sinais acima descritos há ainda alta incidência de artrite.

Diagnóstico: realizado através de exames laboratoriais que asseguram o envolvimento do agente e seu perfil de sensibilidade / resistência aos antimicrobianos, sendo recomendado envio de material para exames histopatológicos e bacteriológicos. O material para envio a laboratório e amostragem (número de amostras e momento da coleta) deve ser discutido com o médico veterinário sanitarista, buscando auxílio do laboratório.

Controle: realizado através de medicação associado a medidas de melhorias na ambiência.

Prevenção: medidas de biossegurança e vacinação.

Rinite Atrófica:
É causada pelas bactérias Pasteurella multocida e Bordetella bronchiseptica. Esta doença tem sua apresentação marcante nas fases de recria e terminação, porém sabemos que a contaminação dos animais pode se iniciar na maternidade e creche, e que a grande disseminação dos agentes e colonização inicial ocorre na fase de creche, daí a importância da boa condução das medidas de controle a partir da creche. Segundos estudos realizados por Silva et alii em 2001, 78% dos suínos avaliados em diversos pontos do Brasil apresentavam acometimento pela Rinite Atrófica, isto se deve também devido a forma clínica (ou seja com apresentação visível das lesões de desvio de focinhos) ter diminuído e dado espaço a forma sub-clínica onde poucas lesões são observados nos animais vivos, dificultando a pronta identificação de granjas com o problema.
A abordagem de controle e prevenção de Rinite atrófica deve ser pensada e planejada de acordo com a realidade de cada granja.

Sinais clínicos: Presença de espirros, desuniformidade do lote e alguns animais com baixo peso e presença de pneumonias. Índices de peso de animais terminados demonstrando desuniformidade (cv> 15%).

Diagnóstico: realizado de avaliação de lesão de cornetos nasais (“score de focinhos”) e através de exames laboratoriais (exames de isolamento bacteriológico) que asseguram o envolvimento do agente e seu perfil de sensibilidade / resistência aos antimicrobianos. Existe a possibilidade de exames sorológicos para detecção de anticorpos anti-toxina dermonecrótica da Pasteurella multocida. O material para envio a laboratório e amostragem (número de amostras e momento da coleta) deve ser discutido com o médico veterinário sanitarista, buscando auxílio do laboratório.

Controle: realizado através de medicação associado a medidas de melhorias na ambiência.

Prevenção: medidas de biossegurança e vacinação.

Estreptococose:
É causada pela bactéria Streptococcus suis e diversos sorotipos causam variadas apresentações no Brasil. Esta doença que a princípio é vista sob a forma de Meningite, é uma doença sistêmica ou seja atinge diversos órgãos, porém os sinais clínico que causam mais alarde e comoção são morte súbita e sinais nervosos de encefalite. A bactéria geralmente está presente nas amígdalas dos animais, que quando submetidos a stress, apresentam infecção generalizada, permitindo que os animais apresentem sinais como: encefalite, espirros, pneumonia, artrite e morte súbita devido a septicemia.

Sua incidência na suinocultura tecnificada mundial tem aumentado e acredita-se que seja uma das doenças mais importantes da atualidade, sendo necessária atenção para o controle efetivo.

Sinais clínicos: Morte súbita, sinais de origem nervosa (pedalagem, falta de locomoção, opistotomo, etc), presença de tosse, presença de artrite e baixo peso.

Diagnóstico: realizado através de exames laboratoriais que asseguram o envolvimento do agente e seu perfil de sensibilidade / resistência aos antimicrobianos, sendo recomendado envio de material para exames histopatógicos e bacteriológicos. O material para envio a laboratório e amostragem (número de amostras e momento da coleta) deve ser discutido com o médico veterinário sanitarista, buscando auxílio do laboratório.

Controle: realizado através de medicação associado a medidas de melhorias na ambiência.

Prevenção: medidas de biossegurança e Vacinação.

Circovirose:
É uma doença viral causada circovírus. Sua distribuição é mundial e seu impacto muito grande pois abre as portas para agentes secundários. Causa síndrome multisistêmica e refugagem de suínos. O impacto da doença varia de granja a granja e diversos fatores estão envolvidos com a forma de apresentação da doença (tipo de granja, manejo, desafios por outros agentes, etc.).

Sinais clínicos: Refugagem de animais, baixo desempenho, outras patologias ocorrendo constantemente na granja e possíveis problemas reprodutivos.

