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Programa luz frangos corte

Aspectos práticos de um programa de luz para frangos de corte

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Com o objetivo inicial de proporcionar acesso aos comedouros, bebedouros e conseqüentemente aumentar o tempo de alimentação dos frangos de corte, principalmente em horários com temperaturas mais amenas (noite e/ou madrugada), programas de iluminação contínuos (23-24 horas de luz), foram propostos há algumas décadas. Hoje diferentes benefícios são observados com a aplicação de um adequado programa de luz.

Assim como outras práticas de manejo dentro da produção avícola de corte, pesquisas associando programas de iluminação a problemas de pernas, mortalidade devido a desordens metabólicas e bem-estar (sistema imune, estresse calórico, condição corporal) deram novos rumos aos programas de luz artificiais, os quais atualmente são mais moderados, tanto em termos de fotoperíodo, quanto à intensidade luminosa.

O fotoperíodo está relacionado ao número de horas de iluminação (seja natural e/ou artificial), enquanto a intensidade luminosa está relacionada à sensibilidade de percepção da luz pelas aves (medida normalmente em "lux").

Os programas de luz são classificados em: constante ou contínuo, crescente e intermitente. Modernamente os programas intermitente e crescente são mais pesquisados, no entanto, em termos de aplicabilidade a campo, o programa de luz crescente é mais aceito.

O fotoperíodo crescente, quando utilizado em galpões abertos, que são mais comuns no Brasil, inicialmente (1-7 dias de idade) ocorre com o fornecimento de luz contínuo ou quase contínuo (23 horas de luz - L:1 hora de escuro - E), posteriormente (8-21 dias) há uma redução abrupta no fornecimento de luz (luz natural ou natural + 2-4 horas de luz artificial) e finalmente (após 21 dias) ocorre um aumento gradual ou repentino na iluminação artificial, de forma que fotoperíodo se torne novamente "contínuo". Há necessidade de se ressaltar, que este é apenas um exemplo generalizado de um programa crescente de iluminação, a campo existem uma série de ajustes e adaptações (diferentes latitudes, tipos de galpões, linha comercial utilizada, estação do ano, desempenho esperado...) ao longo do ciclo de criação, que o diferencia em dezenas de outros planos de iluminação, mas sempre dentro da mesma classificação.

De forma generalizada (manuais de criação ou livros, pesquisas, técnicos, indústria) há recomendação de intensidade luminosa (IL) de 20 lux (lúmens/m2) na primeira semana e posteriormente 5 lux até o final de criação do lote (sendo recomendado aumento da intensidade para 10 lux, cerca de 3 dias antes da apanha/abate). Vários aspectos práticos estão relacionados ao fornecimento dessa IL, dentre os quais pode-se destacar:

1- Tamanho do galpão;

2- Tipo de lâmpada (e sua potência) a ser utilizada no galpão (incandescente, fluorescente, gás hélio...);

3- Quantidade de lâmpadas no galpão;

4- Distribuição (posicionamento) de lâmpadas no galpão;

Apesar de representar um investimento inicial maior, lâmpadas fluorescentes apresentam maior poder de iluminação em detrimento a lâmpadas incandescentes, devido a seu comprimento de onda e conseqüente maior sensibilidade pelas aves. Portanto, uma mesma IL poderia ser obtida com um menor número de lâmpadas fluorescentes de menor potência (redução no gasto energético).

A distribuição de lâmpadas deve ser uniforme, sendo recomendado uma distância aproximadamente igual ao pé direito (altura) da primeira ou última linha (fileira) para tela ou lateral do galpão. A distância entre fileiras deve ser menor ou igual ao dobro do pé direito, enquanto que a distância entre lâmpadas dependerá do tipo e da potência das lâmpadas a serem instaladas.

EXEMPLO: Galpão 1.200 m2 (12 x 100 metros), com pé direito apresentando 3 metros, deseja-se instalar lâmpadas para que o galpão fique com iluminação adequada para criação de frangos de corte.

Necessidade de lumens para o galpão: 1.200 x 20 = 24.000 lúmens

SITUAÇÃO 1: Opção por lâmpadas incandescentes de 60 watts (810 lúmens).