Diagnóstico: realizado através de histórico clínico, índices sub-ótimos e exames laboratoriais que asseguram o envolvimento do agente (Imunohistoquímica, PCR, histopatologia, sorologia pareada). O material para envio a laboratório e amostragem (número de amostras e momento da coleta) deve ser discutido com o médico veterinário sanitarista, buscando auxílio do laboratório.

Controle: realizado através de medicação e vacinação para os agentes secundários, associado a medidas de melhorias na biossegurança e ambiência.

Prevenção: medidas de biossegurança e Vacinação para agentes secundários.

Epidermite Exsudativa (Estafilococose ou doença do leitão graxo):
É uma doença causada pela bactéria Staphylococcus hycus. Esta doença é conhecida e reconhecida pela sua apresentação de doença de pele, porém a apresentação cutânea é apenas um dos sinais (o mais visível), esta é uma doença sistêmica, ou seja, atinge diversos órgãos, deprimindo funções vitais dos animais e interferindo no desempenho dos leitões. O impacto da doença varia de granja a granja, mas a presença de poucos animais com problemas de pele já indica que a doença está acometendo o lote e medidas de controle são recomendadas.

Sinais clínicos: Problemas de pele, presença de animais debilitados e baixo desempenho.

Diagnóstico: realizado através de histórico clínico e exames laboratoriais (exames de isolamento bacteriológico) que asseguram o envolvimento do agente e seu perfil de sensibilidade / resistência aos antimicrobianos. O material para envio a laboratório e amostragem (número de amostras e momento da coleta) deve ser discutido com o médico veterinário sanitarista, buscando auxílio do laboratório.

Controle: realizado através de medicação para tratamento do lote. Pode ser indicado tratamento tópico com antissépticos nos animais com problemas de pele.

Prevenção: existem vacinas disponíveis em outros paises para controle desta.

Doença do Edema:
É causada pela bactéria Escherichia coli que apresentam produção de toxinas específicas. Sua ocorrência na suinocultura é mundial. A apresentação de mortes súbitas devido a edema cerebral pode gerar confusão com outras doenças como Estreptococose ou mesmo Doença de Glasser. Causa sérias perdas diretas (mortes) e indiretas (baixo desempenho, baixo aproveitamento da nutrição, gastos com medicamentos, etc). O uso de antimicrobianos como promotores pode manter o problema subclínico o que faz com que as perdas perdurem.

Sinais clínicos: Presença de mortes súbitas, diarréia ou fezes moles, sintomas nervosos, presença de animais refugos e baixo peso. Nos casos agudos, há alta mortalidade.

Diagnóstico: realizado através de exames laboratoriais que asseguram o envolvimento do agente e seu perfil de sensibilidade / resistência aos antimicrobianos, sendo recomendado envio de material para exames histopatológicos e bacteriológicos. O material para envio a laboratório e amostragem (número de amostras e momento da coleta) deve ser discutido com o médico veterinário sanitarista, buscando auxílio do laboratório.

Controle: realizado através de medicação associado a medidas de melhorias na ambiência.

Prevenção: medidas de biossegurança.

4. Prevalência de Doenças em Granjas

Existem diferenças significativas na prevalência de doenças de creche entre diferentes granjas, mesmo sendo o agente causal sendo o mesmo. Esta situação é confirmada através de diversos estudos que demonstram as grandes diferenças de prevalência que podem existir entre as granjas e mesmo entre lotes sob mesma instalação. Estes dados nos indicam que existem fatores associados especificamente aos lotes (Por exemplo: variações de temperatura, partidas diferentes de ração ou matéria-prima, etc), capazes de causar desequilíbrios que levam a surtos inesperados.

Temos percebido na nossa experiência que desafios todas as granjas possuem, porém são imprevisíveis, e os melhores resultados são obtidos quando se trabalha concomitantemente para diminuir o desafio (medidas de biossegurança, por exemplo, desinfecção) associado a medidas para aumentar a resistência do animal (por exemplo, vacinações).

5. Conhecendo o inimigo

São fundamentais o conhecimento do causador das perdas ou do impedimento de melhores resultados, e ainda a prevalência do problema na granja. Isto deve ser feito de modo seguro e reprodutível, ou seja com uma metodologia analítica confiável, para permitir segurança na tomada de decisão. Deste modo, análises laboratoriais como testes sorológicos e isolamento dos agentes consolidam conhecimento da situação, proporcionando a melhor opção de controle.

De nada adianta implantar medidas corretivas sem termos certeza do alvo que estamos mirando, pois podemos mascarar o problema, confundir os técnicos e mesmo levar a uma falsa segurança com a adoção de medidas erradas.

Segue no quadro abaixo uma sugestão de abordagem diagnóstica para avaliação de creche.

Quadro A

6. Efeitos Econômicos

As perdas econômicas decorrentes das doenças de creche dependem da:
- Idade do animal apresentando a doença
- Severidade da Infeção que se estabelece
- Curso da doença após o surto.

Devido a estes fatores, podemos afirmar que as perdas econômicas são específicos para cada realidade da granja em questão. Os dados de estudos podem variar de amplitude mas se prestam como excelente orientação do que pode estar ocorrendo a campo.

Um trabalho clássico de TIELEN e colaboradores realizado através de um sistema de administração de integração onde foram acompanhados individualmente cerca de 115.000 animais de aproximadamente 500 lotes, demonstrou que os animais perderam de 3,5 kg a 4,5 Kg , devido a problemas respiratórios. Um importante achado neste estudo foi a evidência que animais comprometidos na fase inicial de sua vida, mesmo controlada a doença vão apresentar desempenho inferior ao abate, comprometendo resultados.

Isto pode ser a explicação de alguns casos de baixo desempenho da granja com pouca ou baixa detecção de lesões pulmonares ao abate.

Deve-se ressaltar que além das perdas diretas causadas pelo baixo desempenho zootécnico e mortalidade, existem ainda as perdas indiretas devido ao aumento da susceptibilidade dos animais a doenças secundárias, gastos com medicamento e outras medidas corretivas e até mesmo perdas de difícil mensuração como mão de obra desviada para aplicação de medicamentos, manejo de refugos e outras atividades que tomam tempo. Tempo este que poderia estar sendo utilizado para atividades essenciais e até mesmo melhoria dos procedimentos para obtenção de melhores índices.

7. Bloqueio Físico da Transmissão das Doenças

A produção ineficiente devido às doenças estimulou a pesquisa de novas tecnologias de criação. Na década de 80 foi introduzido o conceito da criação no sistema todos dentro-todos fora (all in – all out) para reduzir ou eliminar a expressão clínica da pneumonia por Mycoplasma em leitões desmamados. Estudos comprovaram a eficiência do sistema, abaixando o número de pulmões afetados de 15,1% para 4,1%, e requerendo menos dias para atingir a idade de abate e cerca de 0,15 Kg de alimento a menos para produzir 1Kg de peso do que nos animais produzidos em fluxo contínuo. Esta tecnologia foi amplamente aceita devido a sua facilidade e custo viável.

Na década de 90 foi introduzido o desmame precoce e o desmame precoce medicado, onde a idade de desmama depende do estado sanitário da granja e a doença alvo a ser controlada, alojando os desmamados em sítios segregados. Esta tecnologia teve sua aceitação mais lenta em suinocultura comercial, principalmente devido aos custos que envolve, mas sua eficiência é comprovada. Deve-se prestar muita atenção para a limpeza, desinfecção e outras medidas de biossegurança, indispensáveis para manter um bom estado de saúde dos animais e assim atingir os objetivos.

8. Vacinação e Medicamentos

O controle das doenças através das medidas de bloqueio físico da transmissão das doenças foi incrementado representando progresso no controle de doenças. Entretanto o uso de vacinas 9 até mesmo medicamentos) permite ainda minimizar o impacto de surtos ou até mesmo minimizar a excreção e disseminação dos agentes patogênicos, e diminuir a pressão de desafio nas instalações. Quando utilizados juntos, de forma correta, o somatório das ações dos medicamentos e vacinas fornece melhores resultados.

A adoção ou implantação de determinada vacina deve ocorrer depois de realizado o diagnóstico laboratorial em uma instituição confiável e de qualidade comprovada. É desaconselhável adotar vacinação se não houver uma forte indicação e necessidade concreta desta, além de nos parecer pouco técnico e lógico.

As Vacinas são utilizadas para:
- Reduzir a ocorrência da doença clínica
- Reduzir a pressão de desafio
- Otimizar a eficiência de outras medidas de controle

A eficiência das vacinas é demonstrada através de experimentos em condições controladas. Já dentro da granja, devemos buscar controlar também as interferências, ou seja, manter um padrão de procedimentos.

As condições de aplicação das vacinas podem afetar sua eficiência principalmente quanto a idade de aplicação das vacinas e procedimento de aplicação (vacinação propriamente dita). Muitos casos de falha vacinal ou baixa eficiência tem relação direta com estes dois importantes aspectos.

O momento correto de aplicação das vacinas ou o esquema vacinal deve ser estabelecido baseado na epidemiologia da doença na granja e respeitando as condições de manejo. O médico veterinário é o profissional preparado e indicado para o desenho do plano vacinal. As vacinas devem ser aplicadas antes da ocorrência da doença, ou seja, o animal não deve estar nem no período de incubação muito menos clinicamente doente. Deve-se atentar para a interferência dos anticorpos materiais (colostro) na aplicação das vacinas.