1 lâmpada - 810 lúmens

24.000 ÷ 810 = 29,63 = 30 lâmpadas

Distribuição: Duas (2) fileiras de lâmpadas, distantes 3 metros da tela e seis (6) metros entre si. Como são duas fileiras, instalar-se-á 15 lâmpadas por fileira. A distância entre as lâmpadas na fileira será 6,67 metros (100 ÷ 15).

SITUAÇÃO 2: Opção por lâmpadas fluorescentes de 40 watts (2000-2500 lúmens).

1 lâmpada - 2000 lúmens

24.000 ÷ 2000 = 12 lâmpadas

Distribuição: Duas (2) fileiras de lâmpadas, distantes 3 metros da tela e seis (6) metros entre si. Como são duas fileiras, instalar-se-á 6 lâmpadas por fileira. A distância entre as lâmpadas na fileira será 16,67 metros (100 ÷ 6).

O conhecimento técnico de diferentes linhas de frangos comerciais, pelos gestores da granja avícola é de suma importância, pois o fundamento básico na eficiência do programa de luz está relacionado diretamente à redução na taxa de crescimento das aves, em fase que o mesmo ocorre de forma mais acelerada. Neste sentido há que se acompanhar o peso corporal do lote (de acordo com padrões da linha comercial associados aos resultados gerados ao longo do tempo na granja), ao se aplicar o programa de luz, para que não ocorra restrição prolongada no fotoperíodo ao longo do ciclo de criação das aves. 

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Re: Aspectos práticos de um programa de luz para frangos de corte
07/07/2009 | Prezado Jerônimo,
artigo muito esclarecedor, inclusive, estive pesquizando no site do Cobb, que prega uma adoção de programa de luminosidade.
Estou acompanhando alguns lotes na minha região, onde o programa de luz está sendo adotado, mas, alguns granjeiros não aderiram ao programa, dizendo que eles estão perdendo peso, em relação a tabela da linhagem.
O programa utilizado foi o descrito por você, com 1 hora de escuro após 7 dias de luz no período inicial, sendo que após 21 dias, o programa poderá ser acrescido de até 4 horas, conforme o ganho de peso do lote.
Tenho algumas dúvidas à respeito desse tipo de programa, gostaria de expor para se puderes me esclarecer.
1- Tenho observado que após os 28 dias as aves não têm conseguido ganhar o peso que garanta os 100% da tabela. O que poderia estar atrapalhando o desempenho a partir dessa data no seu entendimento?
2- Como estamos aqui em Goiàs no período de frio, as baixas temperaturas impedem que os lotes a partir de 14 dias de aquecimento sofrem um pouco não atingindo os pesos da tabela da linhagem, chegam a baixar a 90% da tabela padrão.
3- Qual a sua sugestão de baixa de peso, ou seja, qual a quantidade de luz e qual o percentual de baixa de peso que não afetaria o resultado final(90, 95% da tabela padrão).
Espero que possa sanar as minhas curiosidades.
Abraços.
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Re: Aspectos práticos de um programa de luz para frangos de corte
08/07/2009 | Olá Caro Marcelo, agradeço seus comentários e indagações que são, sem dúvida, muito pertinentes.

Em relação ao peso, penso que uma observação importante seria avaliar comparativamente além do Manual da linhagem, o histórico na empresa avícola. Em função de condições sanitárias, de manejo, qualidade de pintainhos e nutricionais (entre outras) o desempenho histórico poderia ser inferior, semelhante ou até mesmo superior aos padrões rotulados para a linhagem.

Acredito que 95% do peso padrão, por segurança seja a margem mais adequada. A diferença em 10% é bastante significativa e o ganho compensatório neste sentido pode ser comprometido, inclusive em função de outros fatores (sanitários, climatológicos, nutricionais e de manejo), que por ventura poderiam limitar a produtividade.

Em relação à limitação do desempenho aos 28 dias, creio que podem haver além da questão da iluminação artificial, outras fontes de variação. Uma maneira de ter ciência sobre o programa de luz, seria obviamente aumentar gradativamente o número de horas e verificar a resposta em termos de desempenho. Porém sugiro ter total segurança em relação principalmente às informações nutricionais, manejo e qualidade das aves (origem). Creio ser esta uma informação difícil de se concluir algo, por que necessita realmente de um diagnóstico analítico.

Espero ter contribuído de alguma forma.

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