O procedimento da vacinação deve ser o mais higiênico possível e realizado de modo a administrar a dose correta e completa, sem permitir refluxo.

Já os antibióticos ou antimicrobianos são facilmente administrados de forma massal e podem auxiliar no controle simultâneo de diversas doenças respiratórias.

O uso de antimicrobianos deve ser feito de forma técnica e responsável para evitar o aparecimento de resistência que inviabiliza o uso da droga na granja, limitando as opções para uso e controle de doenças, além de acusar um grande problema de saúde pública.

A escolha do antimicrobiano deve ser feita baseado em exames laboratoriais (antibiograma) e a aquisição deve ser de drogas com qualidade comprovada de um fornecedor idôneo.

Para a boa atuação, na escolha da droga o veterinário deve atentar para as características como absorção no trato intestinal, biodisponibilidade, atividade bactericida ou bacteriostática e sua distribuição nos tecidos e órgãos.

A metafilaxia, ou seja, o uso de medicação com o objetivo de prevenir a instalação da doença clínica, vem sendo usada há muitos anos e obtemos bons resultados quando adotada com critérios.

9. Abordagem dos Problemas de Creche

Recomendamos que seja realizada uma boa abordagem dos problemas de creche, iniciando com:
1- Avaliação criteriosa da situação: análise crítica dos índices e dos sinais clínicos (prevalência) e mensuração das perdas diretas (baixo peso e mortes) e perdas indiretas (gasto com medicamentos, retrabalho: gasto de mão de obra e instalações, baixo uso dos nutrientes na ração, doenças secundárias)
2- Diagnóstico seguro: envio de material adequado para exames laboratoriais confirmatórios (sempre lembrando de consultar o médico veterinário sanitarista do laboratório para correta definição)
3- Instalação de medidas de controle e medidas de prevenção (sempre acompanhar a real instalação destas medidas para avaliar e implantar ajustes, exemplo: melhoria das agulhas para vacinação, retreinamento em vacinação)
4- Avaliação das medidas instaladas de modo técnico e comprovado. Esta avaliação deve considerar: índices produtivos, índices de lesões, exames laboratoriais complementares. Lembramos que as medidas de controle são as primeiras a serem avaliadas, pois objetivam controlar o surto ou perdas diretas, enquanto que as medidas preventivas são avaliadas ao longo de um período maior, para boa demonstração da diminuição das perdas diretas e também das perdas indiretas.

Conclusão

Os dados aqui apresentados demonstram claramente o impacto das doenças na fase de creche e as perdas decorrentes. A alta prevalência do problema e o alto custo das perdas nos indicam que as medidas preventivas de controle e a adoção de programas tecnicamente planejados são os mais adequados. A monitoria de avaliação dos programas e medidas de controle deve ser realizada rotineiramente para controle da situação e correção se necessário.

Referências Bibliográficas: Disponível com o autor.

 
Autor/s.
, Brasil
Diretor
(16772)
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Re: Doenças na fase de Creche: Diagnóstico, Prevenção e Tratamento
22/03/2006 | gostaria que tivesse foto e mais detalhado o diagnostico
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Re: Doenças na fase de Creche: Diagnóstico, Prevenção e Tratamento
23/11/2006 | Bom Na realidade estou em busca de processos de degradacao dos rejeitos suinos para produçao de combustiveis.
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Re: Doenças na fase de Creche: Diagnóstico, Prevenção e Tratamento
23/11/2006 | Transferencia de Tecnologia.

Bom Dia, temos trabalhado nos ultimos 6 anos na pirolise dos mais variados produtos tais como plasticos, serragem, residuos industriais em geral. Bem para fins de curiosidade em 1 tonelada de serragem conseguimos produzir 50 de oleo de pirolise (oleo diesel) e 50 de gas metano responsavel pelo craqueamento da serragem (quebra termica) dando desta forma uma autonomia termica.

Frente a isto ingressamos nos problemas da industrias de frigoritico cujas viceras, e residuos da ete tem sido questionados com relacao a quebra quimica. Vamos iniciar as atividades de pesquisa, e para tanto estamos precisando de parceiros cuja finalidade e dar respaldo economico e sustentacao tecnica do ponto de vista suinocultura.

Aguarado tambem pesquisadores que vem desenvolvendo trabalhos de pirolise para discutirmos o assunto.

Grato.

aos@furb.br
47 3221 6055
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